Ministério da Economia deverá anunciar em breve forte redução na estimativa de superávit comercial recorde para 2022

0

Da Redação

Brasília – O Ministério da Economia deverá anunciar proximamente uma forte redução na estimativa de superávit para a balança comercial brasileira em 2022. A correção é motivada pelo crescimento das importações em um ritmo bastante superior ao incremento das exportações registradas desde o início de janeiro até a terceira semana do mês de junho. No período, as exportações subiram  18,8% pela média diária para US$ 151,26 bilhões, enquanto as importações cresceram a um ritmo mais acelerado de 28,4% e somaram US$ 119,06 bilhões.

Em abril, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) anunciou com exagerado otimismo  a projeção de que o saldo comercial saltaria de uma previsão inicial de US$ 79,4 bilhões para um superávit recorde histórico de US$ 111,6 bilhões. Essa alta expressiva se deveria à extraordinária valorização de commodities como soja, minério de ferro e petróleo (que em seu conjunto respondem por quase 80% das exportações totais brasileiras) decorrente da guerra na Ucrânia.

Ao anunciar o maior superávit da história do comercio exterior brasileiro,  o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, afirmou que “o conflito entre a Rússia e a Ucrânia levou a um aumento de preços e gera a expectativa de valor exportado maior”. Ele também chamou a atenção para o aumento na demanda por matérias-primas brasileiras, sublinhando que “há demanda crescente por produtos brasileiros a preços maiores, o que fará com que a receita de exportação cresça”, afirmou.

Pouco mais de dois meses após o Subsecretário Herlon Brandão divulgar essa previsão excessivamente otimista, é consenso entre os principais agentes do comércio exterior de que não existe a mínima possibilidade de a projeção se confirmar e que não demorara para que o Ministério reveja -e muito para baixo- sua estimativa para o saldo da balança comercial brasileira.

Há poucos dias, a própria Secex divulgou os dados do comércio exterior até a terceira semana de junho (ou seja, relativa a praticamente os seis primeiros meses do ano) e o saldo acumulado no período era de apenas US$ 32,19 bilhões, com exportações de US$ 151,26 bilhões e importações no montante de US$ 119,06 bilhões. A corrente de comércio (exportação+importação) somou US$ 270,32 bilhões. A projeção que agora será revista, apontava exportações totais de US$ 348,8 bilhões e importações da ordem de US$ 237,2 bilhões, totalizando um fluxo de comércio de US$ 586 bilhões.

Mais próximas da realidade que as estatísticas oficiais, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) trabalha com números bem mais modestos. Em breve a instituição deverá anunciar os números da revisão que tradicionalmente divulga todos os anos em meados de julho.

Enquanto entabula suas estatísticas, a AEB segue mantendo os  números da projeção feita em dezembro do ano passado. Naquela oportunidade, indicou que em 2022, as exportações deveriam se situar em torno de US$ 262,379 bilhões, enquanto as importações poderiam alcançar a cifra de US$ 227,855 bilhões. Com isso, o superávit comercial alcançaria US$ 34,524.

Com certeza, a AEB revisará esses números para cima, até mesmo porque em menos de seis meses o saldo da balança comercial já está em US$ 32,19 bilhões e certamente crescerá até o final do ano. A cifra original de pouco mais de US$ 34 bilhões será ultrapassada, com folga, mas igualmente com certeza estará muito aquém dos US$ 111,6 bilhões projetados em abril pela Secex.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta