Estagnação com parceiros tradicionais provoca boom de exportações brasileiras ao Mundo Árabe

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São Paulo – A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira divulgou os dados da balança comercial Brasil – Países Árabes referentes ao primeiro trimestre de 2014. Os números apontam um boom de exportações brasileiras ao Mundo Árabe provocado, especialmente, pela estagnação da relação econômica do País com parceiros tradicionais. A exportação de alimentos foi recorde, atingindo quase quatro milhões de toneladas, com um aumento de cerca de 50% na venda de carnes bovinas.

Além do habitual desempenho positivo das commodities, produtos com valor agregado apresentaram performances históricas. Destaque para os setores têxtil, que cresceu quase 20%, e de calçados, com incremento da ordem de 50%.

O país árabe que mais importou das empresas calçadistas nacionais foi a Arábia Saudita, incrementando suas compras em quase 70% e figurando como responsável pela maior fatia – quase 45% – do total de exportações brasileiras do setor. Os Emirados Árabes Unidos (EAU), segundo maior importador do produto na região, com aproximadamente 26% do total, aumentaram as exportações em cerca de 30%. Em seguida, o destaque são os negócios com o Kuwait, que incrementou as compras também em quase 70%, agregando 10% do total comercializado.

Para o setor têxtil brasileiro, os destinos árabes mais rentáveis estão no Norte da África: Argélia, Egito e Tunísia. A Argélia ocupa a primeira posição – com mais de 36% do total – e incrementou suas compras de tecidos e afins dos players do Brasil em quase 80%. Na sequência, estão Egito – com crescimento de aproximadamente 65% e participação de 20% – e Tunísia, apresentando evolução de 12% e somando 10% do total.

O Egito também ocupa a primeira posição no ranking de exportações brasileiras de carne bovina, com quase 60% do total, e mais do que dobrou as compras do produto brasileiro em relação ao mesmo período do último ano. Em seguida, estão os EAU, com mais de 10% do total e crescimento de 45%; Argélia, com 9% de participação e 24% de aumento; e Líbano, que participa com 8% e incrementou em 24%.

Foco

“A desaceleração do intercâmbio comercial do Brasil com seus parceiros habituais – Estados Unidos, China, Zona do Euro e Argentina, entre outros – potencializou a atenção que o Mundo Árabe volta ao Brasil. Dessa forma, a relação com os árabes tem apresentado crescimento vertiginoso porque essas nações têm um poder econômico enorme, uma população imensa e são muito dependentes de produtos importados que o Brasil oferece, especialmente, no setor têxtil e de calçados, além das tradicionais exportações de alimentos”, explicou o CEO e diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby.

De acordo com o executivo, prova desse incremento no interesse árabe pelo Brasil, é a série de eventos de aproximação no campo dos negócios promovidos pelas nações do Oriente Médio e Norte da África, recentemente, no País. Apenas dentro das duas últimas semanas, Tunísia e Omã promoveram fóruns com o objetivo de apresentar oportunidades locais de investimentos, bem como estreitar relações com empresas exportadoras e investidores brasileiros. Uma série de outras iniciativas do tipo também está programada para o período da Copa do Mundo e o segundo semestre de 2014.

Fonte: Câmara de Comércio Árabe-Brasileira

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