Estudo identifica grande potencial de alta para exportação de móveis para o atraente mercado do Peru

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São Paulo – O Peru foi o quinto maior destino das exportações brasileiras de móveis e colchões em 2021, com uma participação de 5,7% do total exportado pelo setor durante o período. Isso faz da indústria brasileira a segunda maior fornecedora desses itens para o mercado peruano, respondendo por 23,6% do total de móveis e colchões importados pelo país no ano passado, ficando atrás apenas da China.

Entre 2006 e 2021, o Brasil exportou cerca de US$ 459,6 milhões em móveis e colchões para o país sul-americano. No mesmo intervalo de tempo, as exportações brasileiras cresceram 1.106,1%, alcançando em 2021 o maior patamar da série histórica: US$ 53,8 milhões em móveis e colchões exportados para o Peru.

Quinta maior economia da América Latina, a produção de móveis no Peru foi tradicionalmente direcionada para o mercado externo, em especial para os Estados Unidos. A indústria moveleira no país, em sua totalidade, é composta por micro e pequenas empresas, as quais totalizam 97,6%. Já as médias representam apenas 2%, e o restante são empresas de grande porte.

Na produção prevalece o trabalho manual artesanal na maior parte realizado por micro e pequenos produtores. Por conta dessa característica, há certa limitação em termos de competitividade, quando comparado a produtos que envolvem maior tecnologia e industrialização em sua produção, uma lacuna que pode ser potencialmente ocupada pelo mobiliário brasileiro.

“O Peru é um mercado atraente para empresas brasileiras mais experientes e que tenham interesse em ampliar sua atuação em outros mercados. O país possui uma alta penetração para produtos importados. Ainda assim, é suprido em sua maior parte pela produção nacional”, ressalta o Inteligência de Mercado (IEMI), responsável pelo “Estudo de Oportunidades para Empresas com Potencial e Exportadoras do Setor – Edição Peru”, idealizado com exclusividade para o Projeto Setorial Brazilian Furniture, de organização da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Deste modo, para as empresas brasileiras que desejarem acessar ou ampliar sua atuação no mercado peruano é aconselhado que tenham um mix de produtos diversificado e atraente.

Pensando nisso e oportunizando negócios diretos para as indústrias brasileiras do mobiliário no país, aliás, a Abimóvel e a ApexBrasil, por meio do Brazilian Furniture, realizaram no último mês de agosto, a Missão Comercial Peru e Região, na cidade de Lima, capital peruana.

Participaram das rodadas de negócios presenciais 35 empresas brasileiras, que puderam negociar diretamente com 24 compradores tanto do Peru, como de outros países da América Latina, tais quais Colômbia, Chile, Costa Rica, Nicarágua, Equador, Panamá, Uruguai, República Dominicana e Bolívia. Dessa forma, totalizando mais de US$ 35,7 milhões em negócios:  US$ 4,1 milhões em negócios imediatos e US$ 31,5 milhões prospectados para os 12 meses subsequentes.

Oportunidades para a indústria brasileira de móveis e colchões no mercado peruano

Os hábitos de consumo peruanos foram sendo moldados nas últimas décadas e a influência dos canais virtuais é fato inegável. Movimento este que trouxe por efeito consequente, um perfil mais exigente no momento da compra, sendo que os consumidores se apresentam ainda mais inclinados a adquirem produtos ou marcas específicas.

De todo modo, os peruanos são considerados consumidores racionais. Portanto, qualidade é o principal fator quando vão decidir uma compra. Mas é claro, o custo-benefício também se mostra como outro ponto importante.

Em volume e com base nas estimativas realizadas pelo IEMI, o Peru importou 108,8 mil toneladas de móveis prontos e colchões em 2021.

Observou-se que boa parte das linhas de produtos apresentou alta no período. No entanto, revelaram-se reduções nas linhas de assentos de rattan, vime, entre outros, com uma queda de 47,4%; seguido dos suportes para camas (-46,3%); e, por fim, a linha de outros assentos (-5,3%).

As maiores altas foram verificadas nas linhas de móveis de madeira para escritório (+224,5%), assentos giratórios (+141,7%) e móveis de madeira para cozinha (+100,9%).

O preço médio das importações de móveis e colchões, em 2021, foi de US$ 2,39/kg, apresentando aumento de 12,4% frente ao resultado de 2017. Na análise do período, o Peru registrou alta no preço médio na maioria das linhas de produtos importados, sendo a maior delas, observada na linha de móveis de plástico (+26,8%).

Dentre os principais fornecedores de móveis para o Peru, contudo, o Brasil é o que pratica o menor preço médio nas exportações de móveis e colchões (US$ 1,16/kg).

“A partir desse resultado, acreditamos que a indústria brasileira de móveis e colchões conta com um potencial adicional de crescimento a curto e médio prazo, algo entre três e cinco anos, de cerca de US$ 5,1 milhões em suas exportações para o mercado peruano, podendo atingir um patamar de US$ 58,9 milhões. Ou seja, um crescimento de 9,6%”, ressalta o IEMI. Isso, todavia, com a condicionante de manutenção das ações em andamento, em especial as que visam a ampliação do mix de oferta.

(*) Com informações da Abimóvel

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