Preciosidade nativa: 9 pedras brasileiras conquistam mercados no exterior e geram receita de US$ 156 milhões em 202

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Rio de Janeiro – Diversos tipos de pedras preciosas — ou as “gemas”, como também são conhecidas — existem ao redor do mundo. Uma delas, o diamante, originária em grandes quantidades de países como Rússia, Botswana e Canadá, respectivamente os três países que mais produzem a gema. E ao contrário do que se possa imaginar, o Brasil não fica muito atrás. Ostentando o título de maior produtor da América do Sul, é possível encontrar 90 modelos de pedras preciosas em território brasileiro.

Ainda que as pedras preciosas representem um percentual modesto no total das exportações brasileiras, as gemas nativas vêm conquistando cada vez mais espaços no mercado externo. É o que mostram dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) sobre a exportação de “Jóias, ourivesaria, seus artigos e outros artigos de matérias preciosas ou semipreciosas”.

Segundo análise via plataforma Comexstat, embora a comercialização das gemas tenha representado  apenas 0,05% do total das exportações brasileiras em dezembro de 2022, houve um crescimento de 6,7% no acumulado dos 12 meses predecessores.

 

 

 

 

 

Fonte: Comexstat / Ministério da Economia 

Em cifras, cerca de 2,5 mil toneladas de preciosidades movimentaram US$ 156,15 milhões em 2022. Somente a Alemanha e os Estados Unidos receberam um total de 71% dessas exportações. A França foi outro país em destaque, com importações no valor de US$ 4,47 milhões em gemas nativas.

Diante de toda essa diversidade, alguns tipos se destacam. Como é o caso das esmeraldas, que podem enfeitar anéis, pulseiras e brincos de prata, por exemplo. Outra pedra famosa entre os brasileiros é a ametista, que ganhou fama com a novela “O Astro”. A pedra é abundante no estado do Rio Grande do Sul, o maior produtor do mundo.

Veja, a seguir, pedras mais comuns no Brasil:

  • Ágata;
  • Granada;
  • Água-marinha;
  • Turmalina;
  • Citrino.

Qual estado do Brasil tem mais pedras preciosas?

Historicamente, Minas Gerais é conhecido por seu solo recheado de riquezas, contendo vários tipos de pedras preciosas. Estima-se que a descoberta das primeiras jazidas aconteceu em 1554.

Minas é o berço dos diamantes no Brasil, que são minerados no estado desde o século XVII. Atualmente, a região abriga os principais centros de mineração de rubelita, topázio, turmalina e água-marinha.

Outros lugares do país também se destacam pela produção de gemas. Como é o caso do Rio Grande do Sul, estado abundante em quartzo, com destaque para a ágata e a pedra ametista.

O Nordeste é bem representado pela Bahia, que oferece diamantes, esmeraldas, ametistas e citrinos. Enquanto isso, Tocantins, Goiás, Pará são os estados com mais pedras preciosas nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Como e onde elas são extraídas? 

Segundo o estudo “Geografia das Pedras Preciosas no Brasil”, grande parte da produção é feita por pequenas empresas de mineração e garimpeiros. O trabalho do garimpo acontece em grutas, cavernas, rochas aflorantes e a céu aberto, em aluviões. Vale citar que existem vários métodos para extrair substâncias naturais inorgânicas.

As escavações são realizadas de duas maneiras: industrial ou manual. A primeira é exercida por empresas. O auxílio de maquinários específicos acelera e facilita a descoberta de preciosidades.

Já a extração manual é mais lenta e perigosa. Afinal, os garimpeiros não dispõem dos mesmos recursos das grandes companhias. Muitas pessoas colocam a vida em risco escavando jazidas atrás das pedras preciosas brasileiras.

9 dessas gemas chamam a atenção pela sua beleza, raridade e, claro, pelo valor. Alguns tipos podem custar milhões de reais.

  1. Turmalina Paraíba

Como já citado, a turmalina é comum no país. Mas a turmalina Paraíba é um tipo raríssimo e extremamente caro.

A autêntica pedra, com teor de cobre acima de 2%, é encontrada apenas na Paraíba e em na África. Segundo relatos, a primeira gema foi descoberta no ano de 1982, na Paraíba, e se tornou notícia internacional.

No que diz respeito às características, ela possui tom turquesa, que se transforma em azul neon quando reluz. A beleza chama a atenção de joalherias mundialmente conhecidas, como H Stern, Tiffany e Dior.

Em média, o preço do quilate (200 mg) vale US$ 30 mil. Conforme a qualidade da pedra, algumas chegam a valer até US$ 100 mil.

  1. Esmeralda 

Muito conhecida pelos brasileiros, as esmeraldas são verdes, com tons médios e escuros, e translúcidas. Para que ela seja considerada esmeralda, e não berilo, deve conter mais de 0,1% de ácido cromo.

As primeiras minas surgiram no Egito Antigo, onde eram as pedras mais desejadas e cobiçadas da época. Até hoje, milhões de pessoas têm fascínio por objetos elaborados com esmeraldas.

Entre os maiores produtores do mundo, destacam-se Tanzânia, Zimbábue, Madagascar e Colômbia. O Brasil também é um grande fornecedor, com grande parte das jazidas concentradas na Bahia, Goiás e Minas Gerais, estados que lideram a produção brasileira.

O preço depende das particularidades de cada pedra. Por exemplo: gemas de alta qualidade, contendo entre 5 e 8 quilates, podem atingir US$ 5.600 por quilate. Por outro lado, o quilate de gemas inferiores parte de US$ 100 até US$ 580.

  1. Rubelita

A palavra rubelita é derivada do latim “rubellus”, e quer dizer avermelhada em português. Trata-se de uma variedade de turmalina, que já foi citada anteriormente. A cor única das pedras rubelitas é o seu grande atrativo. Basicamente, a intensidade do vermelho é o que define o preço.

Elas estão presentes no Brasil, Paquistão e em certos países do continente africano, como Nigéria, Madagascar e Moçambique.

Rubelitas podem acompanhar vários tipos de acessórios, incluindo brincos de prata, pingentes, colares e anéis.

  1. Topázio imperial

A relação não poderia ficar sem a presença do topázio imperial. Existe uma curiosa lenda relacionando o nome da pedra com Dom Pedro I. A história afirma que o monarca ficou encantado com a beleza da pedra preciosa.

Atualmente, o Brasil é referência mundial na produção dessa variedade de topázio, sendo o único produtor.

As jazidas estão em Ouro Preto, histórica cidade mineira responsável por produzir topázios de muitas cores: laranja, amarela, rosa e lilás. Vale destacar que o preço do quilate do topázio imperial pode atingir até US$ 2 mil.

  1. Citrino

Os tons quentes, variando de laranja a amarelo, são características do citrino que atraem os amantes de pedras preciosas. A cor é resultado da junção entre manganês e titânio, dois elementos presentes na composição.

Membro da família do quartzo, o citrino está disponível em países latino-americanos e em território brasileiro. Os extraídos por aqui são considerados superiores, se comparados com os demais.

  1. Opala

Conhecida por exibir várias cores ao mesmo tempo, numa espécie de arco-íris, a opala é composta por óxido de silício e de 3% a 21% de água. A classificação é feita da seguinte maneira: opalas brancas e opalas negras. As escuras são consideradas raras e valiosas.

A Austrália lidera a lista de produtores mundiais, sendo responsável por mais de 90% das opalas comercializadas. A relação também possui Índia, Estados Unidos, Nova Zelândia e México.

O Brasil não produz em larga escala, mas possui jazidas espalhadas pelos estados do Piauí, Rio Grande do Sul, Ceará e Bahia. A mais famosa, em Pedro II-PI, teve apenas 10% de suas opalas extraídas, segundo pesquisadores.

  1. Safira
Fonte: Domínio Público

Proveniente do mineral coríndon, a safira é uma das pedras mais conhecidas. Geralmente extraída de mármores, pegmatitos e basaltos, ela pode ter quase qualquer cor, mas a azul é tida como a mais rara. O preço do quilate é de até US$ 12 mil..

O Museu Americano de História Natural de Nova Iorque é a casa da maior safira de todas: a Estrela da índia, de incríveis 563 quilates. E é na Índia o local com as melhores gemas do mundo. Porém, o Sri Lanka é o principal produtor.

É incomum extrair safiras no Brasil, mas podem ser encontradas em alguns estados, como Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina.

  1. Rubi
Fonte: Creative Commons

Da mesma maneira que a safira, o rubi também é derivado do coríndon. A diferença entre as duas é a cor, pois todo rubi é vermelho e as safiras são de qualquer outra coloração. Em estado bruto, a gema pode formar cristais no formato hexagonal.

As pedras de qualidade superior formadas no Vietnã, Tailândia e Mianmar, com 4 a 5 quilates, chegam a custar cerca de US$ 28 mil  a  US$ 40 mil cada quilate. Além dos citados, Índia, Rússia e China também exportam boas gemas.

Assim como a safira, os rubis são raríssimos no Brasil, presentes em poucas quantidades nos estados de Santa Catarina e Bahia.

  1. Diamante
Fonte: Public Domain

A lista não poderia ficar completa sem a presença dos diamantes. A gema é muito cobiçada e, consequentemente, uma das mais caras. A grande parcela, cerca de 99,9%, é incolor ou ligeiramente amarelada.

Os diamantes também têm fama por ser a substância mais dura existente, atingindo 10 de dureza na Escala de Mohs. Em lugares como a África do Sul, eles ocorrem nas rochas kimberlito.

Enquanto isso, no Brasil, podem ser encontradas em eluviões e aluviões. Aliás, o país produz aproximadamente 1 milhão de quilates anualmente. Os centros de mineração estão localizados no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima e Minas Gerais.

O valor do diamante bruto varia com frequência, podendo valer até US$ 2,9 mil  em peças de 5,60 quilates.  Uma vez lapidado, o preço aumenta expressivamente, chegando US$ 63 mil  o quilate.

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