Liderança empática: nunca foi tão urgente

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Última atualização:

Alessandra Albino (*)

Quando comecei a escrever este artigo, o tema mais ‘quente’ que estava em pauta era ainda a enorme transformação digital que estamos todos vivendo. Deixei o texto de lado por um tempo e quando voltei, semanas depois, estávamos (e seguimos) envoltos pela pandemia do Covid-19. Voltei ao tema central sobre o que eu havia me proposto a escrever – liderança empática – e concluí: nada mais urgente que falarmos sobre empatia no mundo dos negócios.

Afinal, estamos isolados, todos, vivendo o trabalho dentro de nossas casas, administrando nossas famílias, lidando com insegurança e esse movimento – mais pulsante que a própria transformação digital vinha nos exigindo – faz emergir a urgência de uma mudança cultural – não apenas por conta de novos processos e rotinas, mas também na gestão de pessoas.

O líder do passado (em alguns casos não tão distante assim), autoritário e inflexível, não cabe nesse novo momento. O profissional que cada vez se faz mais necessário é o líder empático – modelo em que o líder é aquele que, de fato, se conecta com o outro, aquele que considera, pensa e age não só movido por aspectos profissionais, mas – sim – que compreende que há um outro ser humano – com necessidades, desejos, receios e aspirações – na relação. Baseado na empatia, compreensão verdadeira dos sentimentos e experiências dos outros, esse modelo contribui para construção de empresas (e de pessoas) melhores.

E como se tornar esse líder? Te garanto que não é uma tarefa simples, pois, para que possamos mudar o nosso jeito de gestão, primeiro precisamos olhar para dentro, nos desconstruir, enfrentar nossas próprias inseguranças. Afinal, é primeiro muito necessário ter autoconhecimento e ser líder de si. Ninguém lidera pelo exemplo sem muito trabalho consigo mesmo.

Recentemente participei de um curso criado dentro Google, o SIY (Search Inside Yourself – Busque dentro de você mesmo, em português), que, baseado em neurociência, utiliza técnicas de atenção plena (mindfullness) para aumentar a autoconsciência, a empatia, a comunicação e a resiliência. O objetivo do curso é ajudar as pessoas a criarem estados emocionais e mentais positivos – cada vez mais necessários no mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) em que vivemos. Uma melhor consciência emocional e uma mente calma e clara, contribuem para o desempenho profissional de todos – começando pelo líder e impactando toda a empresa.

Mas você deve estar se perguntando qual o impacto disso nos negócios, especialmente diante do que estamos vivendo. Posso te dizer que é enorme! Ser um líder inspirador e humano, aproximando-se dos colaboradores de forma genuína e sem preconceitos ou julgamentos, ajuda a criar uma relação de confiança entre os elos, contribuindo assim para a motivação dos profissionais e para a resiliência necessária em momentos críticos ou de incerteza.

Uma das coisas mais importantes para se tornar um líder empático, é praticar a escuta ativa e a atenção plena. Sei que na correria do dia a dia fazemos várias coisas ao mesmo tempo e com todas as equipes dispersas atualmente, nada disso é trivial. No entanto, em qualquer interação – com um colaborador ou cliente -, é fundamental estar presente (com a atenção voltada para o momento) e disposto a escutar verdadeiramente o outro. Mesmo que, por ora, estejamos precisando nos ver e nos conectar por videoconferência.

A escuta ativa é uma excelente ferramenta de empoderamento e inovação, pois ao saberem que são ouvidas, as pessoas se sentem mais confortáveis ao sugerir mudanças, apresentar novas ideias, conceitos e outras formas de realizar determinadas tarefas. Com todos nós tendo que nos reinventar em nosso dia a dia, isso é imprescindível.

Outro tema importante nesse modelo de gestão é a autocompaixão. Os níveis de pressão no ambiente corporativo estão cada vez mais altos e o excesso de informação tem contribuído para isso. Precisamos estar sempre up to date com tudo que circunda o nosso negócio, saber o que os concorrentes estão fazendo, ser um profissional de alta performance e – agora, soma-se a isso, viver com a incerteza da pandemia que nos assola.

Por isso, é importante praticar a generosidade – não apenas com os outros, mas também com você mesmo. E, deixar transparecer sua vulnerabilidade não é um problema. Muito pelo contrário, as pessoas sentem-se mais seguras sabendo que seus líderes também erram e que – nesse momento – estamos todos juntos na vulnerabilidade.

E, como cada vez mais lidera-se pelo exemplo, ao se desconstruir, você acaba contribuindo para o aprimoramento constante de todos os membros de sua equipe.

A prática dessas habilidades leva a alta performance e melhora significativamente a colaboração no ambiente de trabalho, tornando-o propício a lideranças horizontais – inerente a nova economia e resiliente em momentos como o que estamos passando. E, ao estimular o diálogo e a integração entre os colaboradores, o clima fica mais leve, contribuindo para o aumento da qualidade de vida das pessoas e redução dos níveis de estresse e ansiedade. Parece milagre, mas é ciência. Convido você a olhar para dentro, se desconstruir e tornar-se um líder empático também.

(*) Alessandra Albino é gerente de RH da PayU Brasil

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