ENAEX 2021: redução do Custo-Brasil não será obra de um governo só, dizem especialistas

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Rio de Janeiro – “A competitividade é uma corrida e se não puxarmos logo a redução do Custo-Brasil corremos o risco de ficar numa situação comparativa até pior do que hoje com outros países que estão avançando.” O diagnóstico é de José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), palestrante do 40º ENAEX (Encontro Nacional do Comércio Exterior).

A indústria brasileira viu sua participação no PIB diminuir de 35,9% nos anos 90 para 11% em 2020. Os produtos manufaturados, que já representaram 60% das exportações, hoje correspondem a 28% delas. Coelho atesta que para as empresas investirem na Indústria 4.0 precisam ver o Custo-Brasil reduzido. Se o país dobrasse as exportações de produtos manufaturados, 230 mil empregos seriam agregados por ano na indústria e em 10 anos o esforço representaria 34% de aumento no PIB.

Indústria e FGV preparam ferramenta de medição do Custo-Brasil

A Coalizão Indústria (grupo que reúne entidades industriais) e a Fundação Getulio Vargas trabalham em métricas para elaborar um sistema capaz de medir a evolução do Custo-Brasil. A ferramenta vai calcular o avanço ou recuo do custo e elaborar políticas públicas mais assertivas, é o que acredita o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello Lopes, palestrante do 40º ENAEX (Encontro Nacional do Comércio Exterior), uma realização da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Lopes aponta que a balança comercial de manufaturados demonstra a falta de competitividade das exportações do Brasil: o déficit em 2020 foi de U$ 77,9 bilhões. Segundo ele, a indústria da transformação carrega 7% de resíduos tributários na exportação, uma anomalia de longa data do sistema tributário atual. Lopes defende uma reforma tributária ampla que acabe com a cumulatividade dos impostos, desonere as exportações e os investimentos e traga equilíbrio das cargas tributárias setoriais.

Redução do Custo-Brasil

A resolução do Custo-Brasil vai demorar, pelo menos, 10 anos. A previsão é do CEO do Projeto de Redução do Custo-Brasil e assessor especial do Ministério da Economia, Jorge Luiz de Lima, durante palestra no 40º ENAEX (Encontro Nacional do Comércio Exterior), uma realização da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Lima garantiu que a meta não é sonho. “Não há como avançar sem as reformas estruturantes propostas, é uma questão de sobrevivência do país.”

Estudo elaborado em 2019 calculou que o Brasil perde R$ 1,5 trilhão com o custo, o que dificulta a competitividade de empresas. Lima explica que a capacidade de resolver o problema passa pelo tripé do setor produtivo, poder executivo e Congresso. Já foram negociados R$ 400 bilhões de possível redução do Custo-Brasil até agora e alguns projetos ainda tramitam no Congresso. Os ganhos são de longo prazo, como a Lei do Gás (7 anos) e a privatização da Eletrobrás (5 anos). São prioridades do governo para reduzir o custo, as reformas tributária e administrativa, o caso dos precatórios e a privatização dos Correios.

(*)  Com informações da AEB

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