Marcos Pereira diz em São Paulo que política industrial deve ser de Estado e não de governo

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São Paulo – Ao participar da abertura do evento da Ford Motors, em SP, para lançar o primeiro motor 1.5 flex de 3 cilindros do mercado brasileiro, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, falou da importância da criação de uma política industrial de longo prazo para incentivar a recuperação de empregos no Brasil. “Sabemos da importância da indústria automotiva para o país, em especial neste momento de crise aguda”, declarou.

Segundo dados do setor, a indústria de automóveis no Brasil é responsável por mais de 1 milhão de empregos e por 22% do PIB industrial, além de envolver toda uma cadeia de fornecedores. “Eu entendo que a política industrial brasileira deve ser uma política de Estado, não de governo, para que não esteja sujeita às mudanças de gestão e possa trazer a previsibilidade necessária para o setor, garantindo assim investimentos e geração de empregos”, enfatizou Marcos Pereira.

O evento teve a participação do CEO da Ford Motors na América Latina, Lyle Watters, que parabenizou o ministro pelo lançamento da “Rota 2030, Mobilidade e Logística”. As discussões sobre a nova política industrial automotiva de longo prazo foram lançadas pelo ministro no dia 18 de abril deste ano, no MDIC, em Brasília. “Esta é mais uma demonstração do comprometimento do nosso governo com o desenvolvimento sustentável do país, com foco na modernização”, disse o ministro.

Marcos Pereira também lembrou que, embora o setor automotivo tenha sido fortemente afetado pela crise, as vendas externas bateram recordes de janeiro a março. “De acordo com a própria Anfavea, o número de veículos exportados pelo Brasil no primeiro trimestre foi o maior da história, o que tem ajudado no enfrentamento da crise”, lembrou. Sobre as ações do ministério para incentivar as vendas externas do setor, o ministro lembrou que, em abril, durante missão oficial à Argentina, assinou com a ministra da Indústria da Colômbia o acordo automotivo que permitirá triplicar as vendas de veículos para aquele país.

O novo motor da Ford é resultado direto do programa Inovar-Auto, a política industrial automotiva que termina em dezembro deste ano, e que estabeleceu metas de eficiência energética para veículos comercializados no Brasil. Ao habilitar-se ao programa, a Ford comprometeu-se a atingir níveis mínimos de eficiência energética em relação aos produtos comercializados no Brasil, além de realizar investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), engenharia, tecnologia industrial básica e capacitação de fornecedores, além de aderir ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, e executar etapas fabris e de infraestruturas diversas. De acordo com a Ford, este motor a combustão é o que tem a maior potência por litro do mercado, e combina várias estratégias para a redução do peso e atrito, além do aproveitamento máximo da energia do combustível.

“É importante comemorarmos tal avanço, reflexo de decisão de outrora, mas é fundamental olhar para o horizonte e discutirmos o próximo ciclo da política automotiva, que terá início a partir de janeiro do ano que vem”, informou o ministro, citando as discussões da Rota 2030.

PSA Peugeot-Citroën

Marcos Pereira também visitou hoje, na zona sul de São Paulo, o Centro de Estilo PSA Peugeot-Citroën América Latina, responsável por desenvolver e conceber projetos para a região e para diversas localidades do mundo.

Antes de conhecer as instalações do centro, onde são criados projetos envolvendo o estágio de maquetes e protótipos para as fases de desenvolvimento e para os testes de mercado da região, ele falou aos diretores e funcionários da empresa sobre a Rota 2030.

“Queremos discutir a política automotiva que terá início em janeiro de 2018 de maneira mais longa. Não se pode fazer uma política automotiva de curto prazo. Estamos discutindo como vão ser os próximos 15 anos”.

Para encerrar, o ministro disse que a burocracia, além de dificuldades na interpretação das legislações trabalhista, fiscal, tributária, e a insegurança jurídica, retiram a competitividade das empresas brasileiras. “Estamos focados na melhoria do ambiente de negócios e na aprovação das reformas que têm produzido algum barulho, mas que serão reconhecidas no futuro como melhorias para o país”, disse o ministro. Em seguida, o vice-presidente da PSA de Comunicação e Relações Externas e Digital para a América Latina, Fabrício Biondoro, declarou apoio da empresa às reformas, o qual também foi informado pelo CEO da Peugeot-Citroen em reunião recente das montadoras com o presidente Michel Temer.

(*) Com informações do MDIC

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