Exportações em alta não impedem déficit de US$ 18,1 bilhões da indústria elétrica e eletrônica no primeiro semestre do ano

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Da Redação (*)

 

Brasília – As exportações de produtos elétricos e eletrônicos registraram uma alta de 20,3% no primeiro semestre do ano e totalizaram US$ 3,2 bilhões, mas esse aumento expressivo não impediu que o setor fechasse o período com um déficit de US$ 18,01 bilhões, 7,8% acima do saldo negativo registrado nos seis primeiros meses de 2021. De janeiro a julho, as importações cresceram 9,5% e totalizaram US$ 21,18 bilhões. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Segundo os dados da Associação, no primeiro semestre de 2022 verificou-se crescimento em todas as áreas do setor, sendo que a maior taxa ocorreu em Material Elétrico de Instalação (+64,6%). Nesse caso, o desempenho foi influenciado principalmente pela expansão de 311% nas vendas externas de fusíveis e pelo acréscimo de 50% nas exportações de disjuntores.

As exportações de Componentes Elétricos e Eletrônicos cresceram 11,8%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Esse resultado contou com aumentos nas exportações de componentes para automação industrial (+56%), componentes para material elétrico de instalação (+38%), motocompressores herméticos (+22%), eletrônica embarcada (+21%) e componentes passivos (+6%). Vale destacar que todos esses itens estão entre os dez produtos mais exportados do setor. 

Também apresentaram crescimento as exportações de Equipamentos Industriais (+48,3%), Informática (+42,6%), Telecomunicações (+37,5%), Automação Industrial (+22,0%), GTD (+6,5%) e Utilidades Domésticas (+4,0%).

Analisando regiões, os países da Aladi continuam sendo o principal destino das exportações, totalizando US$ 1,6 bilhão.

Ao comparar o primeiro semestre de 2022 com o mesmo período do ano anterior, a participação dos países da Aladi aumentou de 47% para 49%, enquanto a participação dos Estados Unidos nas exportações diminuiu de 24% para 20%.

Destacou-se também o aumento de 43,7% nas vendas para os países da União Européia, que representaram 12% das exportações totais do setor.

Importações

As importações de produtos elétricos e eletrônicos atingiram US$ 21,2 bilhões no primeiro semestre de 2022, resultado 9,5% acima do verificado no igual período de 2021 (US$ 19,3 bilhões).

A maior taxa de crescimento ocorreu em GTD (+89,5%), influenciada principalmente pelo aumento nas compras externas de módulos fotovoltaícos (+141%), que atingiram US$ 2,5 bilhões. Vale ressaltar que os módulos fotovoltaicos ocupam a segunda posição no ranking de produtos mais importados do setor, ficando depois somente dos semicondutores (US$ 3,4 bilhões).

Destaca-se que o montante importado de módulos fotovoltaicos no primeiro semestre deste ano superou o total importado durante todo o ano de 2021 (US$ 2,3 bilhões).

As importações de semicondutores (+26%) contribuíram com o incremento de 2,2% nas compras externas da área de Componentes Elétricos e Eletrônicos, que totalizaram US$ 10,5 bilhões.

Além disso, as importações de Componentes também contaram com aumentos nas compras externas de componentes para telecomunicações (US$ 1,4 bilhão), componentes para informática (US$ 1,2 bilhão), eletrônica embarcada (US$ 1,2 bilhão) e componentes para equipamentos industriais (US$ 739 milhões).

Observou-se, ainda, crescimento nas importações de bens de Informática (+20,5%), Equipamentos Industriais (+9,4%), Material Elétrico de Instalação (+3,1%) e Automação Industrial (+2,5%).

Por outro lado, as áreas de Utilidades Domésticas (-17,3%) e Telecomunicações (-3,6%) apresentaram retração nas importações.

No primeiro caso, verificou-se diminuição nas compras externas de diversos produtos, tais como: aspiradores de pó (-56%), fornos (-52%), panelas eletrotérmicas (-29%), entre outros.

Enquanto em Telecomunicações, a redução ocorreu principalmente em função da diminuição de 57% nas importações de roteadores digitais.

As principais origens das importações continuam sendo os países asiáticos (exceto Oriente Médio), que somaram US$ 15,8 bilhões, representando 74% do total, sendo que somente a China participou com 50% e os demais países desta região com 24%.

As importações de bens destes países cresceram 12,2% em relação ao resultado obtido no primeiro semestre de 2021, com incremento de 11,4% nas compras da China e de 13,9% nas compras dos demais países desse bloco.

Verificou-se também que, enquanto a participação dos países asiáticos aumentou de 72% no primeiro semestre de 2021 para 74% no primeiro semestre 2022, a participação da União Européia nas importações diminuiu de 13% para 11% no mesmo período.

Saldo Comercial

No 1º semestre de 2022, o déficit da balança comercial dos produtos elétricos e eletrônicos somou US$ 18,01 bilhões, 7,8% acima do apontado no mesmo período de 2021 (US$ 16,71 bilhões).

Esse resultado decorreu do aumento de 20,3% nas exportações, que somaram US$ 3,16 bilhões, e do incremento de 9,5% nas importações, que totalizaram US$ 21,18 bilhões.

A maior parte do déficit ocorreu em função dos negócios com os países da Ásia (US$ 15,5 bilhões), sendo que, somente com a China, o saldo negativo atingiu US$ 10,5 bilhões.

Os países da Aladi foram os únicos a apresentar superávit na balança comercial de produtos do setor, totalizando US$ 679,3 milhões. Porém, apesar de positivo, este resultado não foi suficiente para compensar os déficits significativos registrados com as demais regiões.

(*)  Com informações da Abinee

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