Ética em tempos de Covid-19: o que estamos sendo hoje para alcançar o que desejamos ser amanhã?

0
188

Última atualização:

Luís Fernando Lopes  (*)

Uma das dimensões mais afetadas do ser humano em momentos históricos de crise é a ético-moral. Quando as dificuldades aumentam e a escassez de recursos fica cada vez mais generalizada, afloram tanto práticas de solidariedade quanto de desrespeito às leis e ao consenso social estabelecido. A ética e a moral parecem perder o seu já frágil sentido de referência.

Na prática, a manutenção do sistema e de tudo o que ele proporciona é colocado acima da vida e da preservação do planeta, nossa casa comum. Assim, o planeta e tudo o que nele habita, principalmente os seres humanos menos favorecidos economicamente sofrem as piores consequências, que em último caso levam a morte. Não apenas as pessoas entram em crise, mas também os sistemas e seus valores são questionados e colocados a prova.

Para alguns, o momento de grave crise e dificuldade pode ser visto como oportunidade para repensar nosso modo de analisarmos o jeito de ser e estar no mundo, rever nossas práticas e a importância dada para determinados aspectos da vida. Para outros, o momento de crise é também visto como oportunidade para levar vantagem ainda que prejudicando e provocando dor e sofrimento.

Mas que futuro queremos para nós e para aqueles que virão depois de nós? O que realmente importa? Por que manter o apego a ideias e práticas de um sistema que há muito tempo mostra sinais de ruína e esgotamento? Momentos de crise também oferecem oportunidades de escolhas, ao menos para alguns. Podemos ser parte das soluções ou por outro lado colaborar para o agravamento da situação? O que queremos? O que estamos sendo no presente? Que futuro nós queremos?

Querer a mudança implica em buscar a mudança. E mudanças podem começar com pequenos gestos que nos tornem menos egoístas e mais humanos e humanizadores. Um pouco de atenção, um pouco de partilha, ainda que remotamente podem ser um pequeno passo nessa caminhada. E para os mais pessimistas talvez seja apropriado dizer que a realidade é também resultado daquilo que nós fazemos dela. É prudente reconhecer que cada um na medida de suas possibilidades é responsável por fazer acontecer o mundo melhor que deseja. A omissão é geralmente motivada pelo pessimismo que imobiliza, insensibiliza, em uma palavra desumaniza e impede a mudança acontecer.

O que estamos sendo hoje para alcançar o que desejamos ser amanhã?

(*) Luís Fernando Lopes é doutor em educação e professor do Centro Universitário Internacional Uninter.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta