Iceport, subsidiária da catarinense Portonave, tem serviço de logística voltado a cargas halal

0

São Paulo – O centro logístico voltado a cargas frigorificadas Iceport, da cidade catarinense de Navegantes, tem um serviço especializado em produtos halal e planeja crescer no segmento. A Iceport  é subsidiária do terminal de contêineres Portonave e oferece estrutura para operações de exportação e importação de produtos congelados. Ela montou um processo específico para as cargas halal, com certificação concedida pela Cdial Halal.

O gerente de operações da Iceport, Bruno Leonardo da Costa Vargas, conta que o halal responde por 10% das operações de exportações realizadas, mas que há espaço para crescimento. “Embora estejamos habilitados e temos todo o processo bem montado, estamos em constante melhoria para estarmos aptos para receber

mais produtos halal, visto que é um mercado em expansão”, disse Vargas à ANBA por e-mail.

A Iceport é conhecida como a câmara frigorífica da Portonave. Na prática, o trabalho da Iceport é receber cargas das empresas exportadoras e fazer a gestão delas até a chegada no navio no terminal da Portonave. As cargas ficam armazenadas em câmaras frigoríficas na Iceport pelo tempo necessário, depois são distribuídas em contêineres e então transportadas até as embarcações para o envio ao mercado internacional.

O serviço envolve verificações, armazenamento segundo especificidades, arranjo do mix de produtos nos contêineres de acordo com as demandas do exportador, emissão de documentos para o processo, entre outras atividades. Na importação é oferecido o mesmo serviço logístico, mas na via inversa, com o produto chegando via porto e sendo distribuído no mercado doméstico brasileiro. A Iceport oferece também o transporte rodoviário.

Para as cargas com selo halal, todo esse serviço é oferecido em um processo específico. Vargas conta que há uma gestão para os produtos halal que chegam das fábricas, com recebimento, armazenagem e expedição em docas específicas, inclusive com equipamentos que atendem os preceitos. A graxa usada nos equipamentos é halal, por exemplo. Há uma zona de armazenagem dedicada ao halal.

De acordo com o gerente de operações da Iceport, são ministrados treinamentos sobre as políticas halal instauradas no centro logístico com todos os funcionários, realizadas auditorias internas e adotadas boas práticas que possam garantir o fluxo e os processos demandados. O processo do halal é atualmente 100% voltado para a exportação.

Nos planos de expansão da Iceport no mercado halal está uma ampliação futura para atender maior volume de embarques de alimentos com o selo e entrar em outros mercados na área, como o de fármacos.A Portonave recentemente se associou à Câmara de Comércio Árabe Brasileira e patrocinou, com sua subsidiária Iceport, o fórum de negócios Global Halal Brazil, em uma clara demonstração do intuito de participar mais do comércio do Brasil com os países árabes e com os mercados importadores de produtos halal em geral. O fórum foi promovido em dezembro de forma híbrida e atraiu três mil pessoas.

“O Brasil tem um potencial enorme de se tornar o celeiro mundial de alimentos halal e a Iceport quer estar dentro desse conceito. A aproximação é fundamental para entendermos cada vez mais os detalhes, podermos contribuir e estarmos sempre aptos a operar”, afirma Vargas, sobre a participação na Câmara Árabe e no Global Halal Brazil. A Iceport pretende se tornar referência em armazenagem no mercado halal.

Vargas lembra que o mercado halal tem se expandido para além dos países árabes ou de maioria islâmica. Os produtos que levam o selo são produzidos segundo os preceitos do Islã, mas em função da saudabilidade e sustentabilidade gerada a partir dos processos adotados, vêm ganhando adeptos mundo afora, inclusive entre não muçulmanos. “Há muçulmanos na Ásia, na África, na Europa e em vários lugares do mundo, e há muitas pessoas que veem o no alimento halal uma forma de consumo consciente”, afirma o executivo.

Iceport

A Iceport movimenta cerca de 30 mil toneladas ao mês em cargas, com 60 caminhões fazendo carregamentos e descargas de produtos diariamente. Segundo Vargas, a maior parte da operação, 90%, é de exportações. Os produtos com os quais a empresa lida, na exportação, são carnes como as de aves e bovinos.

Já na importação os produtos são batatas fritas, anéis de cebola, produtos vegetais e veganos em geral. Os importados chegam principalmente da Europa, de países como Holanda e Bélgica. Os destinos das cargas exportadas são diversos, mas há grande volume voltado ao Extremo Oriente, como Japão, além de África do Sul, Chile e México.

A Iceport tem área de 50 mil metros quadrados e possui capacidade estática de armazenagem de 16 mil posições de pallets e uma antecâmara com 13 docas para recebimento e expedição de mercadorias. Há uma câmara frigorífica totalmente automatizada, com seis transelevadores. A estrutura tecnológica da Iceport inclui  estoque por sistema Warehouse Management System (WMS), identificação de pallet com códigos de barras, gestão dos processos por coletores de dados com leitor de código de barras, conferência de cargas de forma eletrônica com RFID, entre outras.

Portonave

A Portonave é um terminal privado de contêineres que escoa a produção das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, além de outros países da América do Sul, e também recebe cargas de todo o mundo. A Portonave também é conhecida como Porto de Navegantes e é uma grande companhia, com mais de 1,1 mil colaboradores diretos.

Neste mês, no dia 12 de dezembro, a Portonave superou um milhão de TEUs (contêiner de 20 pés) movimentados, entrando para o grupo de terminais brasileiros que batem essa marca anual. Nos nove primeiros meses de 2021, a Portonave registrou um dos maiores índices de crescimento entre os terminais do Brasil na movimentação de contêineres, com 37% de crescimento na comparação com o mesmo período do ano passado.

(*) Com informações da ANBA

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta