Participação de produtos manufaturados na exportação cai de 46% para 42% no primeiro trimestre do ano

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Brasília – Com a pandemia de Covid-19, as exportações de produtos industrializados cresceram em ritmo mais lento que as de básicos e que as totais no primeiro trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado. Elas aumentaram apenas 3,6%, enquanto as exportações de básicos tiveram alta de 23,5%. As exportações totais subiram 14,3% na mesma base de comparação.

Com o resultado no primeiro trimestre, a participação de industrializados na pauta exportadora caiu de 46% no primeiro trimestre de 2020 para 42% no primeiro trimestre deste ano. Enquanto isso, as exportações de produtos básicos ampliaram sua participação no mesmo período de 2021, subindo de 54% para 58%.

Os dados são de análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que passará a divulgar uma avaliação trimestral da qualidade do comércio exterior brasileiro em um Panorama do Comércio Exterior.

Brasil precisa avançar em agenda de reformas estruturais e do comércio exterior

O superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, João Emilio Gonçalves, avalia que os dados refletem o processo de desindustrialização que o Brasil vive ao longo da última década e que se acelerou nos últimos anos. Esse cenário atinge a atividade econômica como um todo e o dia a dia das pessoas, provocando encolhimento do mercado de trabalho para um segmento que envolve maior qualificação e maiores salários.

“Nós precisamos trabalhar uma agenda em duas frentes. De um lado, precisamos resolver as questões estruturais que atrasam o progresso do Brasil, reduzem a produtividade, inibem a criação de empregos e, consequentemente, reduzem de forma acelerada a competitividade internacional. De outro, os desafios específicos da falta de uma política de comércio exterior. Há avanços possíveis no âmbito do Poder Executivo em temas de competitividade e integração internacional”, afirma o superintendente.

Exportações totais crescem para China, Aliança do Pacífico e Coreia do Sul

Entre os principais destinos de exportações brasileiras, considerando produtos básicos e industrializados, China, os países que forma Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), Coreia do Sul, Norte de África e Oriente Médio apresentaram as maiores altas.

Entre os principais destinos para os bens industriais, Estados Unidos, Mercosul e Aliança do Pacífico se destacam nos crescimentos, embora com cifras menores quando comparadas às exportações gerais.

Exportações para a China crescem 26% no primeiro trimestre

As exportações totais para a China cresceram 26% no primeiro trimestre de 2021, ante o mesmo período do ano passado. Trata-se de uma alta 11,7 pontos percentuais acima da média registrada nas exportações totais.

Para a União Europeia, as vendas permaneceram estáveis e, para os Estados Unidos, caíram 7%. Para o Mercosul como um todo, a alta foi de 27%.

Do lado das importações, a China repete o desempenho dos anos anteriores e se consolida como principal fornecedor de bens importados pelo Brasil. Além disso, entre as três grandes economias (China, EUA e UE), apenas as importações da China tiveram crescimento no período, de 9%, enquanto as compras provenientes da U.E. caíram 10% e dos EUA 8%.

Indústria de transformação não registra crescimento nas exportações

Um olhar apenas sobre a indústria de transformação revela que as suas exportações ficaram estáveis no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2020. O valor ficou em US$ 19,4 bilhões em ambos os períodos. Por outro lado, houve uma alta de 40% nas exportações da indústria extrativa, de 13% na agricultura e de 14% na agroindústria.

Ao todo, 12 de 20 setores na indústria de transformação registraram aumento de exportações no período, com destaque para metalurgia e químicos.

“Com a retomada da economia e vacinação nas principais economias, o Brasil tende a vender mais produtos industriais ao mundo nos próximos meses. No entanto, já se vê uma mudança estrutural do Brasil no sentido de uma desindustrialização das exportações que não será revertida apenas com crescimento mundial, mas sim com políticas de competitividade e apoio às exportações, como ocorre em todas as grandes economias”, afirma o superintendente.

(*) Com informações da CNI

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