NFT e nações árabes: desafios e oportunidades

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Wallace Erick (*)

NFT são itens colecionáveis, que funcionam como uma espécie de certificado digital, registrados na blockchain para garantir a autenticidade aos seus donos, impossibilitando sua cópia total ou parcial. Eles podem ser utilizados de diversas maneiras. Sigla para “Non-Fungible Token” (Token não fungível, em tradução livre), os NFTs têm sido assunto de discussões relacionadas ao que chamamos de Web 3 após somas milionárias terem sido usadas para comprar esse tipo de ativo na internet.

O conceito de metaverso explodiu em 2021 e naturalmente fez com que o mercado de NFTs acompanhasse esse crescimento. Com a adoção global do ecossistema das criptomoedas, a blockchain está atraindo cada vez mais a atenção de grandes players e investidores.

Nos países árabes, temos a cidade de Dubai, uma das mais importantes dos Emirados Árabes Unidos, como uma das mais amigáveis em relação à comercialização de criptomoedas e NFTs, organizando importantes eventos como o Crypto Expo e o Blockchain Week, sempre abordando a necessidade da regulamentação desse mercado.

Isso é resultado do acordo firmado entre autoridades locais, que fornecem um ecossistema regulado para empresas que buscam oportunidades locais e internacionais, com um ambiente ideal para startups operarem sua expansão internacional.

A porcentagem de pessoas nos Emirados Árabes Unidos que possuem NFTs é mais que o dobro da média global. O próprio governo já abraçou a ideia, e além de comprar terrenos no metaverso do The SandBox para a criação de escritórios virtuais, lançou sua própria coleção de selos físicos e no formato de NFTs em comemoração ao 50º aniversário do Dia Nacional, que ocorreu em 02 de dezembro de 2021.

Foram lançados quatro selos, o principal desses selos é chamado de “Golden Jubilee 2021”, possui um grama de ouro puro e um QR Code que contém um chip integrado para verificar a exclusividade do selo.

Além disso, a Dubai Culture está apresentando sua galeria de NFTs, que contará com 50 peças exclusivas de artistas famosos dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com a Morrow Collective, uma plataforma curatorial da NFT. Intitulado de 50/50, o show também homenageia o 50º aniversário dos Emirados Árabes Unidos, e apresenta obras de artistas populares como Khalid Al Banna, Alia Al Gaoud, Dalal Ahmed, Marwan Shakarchi e Gigi Gorlova, que podem ser vistas no marketplace da Open Sea.

Já a Arábia Saudita anunciou que investirá mais de US$ 6,4 bilhões em metaverso e blockchain para reduzir sua dependência do petróleo. Embora os preços do petróleo estejam altos no momento, a comercialização de combustíveis fósseis tende a diminuir após membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fecharem acordo para reduzir produção de petróleo.

O ministro das Comunicações e Tecnologia da Informação da Arábia Saudita, Abdullah Alswaha, afirmou que esses investimentos devem impulsionar o país em direção ao crescimento digital. Desse investimento, US$ 1 bilhão será destinado a NEOM Tech & Digital Company, empresa que deve lançar seu próprio metaverso.

As nações árabes têm muito a ganhar com a tecnologia blockchain e esse mundo dos NFTs. Mas ainda existem diversas barreiras a serem rompidas.

Embora esteja previsto um crescimento de 400% nos investimentos em blockchain nos próximos quatro anos para combater fraudes, aumentar a segurança e melhorar a administração pública, os governos ainda não estão preparados para uma transformação digital tão significativa quanto essa.

Embora algumas nações proíbam instituições financeiras de negociar criptomoedas e as exchanges de criptomoedas de operar em suas jurisdições, acredito que o desejo de manter os Emirados Árabes Unidos na vanguarda da mudança digital global será o pontapé inicial para essa grande revolução na qual as nações árabes só têm a ganhar.

 

 

(*) Wallace Erick é Tech Lead da Orbital, empresa de projetos de inovação

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