Inteligência Artificial a serviço do planeta Agro

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Renato Hersz (*)

Em nenhum outro momento da história a velocidade e magnitude do avanço tecnológico foram tão acentuados quanto nas últimas década. Nos últimos quinze anos 52%, ou mais da metade, das empresas do índice Fortune 500 tiveram sua realidade de negócio impactada por novas tecnologias, e simplesmente deixaram de existir. Há dez anos, somente uma empresa de tecnologia, a Microsoft, figurava entre as dez maiores empresas do mundo em valor de mercado.

Hoje, sete das dez maiores empresas do planeta são empresas de tecnologia que têm como sua principal matéria prima dados e informação. Na ordem de tamanho temos Apple, Amazon, Alphabet/Google, Microsoft, Facebook, Alibaba e Tencent. A economia das ideias está de forma acelerada ganhando espaço na economia dos produtos.

A lei (ou profecia) de Moore, cujo enunciado afirma que a capacidade de processamento de um circuito integrado dobra a cada ano, se mostrou precisa e possibilitou que: (i) sensores se tornassem onipresentes dando vida à Internet das Coisas (ou IoT, Internet of Things, no inglês), e (ii) A capacidade de processamento, seja ela remota (na nuvem) ou local (edge), tornasse a Inteligência Artificial pervasiva.

Especialistas reconhecidos como McKinsey e Gartner estimam que cinco a seis bilhões de pessoas estarão ligadas por celulares ao redor do planeta e um trilhão de equipamentos estará conectado.

A Inteligência Artificial já tem impacto relevante nas verticais de mídia e comunicação (ex: Google, Facebook e Tencent), que corresponde a 1% do PIB global, e Consumo (ex: Amazon e Alibaba), que corresponde a 6% do PIB global. A Alexa, assistente virtual do Google, foi lançada em Novembro de 2014. Hoje, quatro anos e meio após o lançamento, existem em operação nos Estados Unidos mais de 52 milhões de alto-falantes inteligentes, ou uma penetração de mais de 15% dos lares americanos. Já vemos sinais claros de que os 93% restantes do PIB global estão sendo impactados pelo caminho sem volta da Inteligência Artificial aplicada ao domínio específico.

A revolução tecnológica está transformando todos os setores da economia, e a alimentação e a agricultura tem um papel de protagonismo nessa mudança. Em agronegócio está em curso uma revolução digital no campo, onde a Internet das Coisas (“IoT”) encontra a Inteligência Artificial e nos possibilita obter e processar dados de missão crítica em tempo real, entregando recomendações práticas (“Actionable Insights”) que proporcionam ao produtor rural a capacidade de fazer mais com menos. Fazer o bem é um bom negócio. A tecnologia não só aumenta a sustentabilidade como o lucro do produtor.

Todos os indícios apontam para a total autonomia da fazenda. O veículo autônomo parece um desafio mais próximo no ambiente agrícola do que no ambiente urbano. Hoje já direcionamos uma plantadeira de forma automática para um determinado local baseada na temperatura e umidade do solo, um pulverizador baseado na velocidade do vento, temperatura e umidade foliar, assim como otimizamos a logística da colheita através do despacho automático da frota de suporte. Os grandes fabricantes de máquinas e equipamentos, assim como seus fornecedores de peças, já aceitaram esta tendência e buscam alternativas para que o comando do processo seja integrado de forma automática na máquina.

Outra tendência importante é a da transparência. Como consumidores, temos direito de saber o que estamos comendo e o dever de saber o que estamos oferecendo a nossos filhos. A tecnologia nos permite essa rastreabilidade na cadeia alimentar.  Dentro em breve será possível que o consumidor escaneie o produto na gôndola do supermercado e saiba toda a trajetória daquele produto, da semente que foi utilizada até a sua mesa.

As soluções digitais em tempo real permitiram à Solinftec, nos últimos quatro anos, aumentar de 20% para 60% sua penetração no segmento de cana-de-açúcar, e chegar em 7% de penetração no segundo ano de atuação em grãos e fibra (Soja, Milho e Algodão) no Brasil.

Como base deste crescimento está uma forte cultura corporativa, onde apostamos em qualificar uma equipe jovem com brilho no olho e vontade de fazer acontecer. Contratamos pelo potencial e pela atitude, e não pelo conhecimento adquirido. Nosso time cresceu de 90 para 400 profissionais nos últimos dois anos, com uma altíssima taxa de retenção de talentos.

Outros marcos em nossa expansão foram a abertura de nossa base nos USA, que terá cerca de 50 profissionais até o final de 2019, e a parceria com a Universidade de Purdue em Indiana, USA, que nos permite acesso a tecnologia de ponta e talento internacional, que nos trarão, já em 2020, os resultados que estávamos planejando alcançar em 2021.

Os efeitos da revolução tecnológica estão presentes em todos os setores da economia e o intercâmbio de conhecimento leva as empresas, cada vez mais, a buscarem parcerias internacionais que deem suporte a seu crescimento. Iniciativa privada, governos e academia passam a atuar em conjunto.

Dentro deste espírito, a edição 2019 do US Summit, que ocorreu em Washington, D.C., de 10 a 12 de junho, reuniu empresas de diversos portes, de multinacionais a startups, provenientes de países de várias partes do globo, atraídas pela cultura da inovação nos Estados Unidos, em busca de recursos, pesquisa e mercado para se desenvolverem.

Eficiência é nosso valor agregado e ação é nossa palavra-chave. A participação no US Summit nos trouxe novos horizontes e oportunidades de negócio, em parceria com os governos dos estados americanos, academia e outras empresas do segmento.

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