Guerra na Ucrânia e Covid-19 na China levam OMC a reduzir projeção sobre o comércio mundial de bens até 2023

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Brasília – A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou de 4,7% anteriores para 3,0% a previsão sobre o crescimento do volume de comércio mundial de mercadorias em 2023 e para 3,4% em 2022, destacando que esses números podem estar sujeitos a uma revisão posterior devido às incertezas sobre o curso da guerra na Ucrânia e e também às medidas de confinamento adotadas pela China no combate à  propagação da Covid-19 no país. De acordo com informações divulgadas hoje (12) em Genebra, a OMC, o volume de comércio de mercadorias cresceu 9,8% em 2021. O valor em dólares  desse comércio cresceu 26%, para US$ 22,4 trilhões. O valor do comércio de serviços comerciais também aumentou 15% em 2021, para US$ 5,7 trilhões. A exemplo do que acontece com o comércio de bens, o intercâmbio de serviços também será afetado pelo conflito na Ucrânia, inclusive no setor de transporte, que abrange o transporte de contêineres e o transporte aéreo de passageiros, projetou a OMC.

Na visão da OMC, o impacto econômico mais imediato da crise provocada pela invasão da Ucrânia  foi um forte aumento nos preços das commodities. Apesar de suas pequenas participações no comércio e na produção mundial, a Rússia e a Ucrânia são os principais fornecedores de bens essenciais, incluindo alimentos, energia e fertilizantes, cujos suprimentos estão agora ameaçados pela guerra. Os embarques de grãos através dos portos do Mar Negro já foram interrompidos, com consequências potencialmente terríveis para a segurança alimentar em países pobres.

A OMC destaca que a guerra não é o único fator que pesa sobre o comércio mundial no momento. Os bloqueios na China para impedir a propagação do COVID-19 estão novamente interrompendo o comércio marítimo em um momento em que as pressões da cadeia de suprimentos pareciam estar diminuindo. Isso poderia levar a uma nova escassez de insumos industriais e inflação mais alta.

“A guerra na Ucrânia criou imenso sofrimento humano, mas também prejudicou a economia global em um momento crítico. Seu impacto será sentido em todo o mundo, particularmente em países de baixa renda, onde os alimentos representam uma grande fração dos gastos das famílias. “, disse a Diretora-geral  da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala.

 “A oferta menor e os preços mais altos dos alimentos significam que os pobres do mundo podem ser forçados a ficar sem. Isso não deve acontecer. Este não é o momento de se voltar para dentro. Em uma crise, é necessário mais comércio para garantir estabilidade e equidade. Restringir o comércio ameaçará o bem-estar das famílias e empresas e tornará mais difícil a tarefa de construir uma recuperação econômica durável do COVID-19”, afirmou Okojo-Iweala.

A principal executiva da OMC afirmou ainda que governos e organizações multilaterais devem trabalhar juntos para facilitar o comércio em um momento de fortes pressões inflacionárias sobre suprimentos essenciais e pressões crescentes sobre as cadeias de suprimentos.“A história nos ensina que dividir a economia mundial em blocos rivais e virar as costas para os países mais pobres não leva à prosperidade nem à paz. A OMC pode desempenhar um papel fundamental ao fornecer um fórum onde os países podem discutir suas diferenças sem recorrer à força, e merece ser apoiado nessa missão”, disse ela.

(*) Com informações da OMC

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