Empresários brasileiros fazem avaliação positiva da missão a três países do Oriente Médio

0

Última atualização:

Fonte: ANBA

Doha – Empresários brasileiros que participam de missão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ao Oriente Médio fizeram nesta quinta-feira (02) uma avaliação otimista da viagem e dos contatos feitos até agora na Síria, no Kuwait e em Doha, no Catar.

É o caso do diretor presidente da Bello Papaya, companhia que produz e exporta mamão, Ulisses Brambini. “O pessoal gosta muito disso (de mamão) aqui [no Catar]!”, exclamou. O empresário já participou de outras missões do MDIC ao mundo árabe e vende para Líbano e Marrocos, mas não ao Golfo.

Segundo ele, os importadores locais compram a fruta brasileira de atravessadores, especialmente da Holanda, e pagam muito mais caro pelo produto. Brambini afirmou que o valor de seu mamão papaia é praticamente a metade do pago pelos compradores locais aos intermediários.

O executivo acrescentou que dois fornecedores de cadeias de hotéis de luxo do Catar querem fechar pedidos imediatamente. “A demanda é muito grande, mas eu tenho como atender aos pedidos”, afirmou.

Já o representante da indústria de queijos Tirolez, Paulo Hegg, outro veterano de eventos empresariais no Oriente Médio, apresentou um novo produto ao mercado: o Cheese Kebab. Trata-se do queijo coalho no espetinho, conhecido no Brasil, adaptado ao gosto árabe.

“É um lançamento único na região pelo nome, conceito, sabor e originalidade”, declarou. “Tem a ver com a cultura local”, destacou. Os kebabs são espetinhos de carne, frango ou carneiro típicos do mundo árabe. De acordo com ele, que grelhou os produtos na hora durante rodada de negócios em Doha, os importadores locais gostaram da versão queijo.

“Os produtos [lácteos brasileiros] convencionais estão muito caros, então nós procuramos ser originais para não ter que competir com o preço [dos concorrentes]”, disse Hegg. “[O interesse dos importadores] é uma sinalização de que estamos no caminho certo”, acrescentou.

De queijo é também o pão e os biscoitos apresentados por Aderbal Alves Borges, da A&W Foods, de Goiás. Ele oferece os quitutes, que são comercializados congelados, assados na hora. “A receptividade tem sido muito grande, eles (os árabes) gostam muito de derivados de leite”, ressaltou.

O empresário destacou que o nível dos contatos feitos tem sido “muito bom”. “[O pão de queijo] é uma novidade [no Oriente Médio] e parece haver um mercado potencial muito grande”, afirmou. Esta é a primeira missão do gênero que ele participa.

Dario Chemerinski, diretor de exportação da Gomes da Costa, fábrica de atum e sardinha enlatados, mais um veterano das negociações na região, era só elogios. “A organização está excelente, é a missão mais profissional dos últimos dois anos”, disse. “O nível dos contatos melhorou muito, há um bom percentual de [contatos] de alto nível”, declarou.

O executivo destacou que ele mesmo veio bem preparado. Além de oferecer as embalagens em árabe, pois já exporta para a região, está estudando o idioma. A Gomes da Costa tem um distribuidor na Síria e Chemerinski disse que fez contatos “muito sérios” no Kuwait e que existem “grandes perspectivas” no Catar.

Chemerinski até apresentou contatos seus para Paulo Hegg, da Tirolez, e Carlos Rehder, da Novo Mel. Rehder, por sua vez, disse que os países visitados até agora têm “grande potencial” de mercado. Seu carro chefe é o mel, mas ele representa também marcas de molhos de pimenta, granola, barras de cereais e de sucos.

Rehder explica que seus produtos são “premium” e há boa aceitação. “Ninguém (nenhum contato) falou que tem que ser barato”, afirmou.

Outra que ressaltou a boa organização e a acolhida dos empresários árabes foi Fernanda Tavares Pais, gerente de exportação da Ruette Spices, que comercializa pimenta do reino. “Fomos bem recebidos em todos os lugares e há um bom movimento [nas rodadas de negócios]”, declarou.

Sua colega, Cristina Guerreiro, gerente de exportação da mesma empresa, mas da área de frutas cítricas, vê “grandes possibilidades no Catar”. A companhia já vende especiarias para outros países do Oriente Médio, inclusive a Síria, mas começa a promover agora as frutas frescas. “Procuramos sempre importadores diretos”, acrescentou Cristina.

Para o lar

De outro setor, Juliano Barretti, gerente de exportação da Unicasa, dona das marcas Dell Anno e Favorita, de móveis planejados, também elogiou a missão. “É importante para nós fazer reuniões com bastante importadores.”

A empresa exporta para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e já fez negócios no Kuwait. Na atual viagem, Barretti disse que fez bons contatos. “Agora temos muito trabalho a fazer [ao voltar ao Brasil]”, destacou.

Nessa linha, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que lidera a missão, disse à ANBA que as empresas precisam continuar as visitas e o diálogo com os importadores após a viagem. “Só funciona se o pessoal mantiver os contatos”, afirmou.

Isso é o que está fazendo o trader da Deca, fábrica de metais e louças sanitárias, Romulo Bertoni. A companhia já tem representante no Oriente Médio, a Arteco, de Dubai, que até expôs no estande brasileiro na Big 5 Show, feira do ramo de construção que ocorreu no emirado na semana passada.

“Eu estou buscando clientes para eles [os representantes]”, disse Bertoni. “Temos um ótimo relacionamento”, acrescentou, referindo-se aos sócios da Arteco, Mohamed Elshamy e Ehab Al Jamal. Mesmo que apareça algum cliente querendo comprar diretamente da matriz, o trader se comprometeu a pagar comissão aos parceiros árabes.

A missão do MDIC tem apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, do Itamaraty, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e participação do Ministério da Agricultura.

Comentários

Comentários

LEAVE A REPLY

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui