Gargalos no transporte marítimo

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Augusto Fernandes (*)

O retorno das atividades comerciais após meses de paralisação devido à pandemia da Covid-19 veio mais forte do que o traslado de mercadorias por contêineres e navios estava preparado para suprir, elevando o preço dos fretes e aumentando os prazos para a exportação e importação de produtos.

Por trás do aumento espetacular do valor do frete marítimo está a chamada “crise dos contêineres”, uma incomum escassez de espaço disponível para o transporte de produtos. A falta de contêineres é motivada, principalmente, pela alta demanda nos grandes portos exportadores, como Ásia, Estados Unidos e a Europa, que atraem os armadores por serem mais rentáveis comparado a outros países.

Em julho, uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apontou que entre 128 empresas e associações industriais, mais de 70% relataram sofrer com a falta de contêineres ou navios e mais da metade passou por cancelamento ou suspensão de viagens programadas.

Somam-se à falta de contêineres, os congestionamentos nos maiores portos internacionais e os fechamentos temporários de alguns terminais marítimos devido a medidas rígidas de controle da pandemia. Em meados de agosto, cerca de 350 embarcações porta-contêineres estavam paradas em portos ao redor do mundo aguardando embarque ou desembarque.

Grande parte dessa situação é uma ressaca do ano passado. Quando as empresas reduziram suas compras em meio aos lockdowns, muitas empresas de transporte rodoviário também reduziram suas operações. Entretanto, quando a demanda reapareceu, o sistema de transporte não estava preparado.

A injeção de recursos na economia global por pacotes de auxílio emergencial e mudanças nos hábitos de consumo impulsionaram o crescimento da demanda. Com a aproximação de importantes datas do varejo, como a Black Friday e as tradicionais compras de Natal, importadores de todos os tipos de produtos, antecipam seus pedidos para evitar frustrações.

Especialistas concordam que os problemas logísticos para o transporte de produtos continuarão até grande parte de 2022. Um dos maiores desafios é ter que tomar decisões de negócios sem saber o que acontecerá com a Variante Delta e como isso afetará as taxas de frete marítimo.

(*) Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios Internacionais

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