Mourão e Tereza Cristina consideram sustentabilidade e tecnologia indissociáveis na relação Brasil-China

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Rio de Janeiro – Sustentabilidade e tecnologia são temas indissociáveis, que estarão cada vez mais presentes na relação entre Brasil e China, avaliaram autoridades e especialistas que participaram nesta quinta-feira (14), da apresentação do documento “Sustentabilidade e Tecnologia como Bases para a Cooperação Brasil-China”, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasil-China. Participantes das discussões também concluíram que a maior integração financeira entre os dois países é inevitável e trará benefícios como redução de custos e facilitação de negócios.

“A sustentabilidade tornou-se requisito essencial do pacto geracional no século XXI, ditando novos rumos para o desenvolvimento científico e tecnológico em setores como energia, transportes, produção industrial, uso da terra, da água e da biodiversidade. A evolução do contexto mundial e a necessária atualização da agenda bilateral exigirão a incorporação de novos elementos para a cooperação em matéria de tecnologia e sustentabilidade”, declarou o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, em discurso proferido na cerimônia de abertura do evento.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foi na mesma linha em seu pronunciamento: “É por meio da ciência, tecnologia e inovação que iremos continuar como protagonistas do agronegócio sustentável e moderno. Por isso, concordo com a visão do CEBC de que sustentabilidade e tecnologia devem ser as bases para o contínuo desenvolvimento desta relação estratégica”. Em sua opinião, o fato de as propostas contidas no documento terem sido resultado de amplo debate entre empresas e associações que integram o CEBC as torna ainda mais legítimas e pertinentes.

“Tecnologia e sustentabilidade para nós são indissociáveis. Você de fato só conseguirá reduzir emissões, ter melhor aproveitamento dos recursos naturais e aumento da produtividade em geral se você tiver investimentos em inovação. Essa é a mola que permitirá que nós consigamos atingir nossas metas de redução de emissões”, observou o secretário especial adjunto de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, João Rossi, em painel que discutiu as propostas do CEBC para “Tecnologia, inovação e integração financeira”, moderado por Marcos Caramuru, ex-embaixador do Brasil na China e membro do Comitê Consultivo do CEBC.

Na interseção entre finanças e sustentabilidade, Rossi disse que a China propôs recentemente ao Brasil a assinatura de um memorando de entendimento sobre investimentos em desenvolvimento verde. Segundo ele, o assunto está sendo analisado pelo Comitê Nacional de Investimentos (Coninv), que é presidido pelo Ministério da Economia. “Essa proposta do lado chinês está sendo avaliada por nós e a gente acha que é por aí que vamos conseguir ampliar as oportunidades de investimentos dos dois lados”, ressaltou.

Rossi mencionou um outro memorando que está sendo discutidos entre ambos os países no âmbito dos bancos centrais, para permitir que instituições financeiras tenham acesso a linhas de financiamento em yuans, a moeda chinesa, ofertadas pelo banco central do país asiático. Sua avaliação é que as conversas estejam concluídas até o fim do ano.
A maior integração financeira entre os dois países foi considerada inevitável por participantes do painel, que a veem como resultado da intensificação das relações comerciais e de investimentos bilaterais. “Do ponto de vista financeiro, é natural que aconteça maior integração, com desenvolvimento de instrumentos financeiros sofisticados e presença de instituições financeiras chinesas aqui e vice-versa”, ressaltou Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília e membro do Comitê Consultivo do CEBC, que atuou como mentor na elaboração de propostas do CEBC para tecnologia e inovação.

No documento divulgado nesta quinta-feira, o CEBC propôs a possibilidade de uso de moeda local nas transações de comércio e investimentos entre Brasil e China, o que exigiria o estabelecimento de uma clearing de real a yuans no Brasil.

Em linha do que foi proposto pelo CEBC, Thatyanne Gasparotto, diretora da Climate Bonds Initiative para a América Latina, defendeu a necessidade de harmonização de critérios para que o Brasil possa se beneficiar da demanda por títulos verdes da China. “O mercado de capitais é global, a busca de capital vai ser global e não faz sentido que eu tenha vários critérios diferentes”, ressaltou Gasparotto no painel “Sustentabilidade e oportunidades da agenda de baixo carbono”, moderado pela diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Lígia Dutra.

Marcos Jank, professor de Agronegócio Global do Insper e membro do Comitê Consultivo do CEBC, avaliou que as questões climáticas e de sustentabilidade estarão cada vez mais presentes na visão de Pequim sobre a agricultura. “A exemplo dos europeus, eu acredito que os chineses deverão adotar a medida de proibição do desmatamento no uso da terra, o que para o Brasil atinge particularmente o setor de soja no cerrado e a agropecuária de corte.”

A questão do desmatamento também foi abordada pelo CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, que disse ver com ceticismo os esforços atuais de contenção do aumento da temperatura da Terra em até 1,5ºC. “[Temos que] acabar com o desmatamento ilegal imediatamente. Não há possibilidade de esperar nem mais um dia, dada a emergência climática”, afirmou.
O vice-presidente observou que a divulgação das propostas do CEBC para a relação bilateral ocorre em um momento oportuno, já que antecede a realização da 6ª Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), marcada para o primeiro trimestre de 2022. Presidida por Mourão e pelo vice-presidente chinês, Wang Qishan, a COSBAN é o principal mecanismo de diálogo bilateral. O CEBC espera que muitas das propostas apresentadas no documento “Sustentabilidade e Tecnologia como Bases para a Cooperação Brasil-China” sirvam de subsídios à COSBAN e à elaboração de políticas públicas para a relação bilateral.

Documento do CEBC: https://bit.ly/3DIpvNu
Discurso do vice-presidente: https://bit.ly/3mWdRYv
Discurso da ministra da Agricultura: https://bit.ly/3FX5yon
Discurso do secretário-geral do Itamaraty: https://bit.ly/3j1X7hx

(*) Com informações do CEBC

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