Índia: um gigantesco mercado ainda a ser devidamente descoberto e explorado pelas empresas brasileiras

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Brasília – A Índia será a nova China para o mercado brasileiro no futuro. No longo prazo, o avanço da economia indiana tem potencial de transformar e impulsionar a globalização em magnitude similar ao processo de modernização da China. O Brasil tem tudo para ser um dos grandes beneficiários da nova conjuntura, mas ainda precisa descobrir as oportunidades que esse mercado oferece.

Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi(foto), se o Brasil quiser aproveitar plenamente o potencial que a Índia oferece em termos de comércio e investimentos, precisa avançar sobretudo na agenda de promoção de negócios e na eliminação de barreiras impostas pelos indianos às exportações brasileiras.

Monitoramento da CNI revela que a Índia impõe pelo menos três grandes barreiras aos produtos brasileiros. Elas atingem a carne de frango, a cana-de-açúcar e peles e couros produzidos no Brasil. No caso do frango, por exemplo, o país exige tarifas e licenças de importação para permitir a entrada do produto.

No da cana-de-açúcar, o governo indiano estabelece um preço mínimo para a sua remuneração, causando uma distorção no mercado mundial, e o Brasil já questionou na Organização Mundial do Comércio (OMC) para que a medida seja suspensa.

Brasil será a única economia com condições para suprir a demanda futura por alimentos na Índia

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro(foto), afirma que a densidade populacional da Índia é tão alta que os produtores não encontram espaço suficiente para ampliar a produção de alimentos. A seu ver, com o crescimento demográfico acelerado no país, o Brasil será a única economia com condições de suprir essa demanda no futuro.

“Estamos falando de uma economia que cresce em média 5% a 6% ao ano, e isso aumenta a demanda por alimentos. A Índia também deixará de ser um país fechado para ser totalmente aberto, o que nos abre uma grande janela de oportunidades”, afirma Castro.

Os números mostram que, hoje, a Índia já é o 11º principal parceiro comercial do Brasil. As nossas exportações para esse mercado são, sobretudo, de semimanufaturados e básicos. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, destaca ainda que o país asiático é, desde 2014, o principal destino dos embarques brasileiros de óleo de soja.

Apenas no ano passado, 38% das exportações brasileiras de óleo de soja foram para o país, totalizando 410 mil toneladas, mostram dados compilados pela CNI. O Paraná foi o maior exportador, com 41%, seguido do Rio Grande do Sul, com 20%.

“Brasil e Índia possuem grande potencial de cooperação em proteínas vegetais, óleos vegetais e biocombustíveis. O Brasil, por exemplo, possui grande potencial de produção, industrialização e tecnologia nessas áreas. Nesse sentido, há grande interesse diplomático na celebração de acordos de comércio exterior e de investimentos entre os países”, afirma Nassar.

Índia é mercado extremamente promissor para a indústria brasileira de defesa

A Índia representa um mercado promissor para o Brasil também na indústria de defesa. Maior fabricante brasileira de armas leves, a Taurus anunciou em janeiro uma joint venture com o grupo indiano Jindal para iniciar no país asiático a produção de armamentos, por meio do programa “Make in India”. A fábrica será inaugurada no início de 2021.

O presidente da companhia, Salésio Nuhs, afirma que é a primeira vez que a Taurus transferirá tecnologia para outra nação. “Nós descobrimos na Índia um mercado extremamente promissor. Não se trata apenas de fabricar e vender armas, mas sim de trabalhar num amplo projeto de transferência de tecnologia. Nós vamos produzir armas para o mercado civil e logo em seguida para equipar o exercido indiano”, diz Nuhs.

“Estamos falando ainda de um mercado civil com quase 1,4 bilhão de pessoas, num país em que parte da população está autorizada a ter armas”, destaca Nuhs.

Para o presidente da Taurus, a negociação de acordos bilaterais é fundamental para a ampliação do fluxo de comércio e investimentos com a Índia. Ele afirma que, hoje, a legislação nacional prejudica a produção e exportação de armas, tornando mais vantajoso fabricar nos Estados Unidos, por exemplo.

“Para se ter ideia, aqui, eu demoro de dois a três anos para homologar uma arma, o que faz com que ela saia do mercado com tecnologia já defasada. Nos Estados Unidos, esse processo leva apenas 20 dias”, compara.

Não por acaso, o presidente da Associação das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Roberto Gallo, diz que empresas brasileiras do setor têm buscado programas conjuntos estratégicos para construir plantas de produção em países como a Índia.

“Recentemente, o governo indiano aprovou um cronograma de lista negativa de importação em defesa. Ou seja, vão cada vez mais priorizar a produção local em detrimento de sistemas vindos do exterior”, diz.

“A busca de programas conjuntos estratégicos, com viés de produção e exportação a terceiros mercados, é a melhor via, mais sinergética, de ganharmos o mercado global em conjunto”, afirma.

(*) Com informações da CNI

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