Venezuela no Mercosul é tema da Audiência no Senado

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Senador Eduardo Azeredo, presidente da CRE do Senado.
Foto: Agência Senado

Brasília (Comex-DF) – A Venezuela é um dos maiores parceiros e fonte de superávit comercial do Brasil e é também o principal país de destino das exportações do Distrito Federal, tendo absorvido, de janeiro a maio deste ano, 45,15% de todo o volume exportado pelo DF.

Por estes e outros motivos, autoridades do Governo do Distrito Federal e especialmente o empresariado local vinculado ao comércio exterior devem estar atentos à audiência pública para instruir o Projeto de Decreto Legislativo que “Aprova o Texto do Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela ao Mercosul”, a ser realizada nesta quinta-feira (9/7), na sala Plenária 7, Ala Senador Alexandre Costa, do Senado Federal.

A audiência constará de dois painéis. O primeiro deles terá início às 10h, com a presença do governador Eduardo Braga (Amazonas), do deputado Neudo Campos (deputado e ex-governador de Roraima), Leopoldo López (ex-prefeito do município de Chacao, na região metropolitana de Caracas) e Gustavo Tovar-Arroyo (escritor e um dos ideólogos do movimento etudantil venezuelano).

O segundo painel será realizado a partir das 14h30, com intervenções dos embaixadores Samuel Pinheiro Guimarães Neto (Secretário-Geral das Relações Exteriores), e Luiz Felipe Lampreia (ex-ministro das Relações Exteriores), Julio Garcia Montoya (embaixador da Venezuela no Brasil) e Carlos Pio (professor da UnB).

UM GRANDE PARCEIRO

Em 2008, o Brasil exportou bens no valor total de US$ 5,15 bilhões à Venezuela e importou US$ 538,5 milhões -quase dez vezes menos-, o que proporcionou ao país um superávit de US$ 4,611 bilhões no intercâmbio com os venezuelanos. Essses números fizeram da Venezuela o décimo-sétimo parceiro comercial do Brasil e o sétimo país de destino das exportações brasileiras.

Some-se a esses dados o fato de que a Venezuela tornou-se também um país onde é cada vez mais forte a presença dos investimentos brasileiros. Nos últimos anos, apesar das nacionalizações decretadas pelo presidente Hugo Chávez atingindo grandes corporações dos mais diferentes países, as empresas brasileiras optaram por trilhar um caminho na contramão daquele escolhido por empresas de diversos outros países e passaram a investir pesado na Venezuela.

Hoje, os investimentos brasileiros no país vizinho somam US$ 15 bilhões. Em 2007, a Gerdau comprou a terceira maior produtora de aço venezuelana, o Grupo Ultra adquiriu uma fábrica de produtos químicos, a Braskem anunciou a realização de projeto de mais de US$ 4 bilhões no país. Para garantir as parcerias em tempos de crise, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a liberação de US$ 4,3 bilhões em créditos para a Venezuela importar bens e serviços brasileiros.

O MAIOR PARCEIRO DO DF

Guardadas as proporções, a Venezuela aparece também como um importante parceiro do DF em seu comércio exterior. Entre os meses de janeiro e maio deste ano, a Venezuela ocupou o primeiro lugar no ranking dos países de destino das exportações do DF, num total de US$ 19,1 milhões. Nesse mesmo período, as exportações venezuelanas para o DF somaram US$ 12,6 milhões, o que fez da Venezuela o décimo colocado entre os fornecedores externos de produtos ao Distrito Federal.

Os números relativos ao intercâmbio comercial entre o DF e a Venezuela nos cinco primeiros meses de 2009 revelam uma queda expressiva nos volumes das exportações brasilienses. Em igual período de 2008, as exportações para a Venezuela totalizaram US$ 28,9 milhões e este ano registram uma queda de 33,90%. Do outro lado, as exportações venezuelanas permaneceram praticamente estáveis, com um crscimento de modestos 0,55%.

Nesse cenário, o resultado final da Audiência Pública desta quinta-feira no Senado merece atenção especial do GDF e sobretudo de todo o emprariado local vinculado ao comércio exterior e mais particularmente ainda àqueles que mantém negócios de exportação e importação com o país vizinho.

Ao final do encontro a Comissão poderá recomendar ou rejeitar o envio ao plenário do Senado da resolução que definirá se aquela Casa aprovará ou não a entrada da Venezuela no Mercosul. Uma decisão de grande importância para o Brasil e também para o Distrito Federal.

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