Governo acelera negociação de acordos comerciais com México e União Europeia

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Governo acelera negociação de acordos comerciais com México e União EuropeiaSão Paulo – O governo brasileiro vai esperar as eleições regionais do México, em julho, para dar continuidade às negociações do acordo de livre comércio entre os dois países. O texto que está em jogo prevê uma zona de livre comércio em dez anos após a assinatura do acordo, tratamento especial para produtos sensíveis, além de um capítulo especial que aqueça os investimentos recíprocos e o comprometimento de compras governamentais.

De acordo com o Itamaraty, o governo mexicano está mais disposto a negociar e a aceitar a íntegra do texto, após ver sua economia despencar por conta da crise financeira internacional. Por outro lado, segundo o Itamaraty, ainda há resistência de alguns setores privados em concluir as conversas, como os setores de confecções e de maquinários.

“Precisamos dar um tempo ao governo mexicano para que este cenário seja revertido”, disse o negociador do Itamaraty, Paulo França, nesta terça-feira (8), durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. “Acredito que a partir de agosto as negociações serão diferentes […] Daremos um salto qualitativo e avançaremos cada vez mais. Hoje há vontade política por parte dos mexicanos”, completou.

Parcerias

Atualmente, o Brasil mantém com o México três acordos de Complementação Econômica (ACE). O ACE 53 oferece isenção tarifária para cerca de 800 produtos; o ACE 54 possibilita o Brasil de negociar separadamente do Mercosul e o ACE 55 que flexibiliza as trocas comercias para o setor automotivo.

Por ter os Estados Unidos como principal parceiro comercial – cerca de 85% das exportações mexicanas são direcionadas à economia norte-americana –, o México viu suas contas chegarem no vermelho. Com a crise, os Estados Unidos fecharam a torneira e o México sentiu a necessidade de abrir seu mercado.

“O México é um prestador de serviço dos Estados Unidos […] Antes, eles [mexicanos] se vangloriavam em ter os norte-americanos como vizinhos, hoje eles se penitenciam”, afirmou o presidente da Fiesp em exercício, Benjamin Steinbruch.

Mercosul-União Europeia

Se por um lado as negociações com o México caminham para um desfecho positivo, as conversas com a União Europeia ainda cultivam algumas arestas, apesar de os europeus sinalizarem que precisam desenhar alguma parceria com o Brasil e, por consequência, com o Mercosul.

Para o chefe do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, Evandro Didonet, as negociações entre os dois blocos representam “uma equação difícil de ser solucionada”.

O negociador brasileiro adiantou que no final deste mês, durante a reunião de cúpula do Mercosul, em Buenos Aires, os países do bloco discutirão os pontos da negociação e a definição de calendário. E informou que o texto negociado será basicamente o mesmo de 2004, quando se iniciaram as conversas entre Mercosul e União Europeia.

De acordo com Didonet, há uma enorme vontade política do governo brasileiro em concluir o acordo até o final do ano. No entanto, em sua avaliação, este ano será apenas para “lançar as bases” das negociações e, possivelmente, concluí-las em 2011.

Os entraves da negociação estão nas resistências de alguns países do bloco europeu, especialmente a França, que defendem suas áreas agrícolas e temem pela entrada de produtos de terceiros mercados. Paris já anunciou que não abrirá seu setor agrícola nos termos exigidos pelo Mercosul e que possíveis aberturas deverão ser tratadas nos moldes propostos durante a Rodada Doha.

“Com o quase fim das conversas de Doha aliado à exposição brasileira no exterior, o interesse da União Europeia volta a emergir com bastante força. É provável que aconteçam concessões mais significativas”, explicou Didonet. “Hoje estamos mais fortes para entrar na negociação. Os europeus precisam mais do Brasil, quando comparado ao início das negociações”, completou.

Fonte: Agência Indusnet Fiesp

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