Governo Bolsonaro sofre seu mais duro revés: EUA negam apoio à entrada do Brasil na OCDE



Última atualização: 10 de Outubro de 2019 - 19:47
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Da Redação (*)

Brasília  —  O governo do presidente Jair Bolsonaro sofreu nesta quinta-feira (10) sua maior derrota no front internacional com o anúncio feito em Washington pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, informando que os Estados Unidos  se recusaram a apoiar a pretensão do Brasil de ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em contrapartida, Pompeo expressou o apoio americano à entrada da Argentina e Romênia na instituição.

Na carta enviada  em 28 de agosto ao secretário-geral da OCDE,  e divulgada hoje na capital americana, Mike Pompeo rejeitou um pedido para discutir mais ampliações do clube dos países mais ricos, sublinhando que ao invés de apoiar uma OCDE ampliada, o que asseguraria o ingresso do Brasil, os EUA se limitariam a apoiar apenas as candidaturas argentina e romena.

No documento, o secretário de Estado afirmou que  “Os EUA continuam a preferir a ampliação a um ritmo contido que leve em conta a necessidade de pressionar por planos de governança e sucessão”.

A posição expressa hoje por Mike Pompeo se opõe frontalmente àquela anunciada anteriormente pelo governo americano a respeito do assunto. Em março, o presidente Donald Trump afirmou, em entrvista coletiva conjunta com o presidente Jair Bolsonaro, na Casa Branca, que apoiava à adesão do Brasil ao grupo integrado por 36 membros, conhecido como “o clube dos países ricos”, posição reiterada em maio pelo governo americano.  Em julho, em visita à cidade de São Paulo, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, voltou a hipotecar o apoio de Washington  à entrada do Brasil na OCDE.

Em princípio, o governo americano apoia a ampliação comedida da OCDE e um eventual convite ao Brasil, mas dedicam-se primeiro ao ingresso de Argentina e Romênia, tendo em vista os esforços de reforma econômica e o compromisso com o livre mercado desses países, segundo fonte do governo americano em Washington.

(AP Photo/LM Otero)

O apoio dos EUA à entrada brasileira na OCDE no início deste ano foi considerado pelo presidente Jair Bolsonaro como um dos primeiros e mais importantes benefícios obtidos pelo Brasil com a política de alinhamento automático  com os Estados Unidos, lançada pelo mandatário brasileiro.  A entrada no grupo é considerada uma das principais apostas da política externa do Brasil.

Em Brasília, tanto o Ministério da Economia quanto o Itamaraty se recusaram a comentar o assunto. Entretanto, nos bastidores, fontes desses órgãos não deixaram de externar surpresa e uma profunda decepção com o anúncio feito na  capital americana por Mike Pompeo.

(*) Com informações de agências de notícias

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