Exportações de calçados retornam ao patamar de 37 anos atrás com forte queda em receita e volume

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Da Redação (*) 

Brasília –  As exportações de calçados registraram em 2020 uma forte contração de 32,2%   (em receita) e 18,6% (em pares embarcados), retornando ao patamar ocupado há 37 anos. As vendas externas geraram um faturamento de US$ 658,3 milhões, contra US$ 972 milhões em 2019, com uma redução de receita no valor de US$ 313,7 milhões. Em número de pares exportados, houve uma retração de 115,2 milhões, em 2019, para 93,8 milhões de pares em 2020. 

Para 2021, a  expectativa é de que vendas externas do setor cresçam 14,9% comparativamente com o ano passado, com números próximos daqueles registrados oito anos atrás. A previsão é de que 107 milhões de pares sejam embarcados este ano para o exterior. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (13) em coletiva de imprensa  organizada pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados   (Abicalçados).

No tocante às exportações por países, os Estados Unidos devem continuar ocupando a liderança no ranking dos principais países de destino dos calçados brasileiros e a novidade deverá ficar por conta da França ultrapassando  a Argentina como segundo maior cliente da indústria calçadista nacional. 

Segundo o presidente executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, as dificuldades enfrentadas pela Argentina, com uma forte crise econômica que se tornou ainda mais grave devido à pandemia de Covid-19, farão com que os franceses superem os portenhos como segundo país de destino do calçado brasileiro em todo o mundo

Ano passado, as exportações para os Estados Unidos totalizaram US$ 137,8 milhões (queda de 30,8% comparativamente com US$ 199 milhões em 2019), enquanto as vendas para a Argentina recuaram 30,8% para US$ 72,6 milhões, ante US$ 104,9 milhões faturados em 2019. 

Para ocupar o segundo lugar tradicionalmente pertencente à Argentina, a França é necessário que os franceses aumentem consideravelmente as importações  e/ou que a Argentina reduza ainda mais as compras dos calçados brasileiros. Em 2020, os franceses realizaram importações no valor de US$ 59,2 milhões, contra US$ 60,5 importados em 2019.

Na entrevista, Haroldo Ferreira destacou que vendas e feiras em plataformas digitais vieram para ficar no mercado externo de calçados. Ele destacou que “feiras como a Expo Riva Schuh, por exemplo, vai ser em formato online agora em janeiro. Também em formato online, teremos outras feiras, como a Micam Milano. Em junho, está previsto que expositores brasileiros já possam participar [de outros eventos], mas [no caso das participações presenciais] existem dois problemas, a restrição e o receio. Por isso, esse formato digital acreditamos que possa se perpetuar pós-Covid-19”, explicou Ferreira.

Questionado sobre como seriam as visitas de importadores a feiras no Brasil e no exterior, Ferreira explica que a ideia é aliar as ferramentas digitais às feiras físicas, conforme elas tornem a ocorrer. “Fizemos a parceria com a [plataforma americana] Joor, por seis meses. Estamos testando. Há importadores que só operam nessa plataforma. Mas nós temos as feiras físicas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, que esperamos que aconteçam. E os compradores que iam àquelas feiras vão continuar indo”, pontuou o presidente da Abicalçados.

Melhora do cenário em 2021

Em um cenário em que a vacinação se torne uma realidade no Brasil e o comércio se mantenha aberto, a Abicalçados projeta que em 2021 a exportação volte a crescer, com expectativa de 14,9% mais vendas frente a 2020. “Deveremos chegar a 107,7 milhões de pares embarcados”, apontou Ferreira. Ele lembrou, no entanto, que o dado ainda representa um retrocesso a níveis de oito anos atrás.

Foto: Divulgação

O crescimento também é esperado na produção nacional neste ano. O volume de calçados fabricados deve crescer 14,1% sobre 2020, totalizando 810 milhões de pares de calçados em 2021. O número se equipara ao que era produzido uma década atrás.

Segundo o presidente da Abicalçados, a vacinação é uma demanda do setor. “As indústrias têm interesse em vacinar. No caso da vacina contra a covid isso deve se dar de forma diferente do que na vacina contra a gripe, por exemplo, porque as decisões ainda estão sendo tomadas pelo Ministério da Saúde”, pontuou Ferreira.

(*) Com informações  da ANBA

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