Egito se firma como maior mercado para o Brasil na África e estudo revela oportunidades de aumento do comércio bilateral

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Da Redação

Brasília – Com as exportações crescendo 78,9% e as importações registrando uma alta de 40,3% de janeiro a outubro deste ano, o Egito segue como principal parceiro comercial na África, à frente da Nigéria, durante anos ocupou essa posição. A forte alta de 69,5% na corrente de comércio (exportação+importação) indica que o comércio bilateral segue uma tendência que deverá se consolidar ainda mais nos próximos anos.

Para tanto, basta que as empresas brasileiras explorem as atraentes oportunidades de negócios em setores do agronegócio, saúde, automotivo, máquinas e equipamentos, entre outros, identificados pelo “Perfil País” elaborado pela Agência Brasileira de Exportação e Investimentos (ApexBrasil).

Nos nove primeiros meses do ano, as exportações brasileiras para o Egito superaram levemente o total acumulado em todo o ano de 2021 e somaram US$ 2,047 bilhões (contra US$ 2,014 bilhões no ano passado), enquanto as importações, mesmo com uma forte alta de 40,3%, totalizaram apenas US$ 548 milhões. Com isso, o intercâmbio comercial com os egípcios gerou para o Brasil um superávit de US$ 1,499 bilhão, contra um saldo de U$ 1,472 bilhões registrado em 2021.

Diversificação das exportações

Apesar desses números expressivos, a pauta exportadora para o Egito segue fortemente concentrada em produtos primários, de baixo valor agregado. Apenas quatro desses itens responderam por 77% do total exportado para o país africano. São eles o milho (US$ 783 milhões); carne bovina (US$ 314 milhões; minério de ferro (US$ 258 milhões); e açúcares e melaços (US$ 234 milhões).

Para o governo brasileiro, a diversificação da pauta com inclusão de produtos manufaturados é essencial não apenas para elevar as exportações mas também agregar mais qualidade e valor às vendas para o importante mercado egípcio.

Terceiro país mais populoso da África, depois da Nigéria e da Etiópia, o Egito conta com mais de 104 milhões de habitantes e um mercado em franca ascensão, no qual o Brasil detém uma fatia de apenas 2,2%, posicionando-se como décimo maior fornecedor para o país africano, que aparece como o 52º. fornecedor do Brasil, com participação de apenas 0,2% do mercado brasileiro.

Oportunidades de negócios

O estudo da ApexBrasil indica que há 304 produtos com oportunidades de exportação para o Egito, principalmente em setores do agronegócio (proteína animal, grãos, açúcar, especiarias, cafés, etc), saúde (equipamentos médicos, fármacos, etc), automotivo, máquinas e equipamentos, entre outros.

Na área dos produtos alimentícios e animais vivos residem as maiores oportunidades a serem exploradas pelas empresas brasileiras. O segmento envolve importações no total de US$ 3,5 bilhões e conta com uma participação brasileira de 38,7%. Em nível ligeiramente inferior mas nem por isso desimportantes, foram identificadas oportunidades envolvendo 25 produtos em matérias em bruto, não comestíveis, exceto combustíveis, produtos em que as importações egípcias somam US$ 2,5 bilhões.  Também merecem ser mencionadas as oportunidades no setor de máquinas e equipamentos de transporte, envolvendo importações de outros US$ 2,5 bilhões em um segmento para o qual o Brasil exporta 2% do total importado pelo Egito.

O aumento das exportações para o mercado egípcio passa também pelas oportunidades geradas por cinco dos Projetos Setoriais da ApexBrasil que têm no Egito um dos mercados prioritários, sendo dois relacionados ao agronegócio (proteína animal e material genético zebuíno) e três ligados à indústria (equipamentos médico-odontológicos e hospitalares, insumos farmacêuticos e produtos de defesa).

Egito busca ampliar exportações e reduzir déficit

Aumentar as exportações e reduzir o déficit nas trocas bilaterais são objetivos que o Egito pretende alcançar nas relações com o Brasil. Nos nove primeiros meses deste ano, as exportações egípcias somaram pouco mais de US$ 548 milhões, apesar da forte alta de 40,3%, e o país responde ocupa uma modesta 50ª. posição entre os principais exportadores para o Brasil, com uma participação de apenas 0,3% no mercado brasileiro.

Da mesma forma que o Brasil, o Egito também pretende diversificar a pauta exportadora para seu maior parceiro comercial na América Latina. De janeiro a outubro, as vendas egípcias tiveram uma participação maciça de adubos ou fertilizantes químicos e fertilizantes brutos. Em conjunto, responderam por 79,3% das exportações totais para o Brasil. As exportações de adubos somaram US$ 410 milhões (participação de 75%) e as vendas de fertilizantes brutos totalizaram US$ 24 milhões (correspondentes a 4,3% das vendas totais para o Brasil).

Para diversificar a pauta, o Egito conta com produtos como barras de ferro e aço, polímeros de cloreto de vinila, polímeros de etileno, vidraria, produtos residuais de petróleo, outras matérias plásticas, alumínio e outros produtos da indústria de transformação. Para alcançar esse objetivo, o Egito terá que enfrentar a concorrência de um gigante do comércio internacional, a China, que aparece como principal concorrente do Egito em todos os produtos importados pelo Brasil.

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