Exportações do agronegócio a países do mercado halal devem crescer no pós-pandemia, prevê Tereza Cristina

0
459

Última atualização:

São Paulo – O Brasil deve se fortalecer como fornecedor de alimentos para o mercado halal no pós-pandemia, afirmou a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, durante webinar realizado pela certificadora Fambras Halal na manhã desta quarta-feira (17). O evento virtual teve como tema a importância do alimento halal do Brasil para o mundo.  O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, foi um dos palestrantes e reforçou a posição da ministra. Segundo ele, com a covid-19, os  consumidores vão procurar produtos de grande qualidade e higiene, como são os com certificação halal.

Tereza Cristina acredita que o Ministério da Agricultura e o setor produtivo brasileiro estão preparados para dar continuidade ao fornecimento global de alimentos. “Nosso país tem uma vocação em ser um grande fornecedor global de alimentos seguros e de qualidade para o mundo. Certamente essa vocação se aplica também aos produtos halal. Ao fim da crise, acredito que haverá uma valorização de parceiros tradicionais e que o Brasil se fortalecerá como um parceiro confiável e que prioriza as relações de longo prazo. Assim espero que após a pandemia, as relações já sólidas entre nossos países possam se fortalecer e expandir ainda mais”, declarou.

Hannun afirmou que os países não islâmicos que compram produtos halal trazem uma série de oportunidades para o Brasil. “Principalmente agora com o coronavírus, em que temos uma aceleração do amadurecimento do consumidor em busca de mais qualidade, higiene, cuidado, que são valores do halal e que ultrapassam as fronteiras da religião e se tornam um estilo de vida. O halal brasileiro tem uma abertura de portas em países não islâmicos, e consumidores não islâmicos, e com isso podemos aumentar a diversificação e ampliar as vendas de produtos com maior valor agregado”, disse.

Hannun lembrou que a Câmara Árabe criou um comitê estratégico comercial internamente para identificar novos fornecedores aos países árabes a partir de uma demanda desse bloco. “Hoje temos 24 entidades que fazem parte do comitê, entre elas o Mapa, o Ministério da Economia, através da Secex e da Camex, e a SP Negócios, então isso mostra que os árabes vão continuar sim essa parceria”, reiterou. A Secex é a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, e a Camex, a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior do Ministério. A SP Negócios é a Agência de promoção de investimentos e exportações do município de São Paulo.

O presidente da Fambras Halal, Mohamed Zoghbi, disse no evento que a pandemia de Covid-19 é um desafio mundial, mas que o trabalho no Brasil não foi interrompido. “Seguimos cumprindo os acordos celebrados com os países islâmicos, e posturas assim reforçam a capacidade do Brasil de atender as demandas internacionais por produtos halal e tornam esses clientes ainda mais fiéis. Esse é um ponto importante, mesmo em momentos de turbulência no Brasil, os compradores islâmicos permaneceram ao nosso lado, confiando no que é produzido aqui”, declarou.

Zoghbi acredita que o mundo pós-pandemia seguirá oferecendo excelentes oportunidades aos produtos e alimentos halal, especialmente em função da segurança alimentar. “São produtos que passam por rigorosos processos, pautados pela legislação nacional e as principais normas nacionais e internacionais referentes ao halal e segurança do produto. O processo envolve, além de análises documentais e de matérias-primas, a conduta comercial da empresa, como são feitos os abates, e como a empresa destina parte de seus lucros para promover benefícios sociais e também ao meio ambiente”, informou.

A ministra Tereza Cristina disse ainda na conferência online que espera que as barreiras comerciais que foram levantadas durante a pandemia se mantenham dessa forma. “Tivemos algumas barreiras ao comércio levantadas durante a pandemia, e a minha preocupação agora é que essa salutar liberação não seja algo temporário e emergencial, apenas durante a crise da saúde pública. Espero que essas posições se consolidem com o pós-pandemia”, declarou.

Ela também disse observar com preocupação o recrudescimento do protecionismo agrícola após a Covid-19. “De toda forma, o cenário atual é bastante complexo, e pode ainda levar tempo até compreendermos em sua plenitude os impactos que essa pandemia deixará”.

O evento online teve como palestrantes também a secretária especial adjunta de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Yana Dumaresq; o deputado federal Alceu Moreira, que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária; e a presidente do conselho diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Grazielle Parenti, que também falaram sobre o mercado halal e o potencial para a ampliação das exportações.

O webinar foi mediado pelo vice-presidente da entidade, Ali Zoghbi. A ministra deixou o evento após a sua fala para um compromisso com a Presidência da República. Assumiu seu lugar o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Orlando Ribeiro.

(*) Com informações da ANBA

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta