Internacionalização: Apex-Brasil apresenta possibilidades de comércio com países fronteiriços a empresários da região Norte

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Brasília – O Brasil faz fronteira com 10 das 12 nações do continente sul-americano, o que é vantajoso, sobretudo, em termos econômicos: a proximidade permite redução de custos em logística do comércio exterior. Para explorar o potencial transfronteiriço da Região Norte, que faz fronteira com sete países vizinhos, e apresentar as possibilidades de mercado, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) organizou nesta terça-feira (23) o Webinar Diálogos de Comércio Exterior – O Comércio Transfronteiriço da Região Norte. Os potenciais parceiros comerciais são os chamados países amazônicos: Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Apesar da proximidade geográfica, atualmente o fluxo de comércio de produtos originários do Norte representa apenas 2,2% do total de exportações brasileiras para os países amazônicos. Para melhor aproveitar as oportunidades é que o evento on-line foi realizado, além de capacitar os empresários brasileiros para a exportação.

“Buscamos sempre utilizar nosso trabalho nas mais diferentes vertentes para agregar valor às exportações brasileiras. Em relação ao Norte, temos nosso escritório focal da região, a implantação do Programa de Qualificação de Exportação (PEIEX) em todos os estados e um escritório em Bogotá, na Colômbia, com foco em comércio transfronteiriço e oportunidades da Amazônia”, destacou o presidente da Apex-Brasil, Augusto Pestana, em sua fala que abriu a programação do Webinar.

O objetivo foi motivar o setor produtivo da região a realizar estratégias de vendas para os vizinhos. “A exportação brasileira para os países amazônicos chegou a US$ 6,4 bilhões em 2020, com o principal modal marítimo. Ainda assim, as exportações da Região Norte chegaram a US$ 538 milhões, apenas 2,2% do total, sendo o modal rodoviário responsável por 75% delas. Os principais produtos do Norte exportados foram preparações alimentícias, óleo de soja e açúcar refinado”, explicou o gerente de Inteligência de Mercado da Apex-Brasil, Igor Celeste.

E embora seja pequena sua participação nas transações nacionais, o potencial transfronteiriço tem trazido excelentes resultados para empresas do Norte que o exploram.  A diretora da empresa arrozeira Itikawa, Izabel Itikawa, de Roraima, contou que há 5 anos começou a exportar e intensificou o comércio com os países vizinhos, principalmente com a Venezuela, por meio da capacitação do PEIEX.

“Exportar faz toda a diferença. E isso foi aprimorando com o PEIEX, em que contamos com um planejamento específico para nossa empresa, nossos desafios e objetivos. Agora, minha equipe consegue prospectar novos mercados, enxergar nossas necessidades com clareza”, disse.

Outro case de sucesso explorado foi o da Mariza Foods, do Pará. Através da estratégia de parcerias com empresas distribuidoras em outros países, hoje tem representantes de vendas na Guiana Francesa, Suriname e Caribe. Atualmente, 900 diferentes produtos são desenvolvidos pelo grupo e 15% deles são também exportados.

A Transportes Bertolini, por sua vez, foi fundada há mais de 40 anos no Rio Grande do Sul e atualmente é destaque no transporte hidroviário na região amazônica. Como contou o assessor da Presidência da empresa, Fábio Gobeth, além de atuação como estaleiro, ela tem hoje mais de 300 balsas atuando diariamente na bacia hidrográfica do Amazonas, além do projeto inovador de uma balsa indústria de açaí que percorrerá os rios amazônicos beneficiando  5.000 famílias de produtores ribeirinhos, que fará o processamento, congelamento e exportação deste “ouro negro” da Amazônia.

Além deste panorama técnico comercial, o evento multidisciplinar incluiu perspectivas sobre relações exteriores, com a apresentação da chefe do Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores, Maria Deize Camilo Jorge, do Chefe do Setor de Promoção Comercial (SECOM) da Embaixada do Brasil em Bogotá, Franklin Rodrigues Hoyer, e com os aspectos geoeconômicos levantados pelo professor da Universidade Federal do Amazonas, Thiago Oliveira.

Também tratou do potencial da Amazônia, com fala da superintendente do Desenvolvimento da Amazônia, Louise Caroline Campos, e do diretor-executivo da PanAmazônia, Belisário Arce.

Foram ainda levantadas as questões de vigilância sanitária e exigências aduaneiras, com as palestras do superintendente adjunto da Receita Federal, Marcus Aurélio Caldeira Antunes, e do chefe de Gestão Regional da Vigilância Agropecuária Internacional, Fábio Bessa.

(*) Com informações da Apex-Brasil

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