Especialista vê com cautela e um certo otimismo futuro das relações EUA-China no governo de Joe Biden

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Da Redação

Brasília – O presidente eleito Joe Biden é um grande negociador, já deu indicações de que procurará resgatar o multilateralismo e deverá ter um papel mais positivo no cenário das relações entre os Estados Unidos e a China. De toda forma, é preciso muita cautela numa estimativa sobre o futuro das relações entre as duas maiores potências globais. A opinião é de José Ricardo dos Santos Luz, CEO do LIDE China, ao falar sobre o resultado das eleições presidenciais americanas e seus reflexos no relacionamento sino-americano sob o governo Biden.

Profissional com larga experiência em comércio e relações exteriores chineses, ele destaca que a China é um importante parceiro para os Estados Unidos, com uma corrente de comércio em torno de US$ 558 bilhões em 2019, dos quais US$ 451.6 bilhões correspondem a exportações chinesas para os Estados Unidos. Ou seja, há um grande déficit comercial americano no comércio bilateral com a China e tanto o republicano Donald Trump quanto o democrata Joe Biden são contrários a essa relação de alta dependência da China.

Segundo José Ricardo dos Santos Luz, “Donald Trump foi um grande interlocutor contra a

China e o novo presidente eleito também endureceu muito o seu discurso em relação ao

José Ricardo dos Santos Luz Junior, CEO do LIDE China

país asiático durante a campanha eleitoral. Com Trump a China se sentia, não diria confortável, mas tinha um retrato claro de como seria a relação China-Estados Unidos e com Biden isso ainda é uma incógnita. Mas é importante salientar que Biden é um grande negociador e integrou a Comissão de Relações Internacionais do Senado americano, da qual chegou a exercer a presidência. Suas habilidades como negociador são conhecidas e exaltadas e acredito que nos próximos meses, após o dia 20 de janeiro, quando ele assumirá a Presidência, teremos um cenário mais claro sobre como será essa relação”.

O CEO do LIDE China traça um paralelo entre o atual presidente e seu substituto e afirma que “se olharmos hoje o Trump em relação à China e projetarmos como será a atuação de Biden no tocante ao país asiático, certamente Biden vai resgatar diversos acordos internacionais e não tenho dúvida de que ele vai tentar retomar a discussão US-China Phase 1 trade deal, referente a da primeira fase do acordo oriundo da negociação comercial entre a China e os Estados Unidos, que foi efetivada em janeiro deste ano mas que, devido a uma série de animosidades, não for possível dar continuidade e concluir esse acordo depois da guerra comercial travada pelos dois países”.

Após destacar que ainda que o discurso de Joe Biden tenha sido endurecido durante a campanha eleitoral, José Ricardo dos Santos Luz acredita que o futuro presidente americano terá uma melhor oportunidade de negociar com a China: “não digo que a relação bilateral será melhor, mas antevejo um melhor ambiente de diálogo entre os povos americano e chinês. Acredito que Biden e sua equipe procurarão, na medida do possível, ter mais encontros com as autoridades chinesas para tentar, também dentro das possibilidades, resgatar essa importância americana e a não dependência, como existe hoje, em relação aos chineses. Não se trata de dar continuidade à política do America First, mas sim de implementar a política Made in America, dando mais importância ao resgate da cadeia americana de suprimentos”.

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