O perfil de Angola

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O perfil de AngolaSergio Korytowski (*)

O momento é de reflexão, fala-se em crise, desemprego e outros aspectos negativos.

Mas olhando para a verdade, não estamos vivendo a nossa primeira crise e certamente nem a última. Portanto vivemos, hoje, um momento de reflexão, não tanto num aspecto negativo, mas sim, de como podemos nos desenvolver.

Depois de viver 25 anos num país do primeiro mundo, a Alemanha, eu acabei aceitando um desafio de vir para Angola.  E hoje estamos falando de já nove anos em solo angolano.

Logicamente que Angola também vive seus momentos de crise, ainda por cima se for considerado que mais de 90% da receita fiscal provém do petróleo, hoje com um custo em Angola de US$ 34,50 barril contra uma venda flutuando momentaneamente no mesmo valor.

Mas más notícias acabam sempre diluindo em bons momentos! E por que insisto em permanecer em Angola? Simplesmente porque vejo oportunidades de negócios e como exemplo eu considero muito a qualidade do solo e as condições climáticas, ambas similares ao Brasil.

Vocês sabiam que Angola já foi o terceiro maior produtor de café do mundo?  Vocês sabiam que é bem capaz de se encontrar tomate importado no supermercado, simplesmente porque a tecnologia de estufa local ainda é deficiente?

 Angola passa por um processo de mudanças e aceleração. Tanto que para a capital Luanda, que nos últimos anos viveu muito má apoiada em fracos passos governamentais, foi nomeado, há pouco mais de um mês atrás, um novo governador. O general Higino Carneiro, que anteriormente brilhou na província (usa-se o termo província ao invés de estado) do Kuando Kubango (ou Cuando-Cubango), no sul do país, pois ele além de estruturar Kuando Kubango trouxe também novos investimentos e investidores estrangeiros.

Portanto, para a capital Luanda de hoje já existem planos e vontade no desenvolvimento, também na agropecuária, esta para ser nos arredores de Luanda, além de se considerar as demais províncias. O próprio governo dispõe de programas de investimentos e o BDA – Banco de Desenvolvimento de Angola – é um suporte neste sentido.

Conforme se lê no site do BDA:

O BDA realiza o apoio financeiro através das seguintes operações:

  • Operações Diretas – realizadas diretamente com o BDA para projetos estruturantes∕ estratégicos, cujos valores mínimos são de US$ 5 milhõe. Estes projetos visam alavancar as cadeias produtivas priorizadas pelo governo;
  • Operações Indiretas – realizadas via bancos comerciais, repasse de linhas de crédito para a concessão de crédito a projetos complementares das cadeias produtivas, cujos valores máximos são de US$ 5 milhões.

Deve-se frisar que os interesses governamentais são, em grande maioria, voltados para a área agropecuária.

Logicamente que não é uma recém-criada empresa estrangeira que vai se beneficiar com todas estas regalias. Para tanto ela tem de comprovar a sua existência no país, além de que existem outros programas de financiamento, como o Programa do governo “Angola Investe”, que auxilia e incentiva as médias e pequenas empresas.

O país teve de mudar o seu perfil de entrada de novas empresas estrangeiras. Até há cerca de sete meses era exigido um investimento mínimo de US$ 1 milhão em bens e∕ou valores. Nem precisamos discutir que era o maior dos absurdos! Mas a nova lei sobre o investimento privado de 31 de julho de 2015 mudou as regras do jogo, sendo que não existe mais qualquer valor mínimo para um investimento privado estrangeiro.

A Embaixada do Brasil situada no bairro Miramar, em Luanda, é um ponto de apoio aos brasileiros. Também a Apex-Brasil fortalece os contatos entre o Brasil e Angola, tanto que, todos os anos, participa e traz empresas brasileiras para a FILDA, uma feira de eventos que ocorre em Luanda sempre no mês de julho.  Pode-se dizer que a FILDA não é uma feira de negócios específica, ou seja, dentro dos padrões angolanos atua mais como um cartão de visita. Tudo é apresentado e representado (materiais de construção, prestadoras de serviços, automóveis, etc.). Mas tem a sua valia, pois é bem frequentada por todos aqueles que procuram por novos negócios, clientes, fornecedores, representações, serviços e parcerias.

Vale lembrar: o Brasil foi o primeiro país que reconheceu a independência de Angola, dez minutos depois do acontecimento, 40 anos atrás. O angolano e o brasileiro têm um laço de amizade muito grande, não só na língua portuguesa, mas um laço que pode ser melhor explorado, também comercialmente, mesmo considerando-se algumas dificuldades burocráticas ainda existentes.

(*)  Sergio Korytowski, natural do Rio de Janeiro, Bacharel em Comunicações pela FACHA – Faculdades Integradas Hélio Alonso, Rio de Janeiro – trabalhou no Jornal Nacional e no programa Fantástico da TV. Globo viveu 25 anos na Alemanha e desde 2007 se dedica ao desenvolvimento de negócios em Angola. Contatos através do e-mail Sergio30008585@yahoo.de ou via Linkedin pelo nome Sergio Korytowski

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