Os desafios de uma gestão frente à pandemia

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Éder Enriqson (*)

 Crises sempre foram um desafio à gestão e às ciências, pois expõem os limites da previsibilidade dos nossos conhecimentos, modelos e teorias. A crise da Covid-19, por exemplo, tem escancarado disfunções, desequilíbrios e escassezes de recursos nas organizações e em diversos setores da sociedade. E como a articulação entre as ciências e a gestão pode nos ajudar a pensar algumas questões nestes tempos tão sombrios?

No contexto da gestão e de outras ciências sociais aplicadas, pesquisas científicas recentes buscam compreender o comportamento resiliente observado nos chamados sistemas sociotécnicos complexos. Tais sistemas referem-se a relações interativas estabelecidas entre humanos e tecnologias em contextos de atividades que ocorrem com algum grau residual de incerteza e risco.

A resiliência desses sistemas pode ser caracterizada pela capacidade de desarme, recuperação ou adaptação frente às crises. O conceito é empregado em várias disciplinas, mas na gestão é tipicamente pesquisado nos estudos de acidentes, desastres, crises financeiras ou globais. Sabe-se que organizações resilientes caracterizam-se não só pela competência de preparação para as crises, mas pela alta capacidade de compreensão do contexto, mobilização de repertórios e recursos para a construção de respostas que via de regra não estão prontas.

As organizações que aprendem a fazer isso desenvolvem capacidades dinâmicas para sustentação de níveis mais elevados de resiliência, construindo e inovando seus repertórios e recursos.

Na crise do Covid-19, observa-se também a crise da prática da gestão orientada pela ignorância ou por uma imensidão de informações falsas, mas há também evidências e bons exemplos de como as ciências podem subsidiar a gestão pública ou privada.

As ciências e as instituições de pesquisa, em tempos tão obscuros, têm o papel de preservar conquistas essenciais da modernidade fornecendo à sociedade subsídios fundamentados para o debate democrático a fim de superar as precariedades que nos assolam.

Devemos aprender com esses tempos a olhar para o outro e seguir em frente, entendendo que fazemos parte de um coletivo.

(*) Éder Enriqson, decano da Escola de Negócios da PUCRS – ehenriqson@pucrs.br

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