Experiência japonesa em reciclagem de eletroeletrônicos é apresentada no Brasil

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Brasília  – O Japão possui leis destinadas à limpeza urbana e ao meio-ambiente desde 1900 e seu modelo de reciclagem de eletroeletrônicos é referência mundial na atualidade. A experiência nipônica foi apresentada aos brasileiros durante o “Seminário Brasil-Japão sobre Reciclagem de Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos”, realizado dias 12 e 13 de março, em Brasília. 

O encontro foi realizado pela Secretaria de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). A Organização de Comércio Externo do Japão (Jetro) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apoiaram a iniciativa.

Representantes do governo japonês e de empresas especializadas, como a Dowa Eco-System e Saimu Corporation, foram os responsáveis pela apresentação da legislação local e de técnicas de reciclagem para resíduos de equipamentos eletroeletrônicos. Todas as etapas de processo foram citadas, desde a coleta, separação de materiais, gestão e desmanche, até a recuperação dos recursos naturais, sua reciclagem e o reaproveitamento produtivo.

“Há uma tendência significativa de aumento dos resíduos sólidos produzidos no Brasil. Grande parte deles vai para aterros, que não são suficientes para suportar a demanda”, explicou Satoshi Murosawa, Representante Chefe da Agência de Cooperação Internacional do Japão no Brasil (Jica Brasil). “Nesse contexto, foi solicitado ao Japão apoio técnico para formular uma política adequada”.

Responsabilidade compartilhada

Após a recuperação dos danos da Segunda Guerra, o Japão experimentou um período de grande crescimento econômico nas décadas de 1960 e 1970. Nesse contexto, a quantidade de resíduos sólidos gerada na ilha disparou e sua destinação tornou-se uma preocupação relevante para a sociedade. “Os resíduos sólidos são reflexo da sociedade: sua produção aumenta de acordo com a riqueza”, disse Masahiro Takasugi, ministro Encarregado de Negócios da Embaixada do Japão no Brasil.

O lixo, antes basicamente orgânico e incinerado, passou a conter diversos materiais que poderiam ser reutilizados pela própria cadeia produtiva da qual eram originários, como peças, componentes e metais. A logística reversa foi o sistema encontrado para recolocar esses produtos na linha de produção: consiste na inversão do sentido da cadeia de consumo, fazendo com que os produtos retornem dos consumidores aos fabricantes, que devem recicla-los adequadamente.

Todos os agentes envolvidos na relação de consumo devem colaborar: cidadãos, comerciantes, distribuidores, importadores (se for o caso) e fabricantes possuem obrigações específicas, no conceito denominado responsabilidade compartilhada. “O tratamento de resíduos tornou-se um desafio que não pode depender apenas do governo central: depende de Estados, empresas e cidadãos”, completou Takasugi.

Meio ambiente

O aperfeiçoamento da legislação instituiu normas destinadas à reciclagem de cada tipo de produto. Embalagens, eletrodomésticos, automóveis, materiais de construção e alimentos são alguns dos produtos que possuem leis próprias com esse objetivo, formuladas a partir de 1995. “Cada material tem um ciclo distinto e os resíduos são diferentes de produtos e serviços, pois são considerados indesejáveis”, lembrou o representante do Ministério do Meio Ambiente do Japão, Shigeyoshi Sato, que define o atual momento do país como a “Era da Reciclagem”.

As novas regras para recolhimento e destinação de rejeitos impulsionaram o desenvolvimento de técnicas avançadas para reaproveitar esses recursos. Além agregar valor aos materiais descartados, a política ajudou a diminuir o contágio de doenças infecciosas, a poluição urbana gerada pela incineração e a necessidade de espaço para abrigar os resíduos. “O tratamento está diretamente ligado à saúde e ao bem-estar da população e deve ser realizado com todo o cuidado”, conclui Sato.

Papel do consumidor

O consumidor que opta por se desfazer um produto deve recolher uma taxa, que varia de acordo com o tipo de mercadoria e é destinada a cobrir os custos de coleta, transporte e reciclagem. A cobrança reduz o descarte, estimula o uso dos produtos por mais tempo e com maior zelo.  “A situação atual apresenta a Lei da Reciclagem para fazer o tratamento adequado dos resíduos, que vêm tendo os descartes reduzidos nos últimos anos”, comentou o representante do Ministério da Indústria e Economia Toru Suenaga.

Ao realizar o pagamento da taxa de reciclagem, o consumidor recebe um comprovante que inclui um código de rastreamento. A senha permite que o cidadão acompanhe todo o processo de reciclagem. Varejistas e distribuidores são responsáveis pela coleta e entrega aos fabricantes ou importadores, que devem reciclar os materiais e recolocá-los no setor produtivo sob a regulação do governo. A municipalidade se encarrega do lixo comum.
Veja alguns exemplos de taxa de reciclagem de mercadorias no Japão:

Produto Taxa (iene) Taxa (real*) % de reciclagem**
Ar condicionado 1.575 32,30 70
TV pequena (14, 20 pol.) 1.785 36,61 55 a 60
Máquina de lavar 2.320 47,58 65
TV grande 2.835 58,15 55 a 60
Refrigerador, freezer 4.380 89,83 60
*Cotação de 13/03/2013 – Thompson Reuters

**Exigido pela lei japonesa

 

O panorama do país já reflete os resultados dessa política. “A geração de resíduos é praticamente a mesma, mas o descarte final se reduziu devido à reciclagem”, comemorou Suenaga. Ele ressalta, no entanto, que o trabalho continua “Não satisfeitos, estamos impondo metas ainda mais rígidas, pois, no contexto de crescimento populacional da Ásia, teremos o dobro do atual volume de rejeitos até 2050”.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

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