Eventos em Madri, Berlin e Roma divulgam a sustentabilidade do agronegócio brasileiro nos mercados europeus

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Brasília – A partir desta segunda-feira (23) e com sequência hoje (24) e na quinta-feira (26), o agronegócio brasileiro vai mostrar para o mundo os resultados de seus esforços de restauração, preservação e manutenção do meio ambiente, cuidando também do social e do econômico, e do uso crescente de inovações e da tecnologia para o aumento da produtividade sem incremento das áreas para a produção.

As ações serão discutidas, respectivamente, durante os Agritalks Madrid, Berlin e Roma, uma iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Os debates de alto nível trarão porta-vozes das instituições brasileiras e representantes de cada país para falar sobre o agronegócio brasileiro e ajudar no fortalecimento da imagem do Brasil como parceiro estratégico neste setor.

Segundo o gerente de agronegócio da ApexBrasil, Márcio Rodrigues, o objetivo dos diálogos é mostrar para o mundo e, principalmente para esses mercados europeus, que o agronegócio brasileiro é sustentável e que o país está comprometido em cumprir com o papel de um dos garantidores da segurança alimentar internacional. “O agronegócio brasileiro é exemplo para o mundo, pois é sustentável e alcança altos índices de produtividade por meio do uso extensivo de tecnologia e inovações, com respeito ao meio ambiente. Nós somos parte da solução e não do problema para as questões alimentares e de abastecimento em todo o mundo”, avaliou.

 

Protagonismo mundial 

Com a crescente importância do agro brasileiro no cenário internacional, eventos como o AgriTalks são importantes para construir e consolidar uma reputação positiva para o setor. Estudo divulgado pela EMBRAPA no ano passado mostrou que o agronegócio brasileiro responde pela alimentação de cerca de 10% da população mundial, ou seja, aproximadamente 800 milhões de pessoas. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a população do Planeta provavelmente chegará a 10 bilhões de pessoas em 2050, gerando pressões para maior produtividade.

E o Brasil faz parte da solução destes problemas. Os resultados das exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2022 comprovam o aumento da produtividade e o protagonismo do agro no país:  de janeiro a março, as vendas internacionais de alimentos e bebidas chegaram a US$ 33,9 bilhões, US$ 10,7 bilhões acima do ano anterior, o que representa um aumento de 46,1%. A elevação recorde se refletiu no saldo da balança comercial do setor, que atingiu US$ 30,1 bilhões, um crescimento de 56% em relação ao mesmo período de 2021. Tamanho volume faz com que o país seja o terceiro maior exportador de alimentos em todo o mundo.

Em 2021, as exportações do agronegócio brasileiro para os países europeus também foram expressivas. Conforme cálculos feitos a partir da base de dados COMEX STAT, dos cerca de US$ 5 bilhões exportados para Alemanha em 2021, US$ 1,9 bilhão, ou seja, 38%, são advindos do agronegócio. Já no caso da Espanha, dos US$ 5,43 bilhões de vendas internacionais, 51,5% ou US$ 2,8 bilhões são provenientes da comercialização de produtos e serviços do agro, enquanto as exportações de produtos agropecuários brasileiros para a Itália chegaram a US$ 1,46 bilhão, 38% dos US$ 3,86 bilhões exportados para o País.

 

Passado, presente e futuro comuns 

E ainda há espaço para que esse fluxo de comércio se intensifique. A União Europeia (UE) é um dos blocos mais exigentes em termos de certificação e de licenças sanitárias. Portanto, é imprescindível aprofundar o diálogo com autoridades desses setores a fim de mostrar que a qualidade dos produtos brasileiros atende aos exigentes padrões europeus. A escolha dos três países que irão iniciar este ciclo do Agritalks não foi mero acaso. Brasil, Espanha, Alemanha e Itália compartilham laços comuns no setor agroalimentar.

No caso dos imigrantes italianos, durante os séculos XIX e XX, eles se fixaram no território brasileiro e contribuíram de forma determinante para a cafeicultura nacional. Já os alemães se alojaram majoritariamente no sul do país, lar de dois dos maiores estados exportadores do agronegócio brasileiro, o Rio Grande do Sul e o Paraná. Além disso, descendentes de alemães também obtém sucesso em regiões do Mato Grosso e no oeste da Bahia, entre outros.

Os três países ocupam posições de destaque na produção agropecuária para a EU e, cada um a seu modo, enfrentam questões com as quais o Brasil também se deparou e que tem conseguido superar: aumentar a produtividade sem esgotar os recursos naturais e sem aumentar as áreas de cultivo, de forma sustentável, econômica e socialmente viável.

 

Pecuária e Agricultura Verde 

O primeiro debate da série de AgriTalks que serão realizados ao longo de 2022 ocorreu na tarde desta segunda-feira (23) na embaixada brasileira em Madrid, com o debate “O Futuro que desejamos construir: a colaboração agroambiental entre Brasil e Espanha”. A plenária de abertura teve a participação do presidente da ApexBrasil, do embaixador do Brasil na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, e do diretor-geral da Casa América, embaixador Enrique Ojeda. Na ocasião, os participantes puderam discutir sobre “Soluções inovadoras para os desafios de segurança alimentar e sustentabilidade” e “O papel do setor privado e do investimento responsável no agronegócio”.

Atualmente, a Espanha é o segundo país com maior estoque de investimentos no Brasil, destinados principalmente para os setores financeiro e de telecomunicações. Somados, os investimentos espanhóis chegam a aproximadamente US$ 60 bilhões, o que faz do Brasil o quarto destino de investimentos internacionais da Espanha.

Em seguida, será a vez da capital alemã sediar o Agritalks, na manhã da terça-feira (24) a partir do tema “A transformação verde da agropecuária no Brasil e na Alemanha”.  Além da apresentação, liderada pelo embaixador Roberto Jaguaribe, pelo presidente da Comissão de Agricultura do Bundestag, Hermann Färber, e pelo presidente da ApexBrasil, Augusto Pestana, o evento contará com três painéis que abordarão as “Tecnologias para a mitigação das emissões de carbono da produção agropecuária”, “Inovações na agropecuária: oportunidades e desafios para aumentar a produtividade no campo de forma sustentável” e “Cadeias alimentícias: práticas sustentáveis”.

Encerrando este primeiro ciclo, o Agritalks em Roma, na Itália, tratará das “Inovações para a Sustentabilidade Agropecuária: Experiências de Brasil e Itália”, na manhã da quinta-feira (26). As considerações iniciais serão feitas pelo embaixador do Brasil junto à Itália, Malta e San Marino, embaixador Helio Vitor Ramos Filho, pela subsecretária do Ministério da Transição Ecológica da Itália, Vannia Gava, pelo deputado e ex-vice-ministro da Agricultura da Itália, Giuseppe L’Abbate, e por Augusto Pestana.

Os painéis trarão reflexões sobre as “Políticas para a Agricultura Sustentável – desenvolvimentos e desafios”, as “Inovações na Produção Agropecuária: soluções para combater a mudança do clima” e a “Revolução agropecuária sustentável”. As discussões permitirão o debate sobre, por exemplo, a redução nas emissões de metano e a crescente demanda do público por produtos que garantam o bem-estar animal.

 

Créditos de carbono 

No momento em que o Brasil acaba de sancionar o decreto para regulação, criação e implementação de um mercado nacional regulado de créditos de carbono, lançado durante o Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização e Investimentos Verdes, realizado na última semana, no Rio de Janeiro, os Agritalks vêm somar às iniciativas do Governo Federal para fortalecer a imagem do país como uma potência agropecuária sustentável.

Nesse sentido, os debates servem não somente para o incremento da imagem brasileira, mas também atuam com vetor para potencializar negócios futuros, para atrair investimentos e para garantir a manutenção de parcerias comerciais, além de contribuir para a abertura de novos mercados para o agronegócio brasileiro. Até o fim de 2022, estão previstas mais 7 edições do Agritalks, em Estocolmo, Londres, São Francisco, Nova Iorque, Chicago, Londres e Pequim.

 

(*)  Com informações da ApexBrasil

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