Internacionalizar é mais do que driblar a crise



Última atualização: 31 de Março de 2017 - 08:33
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Reinaldo TockusReinaldo Tockus (*)

As exportações do Paraná somaram US$15,171 bilhões entre janeiro e dezembro de 2016, segundo cálculos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O volume representa um crescimento de 1,8% na comparação com 2015. As importações encerraram o ano passado em US$ 11,093 bilhões. O resultado é um superávit de US$ 4,079 bilhões.

Sinal de que o mercado externo apresenta possibilidades ao setor produtivo, mesmo em um momento de crise. Internacionalizar pode ser uma maneira de tentar driblar a crise. E, mais do que apenas trabalhar para atender a uma necessidade momentânea, olhar para outros mercados é a possibilidade de tornar uma organização mais competitiva.

Segundo estudo da Fundação Dom Cabral, de 2015, as empresas brasileiras estão em todos os continentes, em 100 países, com 81% delas distribuídas na América do Sul, seguido por América do Norte, com 70% e Europa, com 36%. A pesquisa consultou 49 multinacionais brasileiras e 14 empresas que atuam no exterior via franquias. E revela crescimento no índice médio de internacionalização, de 22,9% em 2013 para 24,4% em 2014 – um aumento de quase 7% sobre 2013.

O levantamento mostra que a maior parte das empresas multinacionais analisadas, ou 59,6% delas, declarou que pretendia expandir, em 2015, atuação no exterior, em países nos quais já estão presentes, e apenas 4,3% planejavam grandes expansões. Por outro lado, 34% das companhias se preparavam para manter estáveis as operações naquele ano, e somente 2,1% delas sinalizavam com planos de redução das operações internacionais.

Ir a mercados internacionais atrás de oportunidades só traz benefícios a uma empresa. Se bem executado, um programa de exportação fará sua empresa expandir negócios aqui e lá fora. Os argumentos a favor são inúmeros.

O mercado externo exige que o produto obtenha níveis de excelência em qualidade, não só na concepção final dele, mas também nos processos de gestão de pessoas e práticas ambientais, atuar no comércio exterior torna a empresa mais competitiva também no mercado interno.

Ao internacionalizar uma empresa, o contato com novas tecnologias se torna natural. A exportação aumenta a competitividade de uma empresa, à medida que ela conhece ferramentas e processos empregados em novos mercados.

Destinar parte da produção para o exterior, enquanto outra permanece sendo negociada localmente, oferece a uma empresa a possibilidade de ampliação da base de clientes. O que faz com que corra menos riscos, já que diminui a dependência de um único mercado, que pode vir a se fragilizar em qualquer oscilação econômica — algo que nos soa familiar.

Diversificar mercados dá ainda à companhia a perspectiva de eliminar sazonalidades. Um exemplo: produtos que são consumidos de acordo com as estações do ano podem ser produzidos durante todo o período, já que deixam de depender das alterações do clima apenas no âmbito nacional.

O Centro Internacional de Negócios da Fiep trabalha para dar suporte às empresas nos processos de internacionalização por meio de encontros de negócios, consultorias, eventos e capacitações. Para exportar, não basta câmbio elevado e uma crise econômica interna que nos faça procurar alternativas em outros mercados; é preciso estar preparado para atender às demandas internacionais. Uma empresa que está pronta terá certamente horizontes mais positivos para traçar estratégias e projetar o futuro.

(*) Reinaldo Tockus é superintendente e gerente de Relações Internacionais e Negócio Exterior da Federação das Indústrias do Paraná

 

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