A importância do Acordo Mercosul-União Europeia segundo seis representantes da indústria



Última atualização: 29 de Setembro de 2017 - 08:18
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Brasília – O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tem grande impacto para a economia brasileira e para a indústria em particular, pois a UE é o principal investidor estrangeiro no país e o primeiro parceiro comercial em bens e serviços. Essa é a avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que tem respaldo de diversos setores industriais.

O setor produtivo brasileiro espera que os governos dos dois blocos – pelo lado do Brasil o Itamaraty e o Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços – concluam até dezembro deste ano um acordo que seja equilibrado e que permita ampliar o acesso ao mercado da União Europeia para produtos estratégicos da economia brasileira. Estudo da CNI mostra que o Brasil pode ampliar as exportações em 1.001 produtos. Deste total, 67,7% paga alguma tarifa.

Há também grande expectativa da indústria na redução de barreiras não-tarifárias ao comércio. Atualmente, a União Europeia é o parceiro comercial com o qual o Brasil mais tem contestações na Organização Mundial do Comércio, seja em barreiras técnicas ou em medidas sanitárias e fitossanitárias. Veja o que dizem importantes dirigentes de associais industriais:

Presidente da Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica (ABINEE), Humberto Barbato:
Em um momento em que temos quase 14 milhões de desempregados, qualquer tipo de acordo comercial, principalmente com um grande bloco econômico como a União Europeia, é muito importante”.

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A indústria elétrica e eletrônica instalada no Brasil é base de inovação e de tecnologia para a economia e contribui de forma significativa para inserção do país nas cadeias globais. O setor eletroeletrônico responde por 2,1% do PIB e é responsável por 234,8 mil empregos diretos.

O faturamento da indústria eletroeletrônica no ano passado atingiu R$ 129,4 bilhões, 9% inferior ao registrado em 2015, quando o setor faturou R$ 142,5 bilhões. A baixa atividade ocorreu pela desaceleração do segmento de bens de consumo, com a queda da renda da população, a alta e crescente taxa de desemprego e o elevado endividamento das famílias e dos bens de capital.

 

Presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM), Fernando Figueiredo:
“Inserir o Brasil no processo de abertura internacional e nas cadeias globais de valor é absolutamente imprescindível para a indústria brasileira. O setor industrial brasileiro só tem a ganhar com este acordo Mercosul-União Europeia”

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A indústria química desempenha relevante papel na economia como fornecedora de matérias-primas e produtos para todos os setores produtivos, da agricultura ao aeroespacial.

No Brasil, o setor químico é responsável por 10,4% do PIB Industrial, a terceira maior participação entre as indústrias de transformação. A indústria química brasileira encerrou 2016 com um faturamento líquido de US$ 113,5 bilhões.

Presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel:
“O acordo Mercosul-União Europeia é extremamente importante. Ele está sendo negociado há quase 20 anos. E a ABIT tem participado das negociações em todas as suas etapas. O Brasil ficou tempo demais apartado do mundo”

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O setor têxtil brasileiro é o segundo maior empregador da indústria de transformação, atrás apenas no setor de alimentos e bebidas e representa 5,7% do faturamento da indústria de transformação; possui o quarto maior parque produtivo de confecção do mundo; é o quinto maior produtor têxtil do mundo; o segundo maior produtor e terceiro maior consumidor de denim do mundo; e o quarto maior produtor de malhas do mundo.

Uma das exigências da ABIT para a negociação com a União Europeia é que o Mercosul não abra mão da regra de origem. Para Pimentel, a regra de origem no acordo deve ser a mesma usada nos Estados Unidos, com o produto originário do país beneficiário exportador.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra:
“Para um país como o nosso, que está isolado no comércio mundial, qualquer acordo é muito importante. Mas o acordo com a União Europeia é importantíssimo por serem 27 mercados que se abrem a um só tempo”

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As cadeias produtivas avícolas e suinícolas geram 1,7 milhão de empregos diretos – sendo mais de 400 mil deles apenas nas plantas frigoríficas – totalizando 4,1 milhões de postos de trabalho (entre diretos e indiretos).

Atualmente, a carne de frango brasileira é exportada para 150 mercados. E o Brasil se consolidou como o quarto maior produtor de carne suína do mundo, com 3,3 milhões de toneladas produzidas anualmente. Deste total, 600 mil toneladas são exportadas para 70 países.

Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (SINDIPEÇAS), Dan Ioschpe:
“O Sindipeças se posicionou a favor do acordo de livre comércio entre Mercosul e a União Europeia, dentro de determinadas condições que já foram passadas para o governo há bastante tempo”

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Segundo Dan Ioschpe, a inserção competitiva do Brasil ao mundo passa pela integração com grandes mercados. Ele diz que sem os acordos comerciais será muito difícil para os empresários brasileiros competirem em condições de igualdade em mercados mais significativos.

O acesso a outros mercados, diz Dan Ioschpe, é fundamental para a indústria se diversificar e conseguir sobreviver à volatilidade da economia interna. O executivo afirma que o acordo com a União Europeia é um marco na mudança de visão do Brasil.

Os embarques brasileiros de autopeças, para 179 mercados, totalizaram US$ 4,75 bilhões no acumulado de janeiro a agosto, com aumento de 9% sobre o registrado em igual período de 2016. As importações, vindas de 146 locais, subiram 9,7% e alcançaram o total de US$ 8,41 bilhões.

Com esses resultados, o déficit do país em autopeças aumentou 10,6% no período e chegou a US$ 3,67 bilhões, segundo informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços consolidadas pelo Sindipeças. A Argentina segue ocupando o primeiro lugar na lista de destinos de nossas exportações e agora a China, o topo no ranking de origem das importações, posição dos Estados Unidos nos últimos anos.

Presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina:
“O acordo Mercosul–União Europeia é extremamente importante para o país. Estamos falando de um mercado de 500 milhões de consumidores, com renda de US$ 32 mil. O Brasil não tem acordo com nenhum mercado desta magnitude”.

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Segundo Elizabeth Farina, o acordo precisa incluir quotas para açúcar e etanol. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) é a maior organização representativa do setor de açúcar e bioetanol do Brasil. Sua criação, em 1997, resultou da fusão de diversas organizações setoriais do estado de São Paulo, após a desregulamentação do setor no país.

A associação se expressa e atua em sintonia com os interesses dos produtores de açúcar, etanol e bioeletricidade tanto no Brasil como ao redor do mundo. As mais de 120 companhias associadas à UNICA são responsáveis por mais de 50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil.

 

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