“Espero contribuir ao máximo” para o fortalecimento da relação Brasil-China, diz Alckmin em Conferência do CEBC

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Rio de Janeiro – O Vice-Presidente da República Eleito, Geraldo Alckmin, disse que espera “contribuir o máximo” para o fortalecimento das relações entre o Brasil e a China durante o governo que se iniciará no dia 1º de janeiro. As declarações foram dadas em vídeo pré-gravado (CEBC), realizada nesta quarta-feira (9). O evento foi aberto com a presença do atual Vice-Presidente, Hamilton Mourão, que defendeu uma postura pragmática e flexível do Brasil em um momento de crescentes incertezas internacionais.

“A confiança, a estabilidade e a visão de longo prazo conferem verdadeiro sentido estratégico à parceria entre Brasil e China”, declarou Mourão. Na condição de Vice-Presidente, ele comandou nos últimos quatro anos os trabalhos da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), principal mecanismo de diálogo bilateral, papel que será desempenhado por Alckmin a partir do próximo ano.

A conferência do CEBC teve o patrocínio master da Vale, ouro de BOCOM BBM, Comexport e Suzano e prata, da Marcus Cavalcanti Incorporações Imobiliárias.

Em seu rápido pronunciamento, Alckmin destacou a prioridade que será dada à questão da sustentabilidade no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e ressaltou que a administração estará comprometida com a segurança jurídica para atração de investimentos estrangeiros, principalmente em logística e infraestrutura. No passado, empresas chinesas retomaram seus investimentos no Brasil, com projetos que somaram US$ 5,9 bilhões, o maior valor desde 2017.

A China é o maior destino das exportações brasileiras e é particularmente relevante para o agronegócio. Ainda assim, a pauta exportadora do setor não reflete a diversidade e riqueza da produção nacional, disse Sueme Mori, Diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em painel que discutiu as novas avenidas para os negócios bilaterais.

A mineração é outro setor de peso nas exportações do Brasil para a China e um de seus desafios é aumentar o caráter sustentável do processo de produção. “Vamos continuar fazendo suprimento para a China do minério verde, sustentável, contribuindo para diminuir a emissão de CO2 e ajudando no desenvolvimento urbano e industrial da China”, afirmou Luiz Ricardo de Medeiros Santiago, Diretor Global de Relações Institucionais da Vale, que no ano que vem comemora 50 anos de exportações para a China. Hoje 64% das exportações da companhia são destinadas ao país asiático.

As mudanças geopolíticas globais e o aumento do peso econômico da China devem expandir o uso internacional do yuan, ainda que isso não signifique o fim do domínio do dólar nas transações internacionais, avaliou Alexandre Lowenkron, Presidente Executivo do banco BOCOM BBM. “A maior parte dos bancos centrais já tem reservas em renminbi [outro nome da moeda chinesa]. O próprio BC brasileiro aumentou as reservas de 1% para 5%”, comentou no mesmo painel, que foi moderado por Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset e Diretora de Economia do CEBC.

Grande exportadora de celulose para a China, a Suzano reiterou suas metas sociais e de sustentabilidade até 2030. Head de Relações Corporativas e Internacionais da empresa, Mariana Lisbôa disse que o objetivo é remover 40 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera, retirar 200 mil pessoas da pobreza e ofertar 10 milhões de toneladas de produtos de base sustentável.

Roberto Milani, Vice-Presidente Executivo da trading Comexport, sustentou que as importações da China contribuíram para o aumento da competitividade da indústria brasileira, por meio do fornecimento de produtos intermediários e bens de capital. Olhando para o futuro, ele vê a China como fornecedora de produtos que estarão na vanguarda da transição energética, como carros e baterias elétricas.

O presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Marcos Troyjo, também participou da conferência por meio de vídeo pré-gravado, no qual destacou o potencial de crescimento da China, ainda que haja uma desaceleração para cerca de 4% ao ano. “Em 2032, a primeira e a segunda economias do mundo será a China ou os Estados Unidos e a segunda maior economia do mundo será a China ou os Estados Unidos.”

(*) Com informações do CEBC

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