Pandemia e recessão mundial levam comércio entre Brasil e blocos regionais ao fundo do poço

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Da Redação

Brasília –  O intercâmbio comercial brasileiro com os principais blocos econômicos  registra nos oito primeiros meses do ano uma das maiores quedas da história, provocada pelos reflexos da pandemia de Covid-19  nos fluxos de comércio e economia internacionais e brasileiros. Em linhas gerais, essa  contração reflete a expectativa da  Organização Mundial do Comércio (OMC), que projeta uma queda entre 13% e 32% para o comércio internacional em 2020.

ORIENTE MÉDIO

A queda atingiu de forma quase homogênea todos os principais blocos parceiros do Brasil mas a redução mais acentuada ocorreu no intercâmbio com os países do Oriente Médio.

De janeiro a agosto, as exportações brasileiras para a região recuaram 27,3% para US$ 5,540 bilhões, enquanto as importações originárias desses países caíram 29,3% e somaram US$ 2,387 bilhões. A corrente de comércio bilateral totalizou US$ 7,924 bilhões (queda de 27,9%) e a balança foi superavitária para o Brasil em US$ 3,153 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

A exceção dos açúcares e melaços, que tiveram suas vendas ampliadas em 4,56%, com receita no valor de US$ 976 milhões, todos os principais produtos embarcados para a região apresentaram resultados negativos, comparativamente com o mesmo período de 2019.

As exportações de carnes de aves, por exemplo, sofreram uma redução de 22% e somaram US$ 1,2 bilhão. Queda ainda mais expressiva foi registrada nos embarques de minério de ferro, com um recuo de 29% e receita de US$ 750 milhões. Também recuaram as exportações de milho (queda de 48% para US$ 463 milhões) e de soja em grãos (retração de 34% e receita de US$ 419 milhões).

MERCOSUL

A grave crise econômica que assola a Argentina teve forte reflexo no intercâmbio comercial entre os dois principais sócios do Mercosul, atingindo em cheio principalmente o setor automotivo. Com isso, a Argentina perdeu a posição de terceiro maior parceiro comercial do Brasil, tanto nas exportações quanto nas importações.

As vendas brasileiras para o Mercosul recuaram 26% e somaram US$ 7,527 bilhões, enquanto as importações alcançaram a cifra de US$ 6,270 bilhões. Com um total de US$ 13,798 bilhões (queda de 26,6%), a corrente de comércio gerou para o Brasil um saldo de US$ 1,257 bilhão.

Todos os principais itens vendidos pelas empresas brasileiras ao Mercosul tiveram forte queda nos oito primeiros meses do ano. E o tombo maior ficou por conta dos automóveis, com as exportações desabando 47% para US$ 898 milhões. Em termos monetários, a retração significou uma perda de US$ 758 milhões em apenas oito meses. No período, os embarques de partes e peças para veículos caíram 27% e somaram US$ 427 milhões. O segmento dos demais produtos da indústria de transformação (produtos industrializados) foi outro que amargou forte recuo nas vendas para o Mercosul, com uma queda de 36% e receita de US$ 341 milhões. Recuos mais suaves foram registrados nas exportações de veículos de transporte de cargas (queda de 11% para US$ 340 milhões) e de papel e cartão (retração de 11% e receita de US$ 263 milhões).

ÁFRICA

O fluxo de comércio com os países da África também foi impactado pelos efeitos da pandemia. No tocante às exportações brasileiras, a queda foi de apenas 1,9%, a menor registrada no comércio com todos os blocos regionais, gerando uma receita de US$ 4,931 bilhão. Na outra ponta, as importações recuaram 37% para US$ 2,426 bilhão. A balança comercial com o continente africano proporcionou ao Brasil um superávit de US$ 2,502 bilhões.

Açúcares e melaços, o carro-chefe nas vendas aos países africanos, não seguiram a tendência de queda registrada nas exportações totais para a África e tiveram uma alta de 38,3%, com receita no total de US$ 1,78 bilhão. Entre os demais produtos de destaque, a carne bovina teve um recuo de 16% para  US$ 376 milhões, as carnes de aves apresentaram uma queda de 7,03%, com receita de US$ 307 milhões, o milho em grãos teve os embarques reduzidos em 44% para US$ 273 milhões e a soja em grãos registrou uma forte alta de 216%, com uma receita no valor de US$ 222 milhões.

UNIÃO EUROPEIA

Segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, a União Europeia foi outro bloco a ter suas relações com o Brasil afetadas pela Covid-19. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras recuaram 11,1% para um total de US$ 20,896 bilhões, enquanto as importações tiveram uma queda de 14,2% para US$19,082 bilhões. As trocas comerciais com os países do bloco europeu resultaram em um saldo de US$ 1,814 bilhão em favor do Brasil.

O intercâmbio com os europeus foi marcado por elevadas altas nas exportações de soja em grãos (+67,7% e receita de US$ 2,7 bilhões) e petróleo (aumento de 96,9% para US$ 1,85 bilhão) e recuos pouco expressivos nos embarques de farelo de soja (queda de 4,78% e receita de US$ 2 bilhões), café não torrado (retração de 2,33% e receita de US$ 1,56 bilhão) e minérios de cobre (recuo de 6,12% para US$ 966 milhões).

ASEAN

As trocas comerciais com os  dez países que integram a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) tiveram uma significativa alta de 19,6% e foram o grande destaque no fluxo de comércio do Brasil com os blocos regionais. Em receita, as vendas totalizaram US$ 9,147 bilhões, enquanto as importações, com uma contração de 14,9%, somaram US$ 4,346 bilhões. A balança comercial com esses países foi superavitária para o Brasil no montante de US$ 4,802 bilhões.

Com uma receita de US$ 1,33 bilhão (alta de 64,2%), os óleos combustíveis foram o principal produto negociado com os países da Associação, seguidos pelo farelo de soja (US$ 1,3 bilhão e alta de 34%), minérios de ferro (queda de 23% e receita no valor de US$ 1,18 bilhão), soja em grãos (aumento de 53% para US$ 985 milhões) e petróleo (aumento de 155% para US$ 761 milhões).

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