Ministra visitará países árabes em setembro em busca de mercados para novos produtos do agronegócio



Última atualização: 14 de Agosto de 2019 - 18:04
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Brasília – A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, está se preparando para viajar a países árabes em setembro. A agenda ainda não está toda definida, mas há possibilidade de ela visitar Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Kuwait. Em entrevista exclusiva à ANBA, a ministra falou sobre as expectativas para a viagem. Cristina pretende verificar a possibilidade de introdução de novos produtos nos mercados árabes, como lácteos e frutas, e conversar com os sauditas sobre a exportação de carne de frango. No começo deste ano, algumas plantas brasileiras tiveram que deixar de vender frango halal para o país.

A ministra acredita que o Brasil tem nos países árabes um bom destino para gado em pé e defende que o mercado brasileiro também receba mais produtos de países árabes. O fluxo dos navios carregados na ida aos países árabes e na volta ao Brasil – neste último caso, com fertilizantes – pode ser uma alternativa para baratear os fretes. “Se a gente tiver essa mão de volta, com certeza teremos fretes mais baratos”, disse.

Cristina esteve recentemente com representantes dos Emirados Árabes Unidos e foram levantados vários temas na conversa, como a possibilidade de produzir feno no Brasil para fornecer ao país do Golfo e a compra de terras por estrangeiros.  A ministra afirmou que não é contra que estrangeiros tenham terras no Brasil, com limitações, mas ressaltou que essa é uma opinião pessoal. “O Brasil abrindo seus mercados, fazendo essa economia liberal, acho que isso faz parte”, afirmou Tereza Cristina.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

ANBA – Na sua visão de ministra da Agricultura, o que significam os países árabes para o agronegócio brasileiro?

Tereza Cristina – Nós temos uma relação de amizade com os países árabes, a colônia árabe no Brasil é muito grande, variada, de alguns países mais, de outros países menos, mas temos uma longa tradição e amizade com o mundo árabe. Depois, o Brasil agrícola, o mundo agrícola brasileiro, exporta há muitos anos para os países árabes, tanto é que nós temos aqui muitas empresas que têm a certificação halal. Nós fomos caminhando e nos aprimorando para poder exportar o produto como cada país árabe quer. Evoluímos muito, o último setor (a ter produto halal) foi o de aves. Nós não tínhamos abate halal (na avicultura) porque é mais complicado, mas várias empresas já desenvolveram o abate halal e outras estão aí tentando – porque tem uma fase de adaptação, de transição, que é cara. Pela importância das nossas exportações, principalmente de proteína animal, de frango, essas empresas desenvolveram o abate halal e hoje ele é uma coisa normal num frigorífico. Muitas vezes você chega numa cidadezinha pequena e tem lá o pessoal fazendo o abate halal para os países árabes.

Para o agronegócio em geral, os países árabes formam um mercado importante?

Com certeza, e eu acho que a gente pode avançar nesse mercado. Hoje exportamos açúcar, carne de frango, carne bovina, milho, açúcar refinado, soja em grão, café verde, fumo, bovinos vivos. A exportação de bovinos vivos é uma tendência que está aumentando, não era uma tradição do Brasil, começou, se não me engano, com o Líbano, lá pelo Pará, e hoje há outros países importando através de São Paulo. É um mercado que não existia há pouco tempo e hoje vem se firmando numa tendência crescente.

A senhora vê como positivo o Brasil exportar bovinos vivos?

Eu não acho que esse é o negócio do Brasil, acho que o negócio do Brasil é exportar carne de bovinos, cortes especiais. Nós temos que caminhar para a frente, exportar carne sem osso, cortes, carne gourmet, mas esse é um segmento, e ele faz o quê? Ele é uma alternativa para o produtor brasileiro, não para a indústria, mas para o produtor. Por quê? Quando você vende, normalmente são bezerros ou garrotes, você traz até um certo equilíbrio [ao mercado]. Mas não é um mercado que pode ser muito maior, hoje está em torno de 700 mil cabeças, tem gente que fala em um milhão de cabeças (a exportação anual de bovinos vivos). Eu acho que podemos crescer [na exportação de bovinos vivos], mas para isso temos que ter porto, nós temos que ter as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportação), que são onde esses animais ficam em quarentena para tomar as vacinas, para fazer a preparação sanitária para o embarque. Nós temos um problema hoje no Brasil e em outros países também com a questão do bem-estar animal. Há uma parte da sociedade que acha que o boi não deve ficar no navio tanto tempo. Mas eu acho que é um mercado que, pelo tamanho do rebanho brasileiro, tem que existir. A Austrália faz isso para a Ásia toda, ela é uma grande exportadora de gado em pé e eu acho que o Brasil tem aí um nicho nos países árabes.

Ministra, como foi até agora o seu contato com os países árabes? Eu sei que a senhora já esteve com embaixadores árabes. O que a senhora já fez, até o momento, relacionado aos países árabes e o que a senhora está planejando?

Eu, quando assumi aqui, recebi alguns embaixadores. Nós tivemos uma polêmica sobre as exportações. Eu me reuni com vários embaixadores, nós fizemos um jantar, lá na CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) a pedido do ministério [da Agricultura]. Eu pedi ao doutor João Martins [da Silva Junior, presidente da CNA] que nos ajudasse com isso. Fizemos um jantar que foi muito bom, pudemos conversar, o presidente [Jair Bolsonaro] acabou indo também ao jantar, foi muito bom. Agora estamos na segunda fase. Eu já gostaria de ter ido fazer uma visita a alguns países árabes, não fui porque teve o Ramadã em maio, e a gente sabe que no Ramadã é mais complicado, então eu deixei para fazer isso agora no segundo semestre. Devo ir em setembro. Eu vou visitar três ou quatro países, essa agenda não está fechada ainda, está em construção pela Secretaria de Relações Internacionais [do ministério]. O presidente também fará uma visita a alguns países. Eu devo fazer aos países que ele vai, não sei se todos. Eu tenho uma promessa de ir aos Emirados Árabes, à Arábia Saudita, ao Egito. (O Kuwait também deverá ser visitado, segundo a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura)

Qual é o critério para definir os países da visita? O tamanho dos mercados?

O tamanho dos mercados, alguns pedidos que temos desses países para outros produtos brasileiros. A gente está levando em consideração todo o relacionamento internacional, tanto de lá para cá, quanto daqui para lá. Há alguns pedidos de entrada de alguns produtos. A balança comercial agrícola com os países árabes é sempre positiva para o Brasil, mas há produtos que o Brasil importa desses países que dão mais equilíbrio. Temos recebido alguns pedidos para fazer certificados sanitários de azeite de oliva, azeitona, tâmaras, damasco. Há algumas coisas que lá, por ser deserto, é mais complicado produzir, mas há produtos que eles têm tradição e que a gente recebe. E há alguns produtos novos, como lácteos, que o Brasil tem interesse [de exportar]. Nós estamos preparando uma série de novos produtos para levar e começar a abrir uma discussão com esses países, o que é muito interessante para o Brasil. Nós tivemos a visita aqui na semana passada de um grupo dos Emirados Árabes (Conselho de Segurança Nacional dos Emirados e delegação) – e antes da Arábia Saudita -, onde nós discutimos investimentos dos fundos desses países no Brasil. Nós tivemos uma reunião com o presidente (Bolsonaro) na qual participei eu, o ministro Bento (Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, ministro de Minas e Energia), o ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura). Discutimos vários temas, vieram uma série de empresários do país. Na agricultura, eles mostraram interesse em plantar aqui uma série de coisas, até algo que me surpreendeu, feno, para alimentar os animais lá, fazer o feno aqui no Brasil e exportar para eles.

Como a senhora vê essa questão do investimento? Seria bom ter os árabes investindo no agronegócio brasileiro?

Acho muito positivo porque nós precisamos. O Brasil é uma potência agrícola, mas precisa de investimentos de mais longo prazo. É importante a gente ter parceiros de fora, isso facilita o comércio entre os países, as exportações para esses países, e acho que é muito salutar, muito saudável que recebamos aqui esses investimentos para melhorar as nossas estruturas, para trazer mais inovação, mais tecnologia. Eu acho muito salutar.

Para compra de terras por estrangeiros, o Brasil tem restrição, não?

Temos. Hoje é uma parcela muito pequena de terra que qualquer estrangeiro pode comprar. É uma das coisas que nos foi perguntada por essa missão (dos Emirados) na reunião da qual eu participei, mas depende do Congresso Nacional a gente poder vender terras para os estrangeiros.

A senhora tem vontade de mudar isso, vai trabalhar nessa pauta?

É uma pauta que não é pacificada no Congresso, mas eu acho que é uma pauta interessante. O Brasil abrindo seus mercados, fazendo essa economia liberal, acho que isso faz parte. Ninguém vai levar a terra nas costas. Agora, produzir aqui com mão de obra brasileira, nos moldes das empresas… A Volkswagen é alemã, é a Volkswagen do Brasil, a Volvo é sueca, enfim, nós temos aí uma série de empresas estrangeiras que vêm para o Brasil com capital, mas empregam aqui, constroem suas fábricas aqui. Então, eu acho que, com algumas limitações – nós temos terras de fronteira, nós temos a Amazônia – eu não sou contra não.

Limitação de percentual também (na propriedade da terra)?

Limitação de percentual também. Trazer esse capital, alocá-lo aqui e transformar aqui a nossa produção, agregar valor e poder exportar. Eu não vejo nenhum problema nisso, mas quero deixar claro que isso é uma opinião pessoal.

No começo do ano houve um clima não muito favorável na relação com os países árabes. Foram desabilitadas algumas plantas de frigoríficos que exportavam carne de frango halal para a Arábia Saudita. O ministério acompanha o andamento disso? Isso será revisto? Os sauditas vão aceitar o abate halal como as empresas brasileiras já fazem ou elas terão que se adaptar para serem novamente aceitas para exportar?

Isso não é bem assim. O que aconteceu foi que a Arábia Saudita já vinha avisando… O setor de aves brasileiro na Arábia Saudita é muito grande e muito forte. Eu não tenho aqui de cabeça, mas 70% praticamente do frango que a Arábia Saudita consome é frango brasileiro, e a Arábia Saudita vinha já numa conversa com as indústrias brasileiras que exportam, dizendo o seguinte: “Olha, nós vamos limitar a 400 mil toneladas”. O Brasil chegou a [exportar] quase 700 mil só de carne de aves para Arábia saudita. “Nós vamos limitar a 400 mil toneladas porque nós queremos tentar produzir um pouco aqui”, e não sei se comprar de outros países, mas não ficar só na mão do Brasil. Deve ter sido isso, e aí é a minha conclusão. Isso já vinha sendo conversado, não foi uma surpresa. Tanto é que você viu que o setor não gritou muito porque já era uma conversa que o país estava tendo com os nossos empresários, os nossos exportadores. Então, por isso houve algumas plantas que foram… Na verdade, eles não desabilitaram, eles diminuíram – quem desabilitou foi a Europa, mas aí foi outro problema, na Carne Fraca, na Operação Trapaça lá atrás, não foi com os países árabes -, então é natural… e eles (sauditas) ofereceram para os empresários brasileiros montarem fábricas na Arábia Saudita para poder produzir lá e fazer o frango halal. Foi uma explicação que me foi dada aqui, [que eles querem fazer] desde a criação do frango, produzir já no sistema halal, da produção ao abate.

Criar lá o frango?

Criar lá. Eu não sei se eles vão conseguir, não conheço a tecnologia. Espero ir bem breve lá conhecer, mas não sei qual o grau de dificuldade, quanto isso custa a mais ou não. Mas foi isso que me foi dito aqui por empresários, por importadores e por algumas autoridades sauditas.

Então vai ficar assim a lista de quem pode exportar ou não?

Isso “está” assim. O que nós podemos fazer é ver como está funcionando, se estão importando de outros países, e pedir para a gente voltar a aumentar um pouco. O mercado internacional funciona de uma maneira muito dinâmica, podemos amanhã voltar a 600 mil (toneladas), isso é tudo um problema de “‘timing”, de momento do país. Se eu for à Arábia Saudita, é um dos assuntos que eu vou conversar com o governo.

Ministra, o Mercosul agora tem um acordo com a União Europeia e há possibilidade de um acordo com Estados Unidos. Isso deve mexer de alguma forma no nosso papel como fornecedor dos outros países, inclusive dos países árabes? Temos condições de atender a todos? Ficará mais favorável exportar para UE e EUA.

Primeiro: é muito cedo. Com União Europeia nós temos acordo, mas ele leva um tempo para acontecer, dois anos para ser firmado, precisa passar pelos congressos de todos os países, tanto do Mercosul quanto da União Europeia, são 32 países, se não me engano, entre os nossos e os deles. Isso tem um tempo de acontecer. Depois tem o tempo de cada produto. Mas acho que isso (o acordo com a UE) foi muito bom para o Brasil, dá mais oportunidades para o Brasil, é um mercado muito qualificado que nós vamos poder acessar. O Brasil, nessa área de proteína animal e vegetal, tem como fornecer tanto para países árabes quanto para a Europa. Estados Unidos é mais difícil porque são nossos concorrentes diretos, em soja, milho, carnes, mas eu não vejo nenhum tipo de problema. O único problema é que o Brasil precisa se planejar. Acho que esses dois anos serão muito importantes para o Brasil se planejar com suas cadeias produtivas para saber que mercado e que consumidor ele quer atingir na Europa, e não só com o produto que nós temos hoje, mas talvez trabalhar melhor esses produtos, agregar valor a eles para poder mandar um produto mais acabado para esses países que são mais exigentes.

A senhora já falou um pouco disso: a nossa exportação para os países árabes é muito concentrada em minérios, carnes, açúcar. Isso a deixa satisfeita ou a senhora tem vontade de ampliar essa lista para outros produtos do agronegócio? Para quais produtos brasileiros a senhora vê chance de vendas no mercado árabe?

Eu acho que nós temos que abrir, que nós somos pouco ousados. Desses US$ 11 bilhões que o Brasil exporta [ao ano para países árabes], as exportações agrícolas são US$ 8 bilhões, mas são dez produtos, pouca coisa para nosso universo de produção. São commodities, a gente precisa agora agregar valor. Nós não temos lácteos aqui [na lista de produtos exportados], eu não vejo frutas in natura aqui. Será que não podemos exportar? Você tem lá nos Emirados, em Dubai, um “hub” aéreo enorme. Por que não mandar frutas, mandar produtos de avião? Acho que essa abertura que o Brasil quer fazer vai propiciar que encontremos outras oportunidades, de outros produtos para esses países. Acho que a gente tem que ousar mais, trazer o empresário de lá para cá, levar empresários daqui para lá. Na verdade, o papel do ministério é a regulamentação desses certificados sanitários, mas eu acho que a gente pode provocar nosso empresariado aqui para que ele seja mais ousado, que vá lá e que procure levar outros produtos que não só esses que estão aqui na nossa pauta, esses dez, onze produtos, que é muito pouco.

Os árabes cobram que o Brasil precisa comprar mais deles já que exporta bastante para lá. O Brasil importa fertilizantes dos árabes, mas é algo que oscila, e em gestões anteriores o Brasil começou a investir na produção nacional de fertilizantes. O que o país fará agora em relação aos fertilizantes?

Nós precisamos estruturar melhor essas importações. O que vem acontecendo? Ainda não temos essa cadeia muito estruturada. Nós tivemos problema no passado, uma importação maior de fertilizantes, mas eu acho que nós podemos planejar o nosso crescimento porque temos jazidas aqui. Nós precisamos ter a exploração arrumada e hoje estamos deficientes nesse setor. Podemos avançar mais nessas importações, mas fazendo o dever de casa para ter um equilíbrio, produzindo aqui também. Noventa por cento do potássio utilizado no Brasil é importado, a ureia importamos 40% a 50%. Hoje a gente importa também um tipo de fósforo, o MAP. Nós precisamos organizar melhor essa cadeia. Temos agora, com essa política do governo nova do barateamento do preço do gás, a possibilidade de fazer ureia mais barata no Brasil. Acho que podem surgir mais plantas para fabricar ureia aqui, evitando o [custo do] frete que vem lá de fora. Hoje a gente traz muita ureia [do exterior] porque o gás é muito caro e temos quantidade insuficiente de plantas para atender o tamanho da nossa agricultura.

A senhora acredita que é preciso investir na produção nacional de fertilizantes, mas sem a Petrobras, já que ela está fazendo desinvestimento no setor?

Exatamente. Esse desinvestimento é que deu um desequilíbrio ainda maior aqui [no mercado de fertilizantes] no Brasil.

Os exportadores que atendem o mercado árabe dizem que o transporte em navio para países árabes tem custo de frete alto. Segundo alguns deles, o navio vai carregado com nossas commodities e não tem o que trazer de volta, então o navio vai até a Europa para voltar carregado, o que torna o frete mais caro. O que é possível fazer em relação a isso?

Eu tenho conversado com o ministro Tarcísio, da Infraestrutura, sobre o transporte marítimo, cabotagem. O Brasil precisa evoluir nisso aí. Eu acho importante realmente ver como pode haver esse fluxo não só de ida, mas de volta, porque, se a gente tiver essa mão de volta, com certeza vamos ter esses fretes mais baratos, melhorando a vida aqui do produtor rural que precisa usar fertilizantes, e ficando mais barato para que utilizem o transporte marítimo daqui para lá.

Poderia ser o fertilizante essa solução?

Pode ser.

Estão ocorrendo mudanças na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A Embrapa sempre teve algum intercâmbio agrícola com os árabes do Norte da África. Nessa nova fase, ela continuará sendo um organismo de troca de tecnologia? A África vai seguir contando com a Embrapa?

Acho que sim. O problema da Embrapa é momentâneo. Nós vamos fortalecer a Embrapa, modernizar a Embrapa, a gestão, para que ela realmente possa ter mais tecnologia para trocar, para vender. A África vai ser muito importante daqui uns anos. Nós não podemos pensar em inovação, em tecnologia para esse momento, a gente tem que estar à frente, 20 anos à frente, 30 anos à frente. Eu acho que é papel da Embrapa, que a Embrapa pode levar tecnologia para esses países que têm clima muito parecido com o nosso, melhorando e adaptando produtos nossos para lá. Eu vejo que isso deve ser implementado e não diminuído.

O Mercosul tem acordo com um país árabe, que é o Egito, mas vários países árabes já manifestaram vontade de ter acordo com o Mercosul: Palestina, Líbano, Jordânia, Marrocos, Tunísia. Como a senhora vê isso? Acordos com esses países seriam benéficos para o agronegócio brasileiro?

Acho que sim, quanto mais mercados você tiver abertos, melhor. No Mercosul, há alguns produtos que nós precisamos exportar como bloco. Para o Brasil eu vejo como positivo. Agora, é claro que tem ser discutido um a um. Mas eu não vejo nenhum empecilho. Dentro dessa onda, dessa perspectiva liberal que o governo vem pregando na economia, é fundamental abertura de mercados, e não só para a agricultura, mas para a nossa indústria que precisa retomar o seu crescimento. O Brasil precisa voltar a crescer, nós temos muita gente desempregada que precisa voltar a ter emprego, então eu vejo com muito bons olhos outros mercados querendo sentar com o Mercosul e discutir.

Os árabes se preocupam muito com segurança alimentar porque eles não têm como produzir muito lá. Temos como selar melhor essa parceria como fornecedores deles? A Câmara Árabe está fazendo um estudo sobre segurança alimentar nos países árabes.

Acho que isso é muito importante: a credibilidade e a confiança entre dois países. Quem tem esse problema – que não é o problema do Brasil – tem que saber com quem pode contar. Se houver essa integração, essa interação comercial, a gente pode progredir muito.

Eu fiz recentemente uma reportagem sobre o trigo, falei com pesquisadores muito entusiasmados quanto à nossa possibilidade de produzir trigo no Cerrado e no Nordeste. A senhora acredita nisso: o Brasil pode se tornar autossuficiente e até exportador de trigo? O Egito é o maior consumidor de trigo do mundo.

Eu não sei se nós podemos ser autossuficientes, mas existe realmente entusiasmo. O que aconteceu com o trigo? No passado, a Embrapa e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) fizeram muitas pesquisas sobre o trigo, como uma segunda cultura, como hoje é o milho no Cerrado. Era soja e trigo. Essa pesquisa foi deixada de lado, não me pergunte o porquê, não sei, mas perdeu-se o interesse por isso, não sei se o milho entrou muito forte como cultura de inverno, mas o trigo foi meio que abandonado nas pesquisas. Hoje a gente tem algumas variedades novas que foram desenvolvidas, que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa e realmente existe um grande entusiasmo de essas novas cultivares poderem ser introduzidos novamente, não só como cultura de inverno, mas como primeira cultura também, levando o Brasil a produzir mais, não sei se ser autossuficiente, não sei em quanto tempo. Quem diria há 40 anos, há 50 anos que o Brasil seria essa potência agrícola em cima de terras do Cerrado, que são terras que são ácidas, solo velho? Com a tecnologia, nós transformamos o Brasil no que nós temos hoje, nessa potência agrícola.

(*) Com informações da ANBA

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