Presidente da AEB adverte para represália da China caso Brasil decida banir Huawei do projeto 5G no país

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Da Redação

Brasília – “É preciso pensar mais e falar menos”. Com esta frase simples,  pragmática e direta, o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de  Castro, resumiu sua opinião sobre a maneira como o governo brasileiro deve  agir ao tratar da implantação da tecnologia 5G no país. E faz um alerta: mais adiante a China certamente responderá com uma represália contra o Brasil.

Ao reagir a uma afirmação feita por uma fonte próxima de Jair Bolsonaro admitindo que o presidente estaria avaliando a possibilidade de proibir a Huawei de participar do leilão a ser realizado no primeiro semestre de 2021, o presidente da AEB primeiro lembrou que “não vejo nenhum motivo para o Brasil assumir uma posição agora em relação a um tema tão delicado, sabendo que a decisão não será tomada hoje, mas num futuro próximo “ e depois afirmou, categórico, “o Brasil não tem nada a seu favor se tomar agora uma decisão sobre o tema”.

O presidente da AEB teme que o presidente Bolsonaro acabe cedendo às fortes pressões exercidas pelo governo de Donald Trump e venha a banir a chinesa Huawei do leilão que vai decidir qual será a empresa que irá implantar o 5G no Brasil. Segundo ele, “sob o governo de Jair Bolsonaro o Brasil tem um alinhamento automático com os Estados Unidos e toma decisões  influenciado pelo governo americano”.

José Augusto de Castro não tem dúvida de que, caso opte por afastar a Huawei do processo licitatório, o Brasil será alvo de uma contraofensiva chinesa e destaca que “o impacto de uma reação não se dará no plano comercial porque a China tem que comprar hoje do Brasil  ou dos Estados Unidos e nenhum desses dois países tem condições de, isoladamente, abastecer o mercado chinês. A represália vai surgir num momento que o Brasil não estiver esperando. Imagino que seja algo que virá quando o Brasil tiver necessidade de algo e a China simplesmente se recusará a atender. Citaria, hipoteticamente pois essa não é uma situação que se coloca neste momento, de uma vacina contra o novo coronavírus, com o Brasil necessitando do produto, do qual a China dispõe mas pode dizer que não tem interesse em vender para o país”.

O executivo da AEB reforça o argumento de que não vê espaço para a China retaliar o Brasil no plano comercial: “a China não  vai deixar de comprar soja, milho, petróleo, minério de ferro ou qualquer outra das commodities que demanda hoje em grande escala do Brasil. Mas me parece claro que se a Huawei for afastada do leilão por motivo essencialmente político e não técnico, a China vai tomar uma decisão contra o Brasil. É claro que a China não vai anunciar antecipadamente o que vai fazer, mas não será necessariamente no plano comercial. Pode ser no campo tecnológico em outra área qualquer. Essa é uma realidade que nós temos que considerar”.

Após reiterar que “essa é uma situação que deve ser muito bem analisada sob o aspecto técnico e principalmente sob o aspecto político”, o presidente da AEB sublinha que essa é “a única maneira de se evitar  a criação de uma situação que não existe hoje mas que pode se concretizar no futuro próximo. Acho, basicamente, que temos que pensar mais e falar menos”.

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