Inteligência Artificial e Internet das Coisas darão agilidade e dinamismo ao comércio exterior brasileiro

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São Paulo – Tecnologias que pareciam saídas de filmes de ficção científica aos poucos vão entrando no dia a dia das pessoas sem chamar tanta atenção, mas trazendo benefícios claros. Se em alguns setores e atividades elas aparecem de forma mais evidente, em outros a mudança será aos poucos, mas suficiente para alterar as regras do jogo.

Por exemplo, o serviço de atendimento ao cliente de empresas com operação online cada vez mais é feito por robôs. A inteligência artificial avançou a tal ponto que é possível manter uma conversa e tirar dúvidas de clientes tendo, de um dos lados, uma máquina.

Se há uma dúvida sobre como funciona um jogo de caça níqueis ou então porque uma compra ainda não chegou ao destino que o comprador indicou, apenas informar essa situação para o robô ativará um mundo de informações. Claro que ainda não há perfeição, mas o avanço foi muito rápido.

E os setores mais ligados ao nosso interesse, como comércio exterior? O avanço dessas tecnologias também existe? A resposta é sim.

Um levantamento feito pela Thomson Reuters e Live University, com mais de 300 profissionais em posições de liderança e especialistas das principais organizações do país, indicou que, para 77% dos profissionais de Comex, a Inteligência Artificial é uma das principais apostas em inovação para o comércio exterior.

Inteligência artificial nos portos e aeroportos

Foi-se o tempo que carregar um container e um navio era trabalho braçal. Máquinas inteligentes, que tem suas próprias conexões à rede (daí o nome Internet das Coisas) e memórias para realizar tarefas repetitivas, podem ajudar em toda a operação, trazendo enorme eficiência.

O Big Data também pode ser de grande ajuda neste contexto. A ideia é pegar todos os dados que essas operações geram – e são milhões e milhões de gigas – para criar padrões e entender funcionamentos.

Um campo onde o big data é dominante é nas casas de apostas em futebol. Pode parecer específico, mas estamos falando de um meio muito dinâmico, onde informações são geradas a cada segundo – quando um jogo começa e as apostas seguem abertas, um chute pode mudar todos os números e probabilidades – e são máquinas que estão recalculando, aceitando apostas, mensurando hipóteses e entregando valor às empresas. Isso pode ser replicado em basicamente qualquer indústria.

Por exemplo, em um aeroporto, há informações sobre quantidade de voos, passageiros, consumo de alimentos, de combustível, necessidade de pessoal, exigência de passarelas, raio-x, papel higiênico no banheiro e a lista continua e continua.

Tudo isso entra em um pool de dados que com a ajuda de máquinas pode ser decifrado de forma mais eficiente que “anotações em um papel” e profissionais que precisam se desdobrar para fazer a operação andar. Dessa forma, se reduz a quantidade de problemas como atraso em voos, filas enormes, falta de insumos e outras dores de cabeça, afinal os gargalos podem ser antecipados e planejados.

O aeroporto de Guarulhos, por exemplo, usou a inteligência artificial para ajudar na detecção de passageiros com COVID-19, podendo rastrear melhor e garantir um menor número de contágios, algo de extrema importância nos dias de hoje.

Necessidade de melhorar nossa eficiência

Como tudo isso se aplica ao comércio exterior? Simples, a tecnologia pode melhorar nossa eficiência em todos os estágios dos processos. Não é preciso ser um especialista para apontar que gargalos na infraestrutura são um dos grandes problemas da nossa economia. Ter a informação de como eles se formam e como desatar nós, pode otimizar a operação e gerar mais vendas e produção. Afinal, vamos conseguir escoar melhor nossos produtos e evitar atrasos, por exemplo.

Com máquinas inteligentes é possível acelerar tarefas repetitivas ou que exigem uma grande quantidade de profissionais. A velha discussão sobre se as máquinas retiram empregos, na verdade precisa ser pensada de outra forma e o cenário de portos e aeroportos é ideal para visualizar a diferença.

Trabalhos repetitivos podem ser realizados por máquinas, mas trabalhos que envolvem criatividade, imaginação e a sensibilidade humana continuarão e serão cada vez mais valorizados.  Se o problema da falta de mão de obra especializada for tirado de questão, sobram atividades que exigem nossa capacidade de resolver desafios com recursos limitados.

No caso do aeroporto de Guarulhos que citamos, uma pessoa com um termômetro na mão não seria tão eficiente quanto as máquinas que usam IA e ela própria estaria exposta a contaminação. A solução encontrada com a tecnologia foi de imensa ajuda.

Claro que a tecnologia não será a solução de tudo, pois ainda precisaremos por exemplo de investimentos em estradas e maquinário, maior segurança jurídica e estabilidade econômica e diversos outros fatores que não podem simplesmente ser substituídos por robôs que irão solucionar problemas de décadas.

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