Gases de efeito estufa: China inaugura em Shanghai o maior mercado de comércio de carbono do mundo

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Beijing – O mercado nacional de carbono da China iniciou a comercialização na sexta-feira (16), um passo significativo para ajudar o país a reduzir o rastro de carbono e cumprir as metas de emissão, anunciou o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente. O vice-premiê chinês, Han Zheng, participou da cerimônia de lançamento em Beijing e anunciou o início oficial da negociação.

A negociação começou às 09h30 na Bolsa do Meio Ambiente e Energia de Shanghai, com o preço de abertura das cotas de carbono em 48 yuans (US$ 7,4) por tonelada. A primeira transação foi precificada em 52,78 yuans por tonelada, com um valor total de 7,9 milhões de yuans.

O primeiro pregão terminou com volume total de negociação de 4,1 milhões de toneladas e um valor de negócios de 210,23 milhões de yuans. Os preços das transações tiveram uma média de 51,23 yuans por tonelada.

Estima-se que as emissões de carbono por mais de 2 mil empresas de energia envolvidas no primeiro grupo de comércio excedam 4 bilhões de toneladas por ano, tornando o mercado o maior do mundo em termos de quantidade de emissões de gases de efeito estufa cobertas.

O esquema envolve inicialmente as empresas do setor de energia. Emissores de carbono de outros setores, como aço, fabricação de papel e aviação serão adicionados gradualmente.

O comércio de carbono é o processo de compra e venda de licenças para emitir dióxido de carbono ou outros gases de efeito estufa.

As empresas recebem cotas para emissões de carbono e podem vender as cotas excedentes de emissões àquelas que superem suas cotas de poluição.

Comentando sobre o mercado de carbono, Zhao Yingmin, vice-ministro da Ecologia e Meio Ambiente, disse que o mercado estimula os grandes emissores a descarbonizar a estrutura industrial e o consumo de energia, e os ajudará a se tornarem líderes em atingir o pico das emissões de dióxido de carbono.

O mercado também fornece um incentivo de preços para as empresas relacionadas para atualizar tecnologias de baixo carbono e embarcar em transformação verde, disse Zhao.

Para manter o desenvolvimento saudável e estável do mercado nacional de carbono, as instituições de negociação estabeleceram uma série de sistemas, incluindo limites de flutuação de preços, limites máximos de carteira, relatórios de grandes contas, avisos de risco e reservas e monitoramento de comércio anormal.

É necessário fortalecer ainda mais o design de alto nível, refinar o roteiro, inserir mais indústrias e entidades de negociação no mercado e enriquecer as variedades de negociação para ajudar o mercado de carbono a desempenhar um papel melhor no controle das emissões de gases de efeito estufa, disse Liu Jie, gerente-geral da Bolsa do Meio Ambiente e Energia de Shanghai.

O mercado nacional de comércio de carbono da China foi lançado em 2017 após operações-piloto em sete regiões de nível provincial em 2011. Por trás de seu lançamento está o objetivo de explorar mecanismos baseados no mercado para controlar as emissões de gases de efeito estufa.

A pasta divulgará regulamentos de negociação e melhorará padrões e esquemas de gestão relevantes, expandindo as variedades e métodos de negociação.

Como a autenticidade e a exatidão dos dados são as bases de negociação, a pasta trabalhará para garantir a qualidade e a transparência dos dados de emissão.

Li Zhiqing, pesquisador da Universidade Fudan, disse que pode não haver flutuações abruptas de preços no mercado emergente. No entanto, à luz do menor volume de negociação de carbono e dos preços de mercado em comparação com o nível internacional, é provável que os preços do carbono subam a médio e longo prazo.

Analistas do setor, por sua vez, pediram esforços para evitar comportamentos especulativos e uma financeirização excessiva do mercado de negociação. O objetivo fundamental deste esquema é ajudar a reduzir as emissões.

O início do comércio no mercado nacional de carbono veio como o mais recente esforço da China para realizar suas metas de atingir o pico de emissões de dióxido de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060.

Buscando um caminho de crescimento verde, a China tem trabalhado em todas as frentes para transformar sua estrutura energética centrada no carvão e construir um sistema de fornecimento de energia limpo e diversificado.

Dados oficiais mostram que, o país ocupa o primeiro lugar mundial em capacidade recém-instalada de energia eólica, e também é líder global na produção e uso de energia solar e hidrelétrica.

Até o final de 2020, mais de 40% da capacidade instalada de geração de energia da China vinha de recursos renováveis, suportando quase um terço do consumo de eletricidade do país, de acordo com dados da Administração Nacional de Energia.

Como resultado, 15,9% do consumo primário de energia da China vem de energia não fóssil, superando a meta de 15% estabelecida para 2020.

(*) Com informações da Agência Xnhua

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