Exportações de alimentos crescem 12,8% e somam US$ 17,6 bilhões no primeiro semestre, diz ABIA

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Da Redação (*)

Brasília – Apesar de o país enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19, no primeiro semestre, as exportações de alimentos industrializados totalizaram US$ 17,6 bilhões, com uma alta de 12,8% comparativamente com o mesmo período de 2019, atendendo a demanda de mais de 180 países e em especial da China. Os produtos de maior destaque nas vendas em dólares foram as carnes (+11,9%); óleos e gorduras (+30%); e açúcares (+48%). Os dados foram divulgados hoje (12) pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).

Ásia, Europa e Países Árabes foram os principais destinos, com destaque para a China. No primeiro semestre de 2020, a receita de vendas de alimentos industrializados para a China totalizou US$ 3,5 bilhões, um crescimento de 95,6% – praticamente o dobro do volume registrado no primeiro semestre de 2019 – com maior concentração nas carnes.

Além da China, os países que mais importaram do Brasil foram Hong Kong e Holanda, hub de entrada não só dos produtos alimentícios mas de diversos outros bens nos países-membros da União Europeia.

No semestre, a indústria de alimentos e bebidas obteve um saldo comercial positivo em US$ 15,3 bilhões, 15,9% superior ao desempenho do primeiro semestre de 2019. A contribuição do setor para o saldo geral da balança comercial brasileira alcançou o patamar recorde de 68,2% do total.

Exportações de alimentos crescem 12,8% e somam US$ 17,6 bilhões no primeiro semestre, diz ABIA
Grazielle Parenti – Presidente do Conselho Diretor da ABIA / Divulgação / ABIA

“O Brasil é percebido, cada vez mais, como um parceiro confiável e relevante para garantir a segurança alimentar, papel que ganhou ainda mais destaque diante dos desafios da pandemia. Quando muitos países reduziram as suas exportações, o Brasil continuou fornecendo alimentos para o mundo. O País pode vir a expandir seu portfólio de produtos exportados em mercados potenciais como a China, Índia e países do Norte da África”, afirma Grazielle Parenti, presidente do Conselho Diretor da ABIA.

Alta em faturamento e produção física

A indústria brasileira de alimentos e bebidas registrou crescimento de 0,8% em faturamento e 2,7% em produção física no primeiro semestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a pesquisa conjuntural da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).

Entre os fatores que contribuíram para este resultado no período, destacam-se a expansão das exportações e o desempenho do varejo alimentar no mercado interno. O aumento do consumo das famílias dentro dos domicílios foi um dos efeitos da pandemia do novo coronavírus que contribuíram para um melhor desempenho do varejo em comparação com o 1º semestre de 2019. Em contrapartida, o canal Food Service registrou queda de 29,5% nas vendas.

Os setores que mais se destacaram no período em volume de produção, considerando o mercado interno e as exportações, foram: açúcar (+22,6%), óleos vegetais (+3,9%) e carnes (+1,9%).

O setor registrou ainda um aumento de 0,6% nas contratações diretas e formais, gerando 10,3 mil vagas no período. Esse aumento está associado à expansão da produção e à necessidade de contratação para compensar o afastamento temporário de colaboradores pertencentes a grupos de risco para a Covid-19.

É importante destacar, porém, que não se trata de um crescimento sem desafios. Vários fatores adversos se impuseram e tiveram de ser enfrentados. A estimativa da ABIA é de um custo médio adicional de produção de 4,8% devido à Covid-19. Isso tem sido um desafio adicional para as empresas do setor, face ao contexto atual das economias brasileira e mundial. Como o custo de produção industrial representa em média 58% do custo total do setor, um incremento de 4,8% neste item representa um impacto no custo total da indústria de alimentos entre 2% e 2,5%.

Apesar desse impacto na cadeia produtiva, o setor gerou empregos e manteve o abastecimento funcionando no Brasil e no mercado internacional.

Exportações de alimentos crescem 12,8% e somam US$ 17,6 bilhões no primeiro semestre, diz ABIA
João Dornelles – Presidente-Executivo da ABIA/ Foto Reprodução ABIA

“Embora a indústria de alimentos esteja enfrentando os impactos da pandemia, a produção e o abastecimento da população não foram interrompidos, não só pelo fato de se tratar de uma atividade essencial, como também pelas iniciativas tomadas pelo setor, promovendo o monitoramento e o controle dos estoques no varejo e investindo em estruturas de proteção e segurança dos colaboradores nas fábricas e escritórios, entre outras. Nosso foco agora é manter o ritmo e trabalhar para colaborar ainda mais com a retomada econômica do País, gerar mais empregos e continuar levando alimento para a mesa dos brasileiros, além de manter nossa posição de um dos maiores produtores de alimentos do planeta, contribuindo para a segurança alimentar em mais de 180 países”, declara João Dornellas, presidente executivo da ABIA.

Food Service

De acordo com levantamento da ABIA, as vendas acumuladas do Food Service (restaurantes, bares, lanchonetes, serviços de alimentação nos hotéis, navios e aviões e lojas de conveniência) apontam para uma redução de 29,5% no 1º semestre de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado, registrando um faturamento de R$ 64,5 bilhões. No 1º semestre de 2019, foram registrados R$ 91,4 bilhões de faturamento.

Iniciativas do setor frente à Covid-19

Essencialidade

Uma das demandas centrais para assegurar o funcionamento da cadeia de produção de alimentos no Brasil, apoiadas pela ABIA, foi o reconhecimento da condição de “essencialidade” logo no início da pandemia no Brasil, por meio do Decreto 10.282, de 20 de março de 2020. A medida envolveu toda a cadeia desde a produção agropecuária até a indústria de alimentos, logística e distribuição, incluindo as atividades de transporte e fornecimento de insumos e produção.

Comitê de Acompanhamento do Abastecimento

Outra iniciativa liderada pela ABIA em conjunto com a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) e com a APAS (Associação Paulista de Supermercados) foi a criação do Comitê de Acompanhamento do Abastecimento de alimentos e bebidas de Norte a Sul do País, para acompanhar diariamente a situação do abastecimento de alimentos no varejo. Posteriormente, a ABIA convidou outras importantes associações setoriais para trabalhar em conjunto nesse desafio.

Segurança dos colaboradores

Com o advento da pandemia, a indústria de alimentos que, por razões relacionadas à própria atividade, já cumpre rigorosas regras de segurança estabelecidas pelas legislações trabalhistas e de saúde, estabeleceu protocolos extras para garantir a segurança e a proteção dos colaboradores que tiveram que continuar trabalhando para abastecer a população. Além disso, para orientar o setor, a ABIA organizou e disponibilizou a todas as indústrias de alimentos um Guia de Boas Práticas reforçando as diretrizes de segurança no enfrentamento à Covid-19, bem como detalhando e esclarecendo os procedimentos de prevenção a serem aplicados dentro e fora das fábricas.

Doações

Além disso, a indústria alimentícia reforçou suas ações de responsabilidade social, apoiando a sociedade no enfrentamento ao novo coronavírus. De acordo com levantamento da ABIA, as indústrias associadas doaram mais de 2,7 mil toneladas de alimentos e bebidas, além de recursos financeiros para compras de equipamentos hospitalares, investimento em pesquisas e aquisição de testes rápidos para Covid-19. As doações foram distribuídas entre instituições beneficentes, hospitais e unidades de saúde, profissionais autônomos, associações de comunidades, lares de idosos, governos estaduais e prefeituras. O setor também doou cerca de 4 milhões de máscaras de proteção, além de produtos de higiene e limpeza.

Nesse contexto, a ABIA também trabalhou pela aprovação do PL 14.016/2020, sancionado em junho e que autoriza a doação de alimentos e refeições não comercializados por parte de indústrias, supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos.

Protocolo sanitário de retorno ao trabalho

Em julho, a ABIA assinou termo de adesão ao protocolo sanitário da Prefeitura de São Paulo para o retorno do trabalho presencial nos escritórios. As medidas de segurança preveem regras para distanciamento social, higiene e sanitização do espaço físico, orientações para comunicação aos colaboradores, políticas de testagem e horários alternativos para atendimento ao público e volta seletiva ao trabalho.

Perspectivas

De uma forma geral, a pandemia alterou o comportamento e o estilo de vida das pessoas, influenciando os critérios de escolha dos alimentos, a ocasião e o local de consumo. Devido ao confinamento imposto pela quarentena, as refeições preparadas nos domicílios ganharam mais importância, resultando no aumento das vendas no varejo e do canal de delivery.

Tais mudanças podem trazer uma maior valorização da ciência que existe por trás do produto alimentício. Atributos que valorizem ainda mais a segurança alimentar, as boas práticas de produção e as questões sanitárias ganharão mais relevância e prioridade.

Em um cenário pós-pandemia, a indústria de alimentos e bebidas pode expandir rapidamente seus volumes para abastecer os negócios que vão reabrir ou já estão em processo de reabertura. Nas exportações, a tendência é de manutenção das vendas no ritmo atual, tendo como principal parceiro comercial a China. Diante desse cenário, a perspectiva para o fechamento de 2020 da indústria de alimentos e bebidas, considerando a projeção de retração do PIB entre -6% e -5% (relatório Focus-24/07), é de um crescimento de até 1% nas vendas reais e de até 11% nas exportações.

 (*) Com informações da ABIA

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