Pandemia fortalece laços comerciais entre Brasil e China

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Francisca Gallon Grostein (*)

Desde o início do século XXI, se desenha uma reconfiguração econômica mundial, com o surgimento de novos players. A China ocupa, hoje, lugar de destaque na economia mundial ameaçando a tradicional hegemonia americana e, talvez, substituindo os Estados Unidos na posição de maior potência econômica global.

Na área comercial não tem sido diferente e essa nova configuração econômica se reflete, também, no comércio internacional colocando a China ao lado dos Estados Unidos como principal player no mercado mundial de bens.

Com relação ao comércio exterior brasileiro, desde os anos 1990, os Estados Unidos vêm perdendo relevância nesse contexto, deixando de ser o principal destino das exportações brasileiras, passando a ser a China o nosso principal parceiro comercial. Na exportação de bens, representou, em 2020, quase um terço (32,5%) do nosso mercado comprador. E, do lado das importações, a China também figura como o nosso principal mercado fornecedor.

Isto significa que o Brasil se tornou dependente da China no seu comércio exterior?

Se o Brasil é dependente da China na importação de bens, ela, por sua vez, também é dependente do Brasil no fornecimento de produtos estratégicos como a soja, minério de ferro, carnes, petróleo bruto e outros. Pode-se dizer que essa dependência mútua é positiva e faz com que Brasil e China sejam parceiros estratégicos no atual cenário econômico-comercial mundial. Cabe ao Brasil saber tirar proveito dessa parceria estratégica, visando atender o seu interesse nacional.

Registre-se, ainda, que o comércio exterior brasileiro – assim como o comércio exterior de outros países – vem se deslocando não apenas para a China, mas sim, para toda a Ásia, alcançando mercados antes considerados “não tradicionais” como, por exemplo, Malásia, Coréia do Sul, Indonésia, Índia, Tailândia e Vietnã.

Desenha-se, assim, uma nova configuração não apenas econômica, mas, quem sabe, também geopolítica, uma vez que o deslocamento do eixo econômico, em alguma medida, determina o deslocamento do centro político.

(*) Francisca Gallon Grostein é professora de Administração – Comércio Exterior e membro do NDE (Núcleo Docente Estruturante), na área de Comércio Exterior, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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