Em tempos de Covid-19: turismo da vacina, uma amostra do impacto da desigualdade social

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São Paulo – A pandemia de coronavírus foi responsável por uma série de mudanças. Depois que o vírus se espalhou mundo afora, os países uniram esforços para realizar a contenção da doença, produção de testes e, o mais importante e mais esperado: a criação das vacinas.

A mobilização foi tanta que foi a primeira vez na história que uma vacina foi produzida de forma tão rápida, com disseminação tão urgente. Afinal, inúmeros países já iniciaram suas campanhas de vacinação e, em alguns deles, boa parte da população já foi imunizada.

Em outros países, no entanto, o acesso à vacina não é tão simples. Seja pela desorganização para compra delas, armazenamento ou mesmo pela logística, há Estados que seguem lentos no processo de imunização de seus cidadãos. E, para sair na frente e ser vacinado logo, uma série de pessoas tem investido em viagens internacionais, com intuito de receber o imunizante em países nos quais as campanhas já estão mais avançadas: é o que chamam de “turismo da vacina”.

Desigualdade social em momentos de crise

O movimento tem chamado a atenção de especialistas por representar até onde a desigualdade social chega. Afinal, em uma pandemia letal, o vírus não escolhe quem será a vítima. E, com mais de três milhões de mortos, é necessário fazer com que a vacina chegue a todos da forma mais rápida possível – de preferência, sem tantas complicações financeiras.

Embora este seja o cenário ideal, na prática, não é bem assim. E é por isso que o turismo da vacina tem crescido tanto. Por consequência, cada país tem lidado com este fenômeno de uma maneira, que varia (e muito) de acordo com o posicionamento político do Estado.

Na Rússia, por exemplo, não há grupo prioritário para recepção da vacina. É possível receber o imunizante da Sputnik de forma gratuita, independentemente da idade, inclusive para estrangeiros, mediante apresentação de comprovante de identidade, como passaporte. Assim, houve uma intensa passagem pelo país nos últimos meses.

Nos Estados Unidos, a entrada de estrangeiros foi mais controlada. São quatro estados que limitaram o número de vacina para não-cidadãos. Na Flórida, por exemplo, é necessário apresentar comprovante de residência para receber o imunizante, e medidas similares ocorreram em Califórnia, Nova York e Texas.

No Brasil, a campanha de vacinação segue lenta, mas alguns estados menores estão avançados. Isso fez com que houvesse um aumento de passagens aéreas nacionais, em especial para São Gonçalo (RJ), procurada pelos profissionais de saúde, visto que a cidade permitiu a imunização, sem necessidade de comprovante de residência, de profissionais diversos da área de saúde – entre eles, psicólogos e fisioterapeutas.

(*) Com informações da Conversion

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