Pandemia de Covid-19 derruba Brasil no ranking global dos principais países exportadores e importadores

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Da Redação (*)

Brasília – Com as exportações em queda de 13,9% e as importações enfrentando uma contração de 18,1% entre os meses de janeiro e junho, o Brasil deverá encerrar o ano de 2020 com uma participação de apenas 1% (ou até menos)  no comércio mundial de bens. Se a previsão de confirmar, o país passará a ocupar a 30ª posição no ranking de exportação e a 31ª. na relação dos principais exportadores do planeta. A projeção foi feita pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Ao revisar as previsões para a balança comercial brasileira de 2020, diante do novo cenário que se verifica no Brasil e no mundo com a pandemia de covid-19, a AEB prevê uma contração de 13,9% nas exportações brasileiras, que totalizariam US$ 192,721 bilhões e uma queda ainda mais acentuada de 18,1% nas importações, que devem alcançar um total de US$ 145,255 bilhões. Com esses números, a balança comercial encerrará o ano de 2020 com um superávit de US$ 47,466 bilhões, superior em 1,7% ao saldo registrado em 2019.

Caso essas previsões se concretizem, o Brasil cairá três posições no ranking dos exportadores mundiais. Ano passado, com exportações no total de US$ 223 bilhões, o país ocupou a 27ª. posição entre os principais países exportadores do planeta, atrás de países como Singapura, Federação Russa, Bélgica, Canadá e México, entre outros. O volume exportado pelo Brasil correspondeu a 1,2% de todas as exportações mundiais.

Essas mesmas três posições deverão ser perdidas pelo Brasil no ranking dos importadores, no qual, ano passado, o país ficou na 28ª. posição e este ano, com as importações caindo 18,1% para apenas US$ 145,255 bilhões, o Brasil passará a figurar na 31ª. posição entre os importadores mundiais.

Assim, apesar de ser a décima maior economia mundial, o Brasil se posiciona atrás de economias muito menos sólidas e importantes como a Áustria, Malásia, Turquia, Austrália, Tailândia, Vietnã, Federação Russa, Emirados Árabes Unidos e Polônia, entre outros integrantes da lista dos maiores importadores mundiais.

Ao anunciar os dados da revisão da balança comercial, o presidente da AEB afirmou que entidade refez seus cálculos porque a economia e o comércio mundial estão sendo fortemente impactados, direta e indiretamente, pela pandemia da Covid-19.

Na avaliação do executivo, os novos números refletem a instabilidade do cenário externo, acentuado com a guerra comercial entre EUA e China, a eleição para a presidência dos EUA, a quase unanimidade de PIBs negativos mundiais e o elevado e crescente desemprego no mundo.

“O agravamento da crise econômica na Argentina, o fortalecimento do dólar e o enfraquecimento das moedas, além de problemas internos no Brasil, colaboraram para a retração dos números da balança”, observou José Augusto de Castro.

As previsões da AEB também indicam que o superávit comercial projetado para o Brasil em 2020 será triplamente negativo, pois será obtido com queda das exportações de 13,3%; das importações de 18,1%; e de 15,4% na corrente de comércio, com geração de redução da atividade econômica.

De acordo com o levantamento, a corrente de comércio projetada em US﹩ 339,445 bilhões para 2020 será menor que os US﹩ 401,333 bilhões apurados em 2019 − e mais distante ainda do recorde de US﹩ 482,292 bilhões obtido em 2011. Além disso, voltará a ficar bem abaixo da faixa de US﹩ 400 bilhões.

“Excluído o ano 2018, desde 2014 as exportações brasileiras de manufaturados estão estagnadas em patamar inferior a US﹩ 80 bilhões. O valor de US﹩ 56,295 bilhões projetado para 2020 ficará próximo às exportações do longínquo ano de 2004, especialmente após a crise que assola a Argentina e a América do Sul”, assinalou o presidente da AEB.

Nesse contexto, a AEB informou que neste ano a crise econômica desalojou a Argentina do posto de segundo maior importador de manufaturados brasileiros, empurrando-a para a quarta posição. Ao mesmo tempo, as exportações do Brasil para a Argentina mostram forte queda em 2020. “As exportações para Argentina estão caindo acentuadamente e representando apenas 3,6%, quando em passado recente alcançaram patamar superior a 10%”, observa o executivo.

Commodities

Apesar de fortes oscilações de preços, o volume dos três principais produtos da pauta de exportação − soja, petróleo e minério de ferro − aumentarão sua representatividade para 34%. Esses itens são beneficiados pela queda dos manufaturados, consolidando o peso das commodities nas exportações e no superávit comercial.

A soja, pelo sexto ano consecutivo, será o principal produto de exportação do Brasil, com o minério de ferro voltando à segunda posição e petróleo em terceiro, por pequena diferença. Até a terceira semana de julho foram embarcados 66,5 milhões de toneladas de soja, representando 85% dos 78,5 milhões de toneladas previstas para embarque em 2020.

“Essa perspectiva reforça a imperiosa necessidade de reformas estruturais para reduzir o Custo-Brasil e gerar competitividade nas exportações de manufaturados”, defende José Augusto de Castro, ressaltando que todos os dez principais produtos exportados pelo Brasil são commodities, sem nenhum manufaturado, comprovando a perda de competitividade dos nossos produtos manufaturados.

Conclusões

A flutuante taxa cambial em 2020 ainda deverá ser motivo de altas e baixas num mercado volátil e sujeito a fatores externos e internos impactando suas cotações, que devem oscilar entre o mínimo de R﹩ 4,70 e o máximo de R﹩ 5,80, sendo R﹩ 5,30 a taxa mediana.

O elevado Custo-Brasil manterá o país excluído das cadeias globais de valor, principalmente pós-pandemia, provocando maior isolamento comercial, gerando baixo volume de exportações de manufaturados e perda de empregos qualificados.

Os dados projetados de exportação e importação para 2020 sinalizam que o Brasil deverá ocupar a 30ª posição no ranking de exportação e 31ª de importação, com a participação nas exportações mundiais devendo ser reduzida para ao redor de 1%..

(*) Com informações da AEB

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