Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao Brasil

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Da Redação

Brasília – A entrada em vigor do Acordo União Europeia-Mercosul deverá proporcionar, em médio prazo, uma redução significativa nos tributos hoje incidentes sobre uma série de produtos exportados pelos países europeus, entre eles, os vinhos portugueses. Essa baixa de tarifas, quando consolidada, permitirá aos consumidores brasileiros acesso aos vinhos portugueses a preço mais baixos e em melhores condições para competir com os vinhos do Chile ou da Argentina.

Na opinião do presidente da Vinhos de Portugal, Frederico Falcão, “as negociações são complexas mas os vitivinicultores portugueses acreditam que com a vigência do acordo comercial terão melhores condições de acesso ao mercado brasileiro. Os produtores de vinho aguardam com grande expectativa a conclusão dessas negociações e consideram a baixa das tarifas vantajosas para ambas as partes, Brasil e Portugal”

Chile, Argentina e Uruguai, três países-membros do Mercosul, figuram entre os principais fornecedores de vinhos ao Brasil, seguidos por países europeus como Portugal, França, Itália e Espanha. O Chile, principal exportador de vinhos para o Brasil, tem uma participação de 42% a 43% no mercado brasileiro, enquanto Portugal detém uma fatia de 18% desse mercado.

Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao BrasilSegundo  Frederico Falcão, com a entrada em vigor do acordo birregional deverá ser registrado um aumento significativo nas exportações portuguesas para o Brasil. O executivo português ressalta que “é isso que gostaríamos de ver acontecer. Uma baixa na tributação sobre os vinhos portugueses fará com que estes vinhos fiquem mais competitivos no mercado brasileiro, sendo os consumidores no Brasil os principais beneficiados com essa medida. Havendo uma forte ligação histórica entre os nossos países, sendo povos que falam a mesma língua e sendo os brasileiros grandes apreciadores dos nossos vinhos, seria um importante passo, a baixa de tributos sobre os vinhos”.

Apreciados em todo o mundo, os vinhos portugueses têm na França, Estados Unidos e Reino Unido seus principais mercados no exterior. Excluído o Vinho do Porto, o Brasil ocupa o segundo mercado para as vinícolas portuguesas, depois dos Estados Unidos.

Frederico Falcão considera a redução das tarifas medida crucial para o aumento das exportações de vinhos portugueses para o Brasil: “havendo uma redução de tributos sobre os nossos vinhos, tornando-os mais competitivos no mercado brasileiro, acreditamos que poderá levar a um crescimento de consumo, pela sua qualidade, diferença e relação qualidade/preço. Os vinhos portugueses, pela sua riqueza em castas e terroirs são vinhos únicos e muito apreciados também no Brasil”.

Portugal é o décimo-primeiro maior produtor de vinhos em todo o mundo. Anualmente são produzidos 6,5 milhões de hectolitros da bebida e 49% da produção é exportada. As vendas externas de vinho geraram, no ano passado, uma receita no montante de 820 milhões de euros, correspondentes a 1,4% das exportações totais do país.

Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao BrasilNa Europa, França, Itália, Espanha e Alemanha produzem mais vinhos que os lusitanos. Em outros continentes, os Estados Unidos, Argentina, Austrália, África do Sul e Chile também se colocam à frente de Portugal no ranking dos principais produtores da bebida.

Conforme afirma  Frederico Cabral, “não temos a expectativa  de que Portugal venha a subir muito ou descer nesse ranking. Mas no que concerne aos maiores exportadores mundiais, Portugal é o nono país exportador de vinhos em valor. Nesse ranking, sim, pretendemos subir, através do aumento das exportações de vinhos de maior qualidade, dando a conhecer aos nossos mercados preferenciais a excelência dos vinhos portugueses”.

O baixo consumo per capita de vinho no Brasil é um obstáculo ao aumento expressivo das exportações portuguesas para o país. Esse fator existe, mas nem por isso Frederico Falcão deixa de acreditar no aumento das vendas para o mercado brasileiro: “de fato, o consumo per capita de vinho no Brasil é relativamente baixo, ainda que tenha crescido 0,5% no último ano. Neste capítulo, Portugal destaca-se como o maior consumidor per capita de vinhos em todo o Mundo. A qualidade dos vinhos portugueses e a sua relação qualidade/preço ajudam a explicar o grande consumo de vinho em Portugal, ainda que por cá o consumo essencialmente à refeição e de forma moderada. No fundo, temos grande consumo de vinho de forma moderada mas menor consumo per capita de cervejas e de bebidas destiladas, quando comparados com muitos outros países”.

Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao Brasil

Com o objetivo de aumentar as exportações para o Brasil, Frederico Falcão destaca a importância de eventos  que a Vinhos de Portugal  vem realizando para estimular o consumo moderado de vinho no Brasil. Entre outros destaca o Festival de Vinhos de Portugal, em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que permitirá disponibilizar ao povo brasileiro o acesso a novos vinhos de Portugal. O evento será realizado de 23 de outubro a 1 de novembro.

A ampla e inédita ação será focada no varejo e a entidade que representa os vinhos portugueses estabeleceu uma parceria com a ABRAS, que irá ativar seus 96 mil estabelecimentos associados, para, no período, ampliarem a oferta de vinhos portugueses em suas prateleiras.

O presidente da Vinhos de Portugal explica que o objetivo é ampliar o consumo e o conhecimento sobre os vinhos de Portugal: são mais de mil rótulos de 14 regiões, e mais de 250 tipos de uvas. “O brasileiro tem buscado cepas que não conhece, novas regiões, localidades e perfis de vinhos. Portugal tem essa variedade para oferecer e é exatamente para atender a desejos dos brasileiros que estamos investindo na realização do Festival mesmo em um período tão atípico”, completa.

Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao BrasilHoje, o setor de supermercados representa quase 70% das vendas de vinhos no Brasil e foi responsável, em 2019, por 31% da importação e venda de vinhos portugueses no País. É um segmento que a cada dia está mais presente no cotidiano do brasileiro, principalmente os novos consumidores, que aprendem adquirindo vinhos em promoção e com o tempo vão exigindo outros vinhos, mais elaborados, com mais prestígio e mais caros.

“O vinho agrega uma imagem positiva ao supermercado, é um diferencial. Ele tem alto valor agregado, o que é um fator positivo no faturamento. Além disso, é o produto ideal para promover vendas casadas com queijos, pães e frios, por exemplo”, resume Marcio Milan, superintendente da ABRAS.

Os supermercados participantes do Festival Vinhos de Portugal vão contar com materiais exclusivos para os espaços reservados aos vinhos portugueses que participam da campanha e os profissionais que atuam nos pontos de venda vão receber um treinamento sobre vinhos de Portugal com um dos mais experientes e respeitados profissionais do País, o consultor Carlos Cabral, que soma 40 anos de trabalho no mundo do vinho e mais de 23 anos atuando em uma grande rede de varejo. Nesse período, Cabral já treinou milhares de colaboradores para aturarem nas seções de vinhos de supermercados de todo o Brasil.

Vinho que fala a mesma língua

Carlos Cabral enumera alguns dos fatores que contribuem para o sucesso dos rótulos lusitanos em nosso mercado, como o surgimento de importadores exclusivos de vinhos portugueses e o grande fluxo de turistas brasileiros que elegem Portugal como seu primeiro destino internacional, devido à familiaridade com o idioma e preços atrativos em passagens aéreas.

Portugal aposta na entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul para aumentar exportações de vinhos ao Brasil“O vinho português é um vinho fácil de comprar e entender o que está em seu rótulo, pois trata-se de um vinho que fala a mesma língua. Os preços são atraentes em vinhos mais populares e há uma boa distribuição horizontal, atingindo todos os recantos do território nacional. Além disso, há uma gama de opções, pois são 14 regiões produtoras e uma rara coleção de cepas, o que deixa o consumidor bastante livre para experimentar”, explica Cabral.

Durante o festival, mais de 1.500 novos vinhos serão apresentados por quase 200 vinícolas, que além de fornecerem suas já tradicionais marcas, querem apresentar novidades recentes, fruto de grandes investimentos nas áreas agrícolas, com a implantação de novos vinhedos e tecnologia, e os mais modernos equipamentos auxiliando a enologia. Os Vinhos de Portugal também fornecerão suporte e informações para importadoras e supermercados interessados em importar estes novos rótulos para o mercado brasileiro.

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