Empresas de Marrocos buscam espaços para o azeite de oliva no mercado brasileiro

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São Paulo – O Marrocos quer exportar azeite de oliva para o Brasil. Uma delegação de autoridades do governo e de empresários do setor do país árabe está em São Paulo para divulgar o produto e negociar com importadores locais. Nesta segunda-feira (16), eles participaram de uma apresentação sobre o alimento, degustação e de rodadas de negócios na capital paulista.  O evento teve o apoio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Aurea Santos/ANBA

Janati Marrocos quer estar entre os cinco maiores exportadores de azeite
Janati: Marrocos quer estar entre os cinco maiores exportadores de azeite

“O setor de azeite de oliva e de azeitonas faz parte dos pilares da nossa economia. Houve investimentos significativos pelo setor privado, com apoio do Estado para ter uma oferta de exportação importante”, afirmou Abdellah Janati, gerente-geral do Estabelecimento Autônomo de Controle e Coordenação de Exportações (EACCE, na sigla em francês), agência ligada ao Ministério da Agricultura e Pesca do Marrocos.

Atualmente, o Marrocos é o sexto maior exportador de azeite de oliva no mundo, em um ranking liderado pela Espanha. O Brasil, no entanto, não importa o produto marroquino. “O objetivo nos próximos cinco anos é plantar 1,2 milhão hectares [de oliveiras]. Hoje já passamos de um milhão de hectares. Em 2020, vamos produzir 2,5 milhões de toneladas de azeitona, o que vai nos posicionar entre os cinco maiores produtores mundiais de azeitona”, destacou Janati.

O executivo apontou o mercado brasileiro como um grande consumidor de azeite e azeitona, o que despertou o interesse dos produtores e exportadores marroquinos. “O objetivo dessas reuniões é criar uma parceria nesse sentido. Essa parceria pode levar inclusive a investimentos no Marrocos em parceria com operadores privados”, apontou.

De acordo com Janati, o Marrocos já exportou esse ano 34 mil toneladas de azeite de oliva, enquanto seu mercado interno consumiu de 150 mil a 200 mil toneladas do produto no período. No ranking de exportação de azeitonas, o Marrocos ocupa o terceiro lugar no mundo, com vendas de 70 mil toneladas anuais.

Além do evento desta segunda-feira e das rodadas que prosseguem na terça (17), Janati quer promover novos eventos para dar continuidade ao relacionamento entre produtores marroquinos e importadores brasileiros. “Depois desse encontro de dois dias, a gente quer organizar uma visita de importadores brasileiros ao Marrocos, para que eles vejam o setor, os produtores, as plantações. Temos uma grande missão de desenvolver essa corrente comercial entre esses dois países”, ressaltou.

Hicham Chraibi, vice-presidente da Interprolive, associação que reúne produtores de azeite e azeitona do Marrocos, e diretor geral da empresa Olea Capital, afirmou que a entidade “faz de tudo para que o azeite de origem marroquina seja reconhecido como [produto] de qualidade”. Ele destacou que o azeite marroquino já ganhou diversos prêmios de qualidade, em países como Itália, França, Espanha, Estados Unidos e China.

Aurea Santos/ANBA

Importadores e representantes do setor de azeite no Brasili assisitram ao evento
Importadores e representantes do setor de azeite no Brasili assisitram ao evento

“O Brasil tem grande potencial de consumo de azeite e em termos governamentais, o Brasil tem grande interesse de que outros países venham participar da venda aqui, porque queremos adquirir produtos de qualidade”, afirmou Fábio Fernandes, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Ele lembrou que o Mapa é o órgão responsável por atestar a qualidade do azeite importado no Brasil. De acordo com Fernandes, apenas quando o setor privado começar a importação do azeite marroquino é que o ministério poderá dar um parecer sobre o produto.

“Há um potencial muito grande para o azeite de oliva no Brasil”, apontou o diretor do Dipov. Segundo ele, o país importa cerca de 50 mil a 60 mil toneladas do produto por ano.

Rita Bassi, presidente da Associação Brasileira de Produtores, Importadores e Comerciantes de Azeite de Oliveira (Oliva), entidade que reúne 16 membros do setor, lembrou que Portugal é o maior fornecedor do produto ao Brasil, seguido de Espanha e Itália.

Para ela, o Marrocos precisa promover mais ações de aproximação com os importadores nacionais. “O que falta é conseguir encontrar um bom distribuidor no Brasil, fazer esse encontro do produtor lá fora com o distribuidor aqui no Brasil. Isso deve ser feito através de reuniões e agendamento, mostrando a qualidade [do produto]”, disse.

Empresas

Faiza Tak-Tak, diretora de Negócios da Les Domaines Agricoles, do Marrocos, contou que sua empresa tem uma área de mil hectares de oliveiras. “Há cinco anos estamos produzindo azeite para o mercado local, com uma qualidade muito boa e isso é o que queremos exportar”, destacou. Atualmente, a empresa produz cerca de 200 toneladas de azeite por ano.

Hicham Meziane, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Cartier, contou que sua empresa exporta azeitonas para 30 países. “O Brasil é um enorme mercado para nós. Há uma tradição de consumo de azeitonas aqui”, destacou. “Queremos muito entrar nesse mercado para provar que nosso produto é melhor que outros produtos vindos da Espanha ou da Argentina. As azeitonas do Marrocos têm um gosto especial, que é muito forte e queremos tornar isso conhecido no mercado brasileiro”, apontou.

Adnane Aouad, presidente da Zitoun Al Atlas, explicou que sua empresa produz somente azeite extra virgem. “Exportamos a maior parte de nossa produção para Europa, Canadá e outros países. O Brasil é uma oportunidade para nós porque é um país novo para a exportação de azeite. Queremos desenvolver nossas exportações nessa parte do mundo, já que o Brasil é a principal plataforma na América do Sul”, disse. Segundo ele, a empresa exporta 90% de sua produção de azeite.

Thibault Deplanck, gerente de Importação do Carrefour, compareceu ao evento em busca de novos fornecedores para a rede no Brasil. “A gente compra muito azeite da Espanha, Itália, Portugal e Grécia, que são os países dos quais a gente costuma comprar há muito anos. Recentemente, passamos a comprar mais azeites do Chile e também da Tunísia, que são países que chegaram com azeites muito bons e custo benefício interessante”, contou o executivo sobre os principais fornecedores do varejista. Participando da degustação, Deplanck aprovou o produto marroquino e, agora, irá avaliar os preços. “Comecei a degustar os azeites do Marrocos e me pareceram muito bons. Quero saber o custo benefício também”, completou.

Fonte: ANBA

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