O ano mais longo da história recente

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Renan Diez (*)

Se 2020 terminasse hoje, final de junho, provavelmente, teríamos uma retrospectiva na TV mais impactante e mais longa do que todas desta última década. A pandemia do coronavírus tomou conta de todas as páginas de notícias. Do esporte à economia, da política ao entretenimento. O mundo foi obrigado a recuar diante de um vírus e não há outro protagonista à altura no ano de 2020.

Pode parecer cômico, mas diante de um cenário de crise econômica, sanitária, política, dentre tantas outras, um fato inesperado ganhou força, especialmente, nas redes sociais brasileiras. Uma possível invasão de gafanhotos ao território brasileiro. Devemos nos preocupar?

O exército dos gafanhotos parece conter cerca de 40 milhões de soldados e está viajando cerca de 150 quilômetros por dia. A formação se originou no Paraguai, atravessou a Argentina e ameaçava chegar no Sul do Brasil, mas, ao que parece terá o Uruguai como destino final. Uma infestação deste porte é capaz de acabar com qualquer produção agrícola. Esse é o ponto.

O Brasil não tem uma cultura exportadora. Muito embora nossa balança comercial seja positiva ao longo da história, somos um país que tem sua política de exportação pautada, basicamente, na pasta agropecuária, principalmente commodities. Não podemos ser apenas o supermercado do mundo. Isso é frágil. O Brasil precisa parar de apenas vender commodities e se tornar um país que exporta de verdade. A ideia de agregar valor precisa se fazer mais presente.

Ninguém gosta de lembrar do 7×1 da Alemanha frente ao Brasil na Copa do Mundo de 2014. É difícil de aceitar o fato de que os alemães podem nos ensinar um melhor futebol, por outro lado, há goleadas ainda mais impactantes que muitos nem fazem ideia. A Alemanha é líder em valor exportado em cerca de 50 produtos. O que surpreende é que alguns desses produtos nem existem na Alemanha, sendo apenas beneficiados, processados ou engarrafados. Vamos ilustrar.

Líder em exportação de chocolate em barras. Líder de exportação em cacau em pó. Líder em exportação de cigarros. Líder em exportação de café verde e terceiro lugar na exportação de café cru, sendo que a Alemanha nem planta café. Falando em café, parte das sacas que a Alemanha importa do Brasil vai para uma cidade chamada Schwerin. Nesta cidade, o café brasileiro multiplica seu valor em cerca de 70 vezes, transformando-se nas famosas cápsulas nespresso.

O ano mais longo da história recente pode deixar grandes lições. O Brasil, infelizmente, até o momento, parece um aluno do fundão que desperdiça um potencial incrível. Até quando?

(*) Renan Rossi Diez. Diretor na Intervip Comércio Exterior. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas; Pós-Graduado em Administração de Empresas e MBA em Gestão de Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela IBE-FGV Campinas. Autor do livro Minuto Comex. Contato: renan@portalintervip.com.br

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