Maracanã fecha para reforma e estará de cara nova para a Copa 2014

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Da Redação, com Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Estádio Jornalista Mário Filho, conhecido como Maracanã, fechou as portas quarta-feira (16), quando completou 60 anos, para uma reforma de dois anos que o modernizará para a sua segunda Copa do Mundo, em 2014.

O Maracanã, inaugurado na Copa de 1950, foi durante muitos anos o maior estádio de futebol do mundo, chegando a receber um público de 200 mil pessoas na partida final do Mundial de 1950, quando a seleção brasileira perdeu de 2 a 1 para o time uruguaio.

Com o passar dos anos, o Maracanã deixou de ser um estádio exclusivo para competições de futebol e se transformou numa arena multiuso, recebendo shows de artistas famosos, como de Frank Sinatra, Michael Jackson e Madona, e eventos religiosos. Por questão de segurança, o estádio também teve sua capacidade de público reduzida. Atualmente o limite é de 85 mil pessoas.

A obra de reforma do Maracanã para a Copa de 2014, orçada em R$ 600 milhões, tem sido contestada por representantes de torcidas organizadas e pelo pesquisador Christopher Gaffney, professor visitante da Universidade Federal Fluminense (UFF). Eles acreditam que o estádio será “elitizado” porque os preços dos ingressos devem subir e as torcidas organizadas terão atuação limitada.

A licitação para reforma do “Maraca”, como o carioca gosta de chamar o Maracanã, está marcada para o próximo dia 5 de julho, com a previsão de início das obras em agosto. A reforma do estádio prevê a construção de mais camarotes, passando de 88 para 110, a instalação de rampas, de escadas rolantes, de uma nova cobertura para proteger os torcedores da chuva e o aumento do espaço entre as cadeiras da arquibancada, que terão encostos.

Embora a reforma possa trazer mais conforto para o torcedor, o norte-americano Christopher Gaffney, que estuda os estádios no Brasil, destaca que as mudanças vão diminuir as vagas para os torcedores nos lugares mais baratos (arquibancadas) em detrimento do aumento de lugares mais caros.

“Com mais camarotes, o espaço de luxo vai crescer. O torcedor comum, entretanto, perderá espaço com as novas cadeiras, que diminuirão a capacidade das arquibancadas. Com a modernização, os custos de manutenção também tendem a se elevar e o torcedor terá que pagar mais caro. Isso é tornar um espaço público, de memória coletiva, em um espaço elitizado”, disse.

Gaffney também chama atenção para o fato de as torcidas ficarem limitadas com as mudanças nas instalações. “O Maracanã gerou uma cultura específica de torcidas. Mas depois da reforma, elas vão perder o espaço para as faixas nas arquibancadas – tomado pelos camarotes – e para as bandeiras, tomado pelas novas cadeiras que dificultarão a manobra dos mastros”, explicou.

O representante da Federação de Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro, Flávio Martins, afirmou que as mudanças fazem parte de uma tentativa de “moralizar” a cultura das torcidas brasileiras. Para ele, isso não é bom para o espetáculo do futebol “Isso empobrece. Essa questão das faixas, das bandeiras e até a proibição de instrumentos musicais diminui a festa, está em desacordo com nosso costume”.

A Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro, encarregada da licitação para a reforma do Maracanã, garante que as obras no estádio darão mais conforto ao torcedor, que ganhará mais espaço. “Essa é uma modernização natural. Um estádio que já recebeu 200 mil pessoas vai receber melhor agora, cerca de 70, 80 mil”, afirmou a superintendente Márcia Lins.

Ao descartar um aumento no preço dos ingressos, Lins informou que há quatro anos o estádio dá lucros. Com a obra, a expectativa é de reduzir ainda mais os custos de manutenção por meio de novas tecnologias, que favorecerão o aproveitamento de energia elétrica e de água. Sobre os problemas para as torcidas organizadas, Lins disse que desconhece qualquer tipo de limitação.

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