Economia Verde

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André Naves (*)

 

 

Um dos termos da moda, a “resiliência”, é uma nomenclatura emprestada metaforicamente da física, significando as alterações que certos corpos adquirem a partir de pressões e forças exteriores. Pode-se resumi-la como sendo a capacidade de adaptação a novas situações e desafios. O mundo atravessa uma mudança geopolítica a exigir alterações nas relações de poder, enraizada nos conflitos e oportunidades que surgiram a partir de inovações, paradigmas tecnológicos e necessidades emergentes de subsistência da vida humana.

Em outras palavras, é lícito dizer que o modo de vida humano deve se adequar às balizas impostas pela Natureza, operando, com criatividade e trabalho, para a transformação das dificuldades e restrições, no nascedouro de alternativas que elevem a dignidade individual e coletiva.

É nesse contexto que o Brasil aparece como liderança potencial e celeiro de oportunidades na nova ordem mundial. Essa nova conformação de forças geopolíticas, também caracterizada como “Geopolítica ESG” (Environmental, Social e Governance) possui no Brasil o natural protagonista, seja por sua enorme biodiversidade e pluralidade de biomas – que vão dos sistemas semi-áridos da Caatinga, passando pelo Cerrado, as áreas alagadas do Pantanal, as florestas tropicais, até os campos e pradarias -, seja pelas oportunidades energéticas.

É interessante frisar que essa imensa miríade de biodiversidade pode se traduzir em ganhos bioeconômicos, inovativos e sociais, mediante a valorização do indivíduo, bem como de suas relações com o mundo que o circunda. Paralelamente, a matriz energética brasileira, atualmente uma das mais limpas do mundo, possui potencialidades para produções eólicas, fotovoltaicas, bioenergéticas (biogases e biometano, por exemplo), que podem constituir impulso à produção de baterias e hidrogênio verde.

É relevante destacar que o agronegócio brasileiro, um dos atores econômicos mais produtivos e sustentáveis do planeta, é vetor de preservação e regeneração natural; além de inovação tecnológica, inclusiva e sustentável, devendo tomar assento principal nos debates acerca dos novos padrões para o desenvolvimento econômico e social.

Entretanto, para que a falsa, diga-se, imagem negativa que a iniciativa pública e privada brasileira possuem seja revertida, é necessária a construção de toda uma estrutura de aferição da veracidade dos critérios “ESG”, uma contabilidade de carbono que demonstre, em critérios quantitativos, o montante total do carbono sequestrado; agências de “rating” que certifiquem a sustentabilidade ambiental e social; e mecanismos de transparência que coíbam as práticas típicas de greenwashing.

Resumindo, a chamada emergência climática é uma oportunidade de ouro para que o Brasil evolua para novos paradigmas de Desenvolvimento Justo, Inclusivo e Sustentável.

 

(*) André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Sociais. Escritor, professor e palestrante.

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