Minas Gerais e o futuro dos negócios em 2023

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Ray Souza (*)

A economia mineira deverá apresentar boas oportunidades de negócios em 2023, o que se conclui analisando informações de distintas áreas. O primeiro dado está relacionado ao volume de investimentos, que atingiu a marca de R$ 266,9 bilhões entre 2019 e outubro de 2022. Além disso, segundo a InvestMinas, Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior, somente entre janeiro e setembro, foram atraídos R$ 73,7 bilhões.

Outro dado é que a Secretaria do Tesouro Nacional aprovou, em outubro do ano passado, a captação, pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), de R$ 1 bilhão, a maior da história desta instituição. Os recursos, advindos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o “banco dos BRICs”, serão destinados à expansão de setores como o da energia fotovoltaica, saneamento básico e estímulo a investimentos privados.

Por sua vez, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informa que realizou investimentos acima de R$ 1 bilhão nos ativos de distribuição, geração, transmissão e comercialização de eletricidade, apenas no terceiro trimestre de 2022.

Nos nove primeiros meses de 2022, os aportes foram superiores a R$ 2,2 bilhões, superando os realizados em 2021. A estimativa total é de R$ 3 bilhões na área de concessão da companhia. As boas notícias também vêm do agronegócio, que deverá estabelecer novo recorde na produção de grãos na safra 2022/2023.

Serão 18,2 milhões de toneladas, significando aumento de 8,5% em relação à temporada anterior, conforme dados do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para o novo ano agrícola. O crescimento da área cultivada será de 2%, alcançando 4,1 milhões de hectares, e a produtividade será 6,4% superior, estimada em 4.394 quilos por hectare.

Em outra frente, estão em recuperação, no Estado, 2,5 mil quilômetros de rodovias e há previsão de melhorias em 10 mil, segundo meta do governo mineiro. Ainda no setor de infraestrutura e construção, estão previstas obras do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte e a reforma de duas mil escolas, com recursos já assegurados no orçamento, conforme informação do governo estadual.

O significativo investimento na área de transportes também consta em protocolo de intenções que prevê aporte de R$ 16,8 bilhões na construção de três ferrovias que cortam o território mineiro. O complexo ferroviário deverá se tornar um dos mais importantes ramais logísticos do País para importação e exportação e gerar dois mil empregos diretos.

Ainda na área da construção, com repercussão positiva na saúde, hospitais regionais que estavam paralisados desde 2016 entrarão em operação. Algumas obras já foram reiniciadas e as demais deverão ser retomadas em breve. São seis estabelecimentos, nas seguintes cidades: Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis, Sete Lagoas, Conselheiro Lafaiete e Juiz de Fora.

Obviamente, a performance da economia estadual sofrerá impactos dos cenários nacional e internacional, com eventual possibilidade de baixo crescimento em ambos. Contudo, os dados apresentados evidenciam que há boas perspectivas para a economia estadual, cujo desempenho está muito atrelado com equilíbrio das contas públicas, atração de investimentos e redução do déficit orçamentário. Como se nota nos exemplos citados, o ambiente de negócios de Minas Gerais sinaliza boas perspectivas para 2023.

(*) Ray Souza é sócio de Mercados da KPMG no Brasil e líder Regional em Minas Gerais.

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