O mundo pós Coronavírus

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Ivo Carraro  – Genoveva Ribas (*)

A presente época de pandemia impôs aos seres humanos uma condição inusitada: isolamento social. Tal situação, inesperada e inédita, criou uma realidade em que um estado de ansiedade elevada poderá ser predominante.  Mas, como tudo na vida, é uma situação que está de passagem e deixará, certamente, um rastro de conseqüências que serão analisadas por diversos olhares como políticos, econômicos, psicológicos, sociais, etc…

Analisando os efeitos desse cenário pela visão da Neurociência, a ciência do cérebro, entra em cena a neuroplasticidade, ou seja, as transformações cerebrais contínuas com as experiências de vida.

O cérebro humano é informado sobre o mundo exterior por vias sensoriais – visão, audição, tato, olfato e paladar – e a elas reage. Tais reações passam, obrigatoriamente, por dimensões emocionais. Assim, ansiedade, medo e estresse são emoções oriundas do cérebro límbico – emocional – tendo em vista as informações sensoriais geradas no mundo externo. Estatísticas de quantas pessoas foram infectadas pelo coronavírus e morreram; número de contaminados e foram curados; dificuldades financeiras de empresas que demitem seus colaboradores, etc… Tais informações provocam, inevitavelmente, um estresse elevado que acarreta em traumas emocionais. Conceitua-se estresse como uma reação bioquímica que acontece no organismo humano tendo em vista uma situação que cause ansiedade ou medo.

No tempo futuro pós-coronavírus é de se deduzir com raciocínio lógico, que o estresse pós-traumático acompanhará a vida de muitos. Dentro da maior brevidade de tempo, com o anúncio de que a quarentena terminou, para a alegria de todos, o álcool em gel e as máscaras provavelmente continuarão na vida de alguns. Nas filas o espaço de dois metros entre as pessoas certamente ainda será observado. E assim será em outras situações congêneres. Mas tal fato também será temporário. O cérebro tem a grande capacidade de se acomodar ao mundo novo e tudo voltará a ser como era antes.

O mundo pós-coronavírus pode ter mudado para os seres humanos. Cada qual, com o seu jeito próprio de ser, relacionar-se-á com a sua realidade. No entanto a Terra, como ponto azul no espaço continuará, silenciosamente, com seus movimentos infinitos. Agora, porém, com uma atmosfera mais pura, com os rios menos poluídos e, oxalá, com seus habitantes mais solidários.

(*) Ivo Carraro é psicólogo e coordenador do Centro de Atendimento Psicopedagógico do Centro Universitário Internacional Uninter.

Genoveva Ribas Claro é professora da Escola Superior de Educação – ESE – do Grupo UNINTER.

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