Memórias de um fim de verão

0
98

Última atualização:

Michelle Fernandes (*)

Era março de 2020. Já finalzinho de verão e de expediente quando, de repente, todos estavam conectados e focados nos anúncios feitos pela OMS – Organização Mundial de Saúde. Era o anúncio de uma Pandemia.

Um vírus terrível tinha tomado o mundo em pouco tempo. A bolsa de valores despencava, apesar dos circuits breaks,  e o dólar disparava, batendo todos os recordes de alta. No dia seguinte, a rotina já era outra, as pessoas trabalhavam de casa, junto com as suas famílias. Comunicavam-se com o resto do mundo virtualmente, o mundo delas agora se resumia em suas casas. O isolamento era essencial para estancar o contágio.

As janelas se tornaram um palco, com música, solidariedade e protestos. As pessoas  externaram tudo, tudo mesmo. Isso incluiu coisas boas e ruins.

Máscaras, luvas e álcool. A guerra do consumo e da proteção fez parte desse recolhimento caseiro, aumentando a busca destes itens mundo afora. Nesse momento, o dólar já passava de R$5,10. A mão invisível de Adam Smith já não podia atuar mais, foi preciso a intervenção de John  Keynes. Na TV, o governo anunciava medidas para conter o vírus e tentar segurar a economia. Em meio ao caos, as pessoas começaram a praticar a solidariedade e a empatia, era necessário olhar para o próximo. Isso significava também a própria salvação.

Descobriram que a empatia era o grande segredo para erradicar a doença.

Neste momento ocorreu a “virada de chave”. As pessoas descobriram que, ao salvar o próximo, estavam salvando a si próprias. O umbigo do outro passou a ser tão importante quanto o nosso. Se não tivéssemos dado as mãos, talvez nem eu tivesse tido a oportunidade de guardar este episódio em minha memória. Foi duro o aprendizado, muitos se sacrificaram para que pudéssemos ver a fé vencer o medo.

E foi assim, a pandemia durou um tempo, mas as pessoas foram fazendo a sua parte e ajudando a conter o vírus com solidariedade. E quanto a economia, todos saíram mais fortes depois de toda a tensão e de todo sofrimento, voltaram às suas atividades produzindo o dobro e se orgulhando de tudo que fizeram e de quem se tornaram.

(*) Michelle Fernandes é CEO da M2Trade e especialista m Comercio Exterior

 

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta